Leiturosseia do Ulysses – Capítulo Cinco

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[Imagem de David Byers Brown para o Canto IX da Odisseia, com Ulisses contando sua história para o rei Alcino]

nesse quinto capítulo, nosso querido amigo Leopold Bloom vai andar um pouco por Dublin enquanto espera o horário do enterro de Paddy Dignam. evidencia-se aqui que, ao contrário do Ulisses da Odisseia, quem tem tido casos fora do casamento é Molly. ou melhor, casos carnais, porque leopold Bloom mantém uma relação amorosa via carta com uma mulher sob o pseudônimo de Henry Flower.

e também recebeu da sua palavramante uma flor seca no envelope.

esse é um capítulo muito bem amarrado ao episódio homérico e, diferentemente de antes, vou colocar todas as minhas observações nessa mesma postagem e partimos em um dia próximo para o capítulo 6.

o episódio de referência é o dos lotófagos, ou dos comedores de lótus (permaneça perceptivo para flores nesse capítulo), que é um trecho dos mais miúdos na Odisseia (capítulo IX, versos 61 a 78). e esse capítulo é bastante exemplar do tipo de relação que Joyce constrói entre o seu livro e a epopeia homérica.

explico:

na Odisseia, os lotófagos passam o dia inteiro comendo flor de lótus e fazem porra nenhuma – tipo quase todos nós na internet – e alguns homens que o Ulisses mandou lá ver qualé entraram nessa pira (literal-metaforicamente) e foram arrastados por seu valoroso capitão de volta ao mar.

no livro do Joyce não vai ter ninguém chapado ou comendo flor, mas o capítulo todo estará obnublado, como se o narrador tivesse meio anuviado. o estilo narrativo que Joyce chamou de narcisismo tem tudo a ver com o ficar dentro de si e não agir muito bem no mundo exterior, até que a água te afunde na realidade.

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todo o capítulo é preguiçoso, segue um “dolce far niente” e termina com o Bloom tomando um banho. todos os aromas e sabores são valorizados aqui, como se os sentidos de Bloom fossem muito mais aguçados.

ele encomeda um perfume de flor de laranjeira para Molly (esse cheiro é associado a ela durante todo o livro) e compra um sabonete com odor de limão. a última cena desse capítulo é Bloom flutuando na banheira e seu pau sendo comparado a uma flor.

(uma avaliação pelo viés do grotesto e do baixio corporal rende horrores nesse livro)

Bloom anda pela cidade, vê vitrines de chá, encontra McCoy, que faz Bloom lembrar do golpe da mala – que se não me engano, rolou num conto do Dublinenses – apanha a carta da Martha, a amante datilográfica, se livra do envelope, resolve encomendar o perfume de flor de laranjeira e comprar um sabonete para o banho, e antes de se lavar, cruza com Garnizé Lyons que lhe pede o jornal emprestado, age d emodo estranho e sai correndo. Bloom entra no banho e é isso.

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