Monthly Archives: Abril 2014

Tem alguma coisa rolando: BMA

e, para surpresa total de um Lielson de 16 anos, eu sou um dos ganhadores de um concurso de mangás. cinco histórias foram escolhidas e serão publicadas pelas editora JBC até o final deste 2014 (não confundir com nenhum outro 2014).

(é, eu tive um momento d avida em que resisti aos mangás, porque aquilo era estranho, tinha uma lógica diferente das HQs de super-heróis que eu lia – que eu considerava canônica – e etc. hoje, acompanho mangás mensalmente e nenhum título de super-herói. acho importante sentir vergonha do passado às vezes. gera uma esperança de que as coisas mudaram.)

eu fiz o roteiro de Crishno, o escolhido e o Francis desenhou 32 páginas de um história de muita ação que brinca com um dos clichês de aventura: a predestinação e a ajuda externa. acrescentamos nisso um pássaro que faz comentários sacanas e mostra pros leitores fragilidades da construção narrativa. espero que você riam quando lerem. e espero que vocês leiam.

o Francis é um piá talentoso (atualmente tá publicando uma HQ chamada Maldita Karen) e já trabalhamos juntos numa HQ pra Café Espacial e em um São Paulo S/A. estamos engatilhando um projeto pra postar na rede mundial de computadores que tem, provisoriamente, o título de Palo Alto (provisório) – o título talvez tenha de ser mudado por motivo de: James Franco.

mas isso é outra história. feliz da vida em ter mais essa publicação neste ano. mas das outras eu falo mais pra frente.

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Saiu hoje: São Paulo S/A

São Paulo S/A (roteiro Lielson, arte Francis Ortolan)

São Paulo S/A (roteiro Lielson, arte Francis Ortolan)

já falei do São Paulo S/A por aqui. semana passada, por causa do feriado, Geraldo, nosso personagem, tirou uma folguinha e foi curtir uma BR sentido litoral.

hoje foi postado uma história que se passa no bairro da Liberdade, com arte do associado número noventa mil, o Francis Ortolan.

leia a HQ completa aqui.

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Tem alguma coisa rolando: Lado B

Lado B 14,99

em 2008 eu mandei um textinho curto baseado em A divina comédia (ou ando meio desligado) dos Mutantes pro Danilo Corci. ele, acho que via Túlio, tinha me convidado pra escrever um conto a partir de um disco que eu escolhesse. esse material iria pra internet pra ser baixado de graça em formato PDF.

minha primeira opção era o Radiohead, mas já tinham levado. então, já que eu tava num momento descobrindo Os Mutantes, escolhi o disco que mais gosto deles e comecei a fazer o livro.

só que não.

achei uma conversa com o Danilo via GTalk em que eu dizia se ainda podia entregar, apesar do atraso (tava quase em 1 ano, com certeza) e ele disse “claro, manda. achei que você tinha desistido”. aí me envergonhei e fiz o que sempre faço quando me envergonho: fiz uma piada estúpida (neste caso, envolvendo o Van Damme). aí o livro saiu em 2009 e foi lindo e beleza.

escolhi o título de Lado B (ou uma história de amor para walkman). lado b, por ter relação com fitas K-7 (longa história, me cobrem) e um subtítulo entre parênteses para realizar um sonho (além de ter parênteses no nome do disco de Os Mutantes).

existe todo um processo doentio de criação, do qual me orgulho, mas tenho certa vergonha em falar sobre ele. afinal, ele é tão TOMADO, que pode parecer importante conhecer isso antes de ler o livro, o que não é verdade.

vou falar meio por cima, só pra confirmar a doencinha: eu associei o texto à Divina Comédia do Dante, porque, porra, tá até na capa do disco de Os Mutantes. o disco tem 11 músicas, e o livro do Dante 3 partes. a divisão de 11 por 3 não é contaexata, então eu criei um capítulo de apresentação (-1 canção) e um epílogo (-2 canções) e sobraram 3 canções para Inferno, 3 para Purgatório e 3 para Paraíso.

\o/

aí fui ver qual das  músicas se encaixava melhor numa ou noutra parte (tem umas óbvias tipo Ave, Lúcifer). o critério do encaixe em cada parte é o maior “eu acho” do universo. eu pensava nisso lá em 2008 enquanto trabalhava numa emprego muito ruim (e tava quase saindo dele) e terminava de escrever minha dissertação de mestrado (e me preparava pro TCC – outra hora explico isso). nos meios tempos, lia uma biografia dos Mutantes e um trecho do livro me fez pensar no conceito (pode ter sido numa entrevista em vídeo também, sei lá) que daria carne à toda essa estrutura de 1 + 9/3 + 1: o Sérgio Dias disse numa entrevista que ele ouvia um efeito de guitarra, um riff, alguma coisa assim, numa música, gostava, guardava e usava na primeira música que ele conseguisse (parece que a guitarra slide de Baby saiu de algo dos Beatles – o que não saiu de algo dos Beatles também?).

na minha cabeça isso era um pedido por escrito e carimbado pra que eu usasse diversos recursos textuais pelo texto, onde eles coubessem.

aí, pendurei umas paródias de começos emblemáticos da literatura em cada capítulo (ou em quase todos), citações de música e HQ, e redistribui os capítulos de acordo com a ordem das faixas do disco e tudo terminava com 3 imagens, na época fotografadas com uma câmera ruim (na nova versão são ilustras são do genial Alexandre Lourenço). o fato de isso ser legível já é bastante espantoso e comprova o poder redentor e auto-organizador da linguagem.

o povo lá da Mojo Books gostou na época já e quando eles decidiram retomar a editora, em 2013, o Ricardo Giassetti me perguntou se eu topava fazer parte do novo catálogo, com o mesmo livro. fiquei feliz, aceitei, agradeci, reli tudo, acertei coisinhas lá e cá e o Lado B está disponível para compra digital na Amazon ou sob demanda na própria Mojo e parece que a Itiban tem também alguns exemplares. o formato epub deve sair, o livro já tá cadastrado na Google Play. assim que vier, eu avisarei.

tive dois leitores muito generosos que deixaram suas impressões sobre o Lado B: o Arthur e o Eder Alex. muito grato, queridões.

reencontrar esse material tantos anos depois, por mais paradoxal que seja, me mostrou caminhos criativos que eu tinha esquecido que eu podia usar, ou seja, novos caminhos. porque depois do final do labo, é só virar a fita e começar de novo.

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Tem alguma coisa rolando: Almanaque curioso dos vilões

olha só: eu tenho duas faculdades, fiz mestrado sobre histórias em quadrinhos, trabalho como editor-assistente na Mauricio de Sousa Produções, fui professor de roteiro de quadrinhos e faço parte do time do Universo HQ e nada disso gerou um atestado de nerd maior que este material aqui:

editado pelo Sidney Gusman, o pessoal da Camucada e eu ficamos responsáveis pela pesquisa e produção dos textos desta edição especial da revista Mundo Estranho. foi muito divertido encontrar informações sobre vilões que conheço desde que comecei a ler quadrinhos lá nos anos 1980. era um trampo, mas foi um afago nos cabelos de um Lielsonzinho de muito tempo atrás.

vale dizer que eu também fiz a revisão técnica deste material aqui, de 2012.

acho que já posso tatuar um 42 no peito.

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Diário de classe de desenho

ok, temos algumas contradições aqui (vou chamá-las de contradições orgânicas, porque me parece um nome legal e dá uma certa pompa bacana a umas contradições que, bem na real, não importam em nada), são contradições orgânicas (;]). espera-se de um diário de classe, um a cada classe e se é de desenho, que seja desenhado, pelo sangue de Héracles!

mas, pensa comigo: se estou fazendo aulas de desenho (e é só disso que se trata, se você ainda não tinha percebido), pode-se entender porque não desenho sobre as aulas (espero que tenha entendido, porque se eu tiver que desenhar pra facilitar… né?); quanto a não ser um por cada (<<detecção de prazer infantil aqui) dia é que eu só pensei nisso nesta semana e daí duas aulas já se ficaram pelos tempos (um abraço pra elas).

a primeira, foi aquilo de mostrar qualé da aula e do Claudinei se apresentar e tal. nela, aprendi a prestar atenção na qualidade da linha de um desenho – daquelas pequenas lições que trazem grandes mudanças (até quando usaremos esse par comparativo de opostos, né?). a segunda aula foi mais mão no grafite.

o exercício era algo pra aquecimento, pra “soltar a mão” (sem piadinhas, agradeçam). era pra fazer uma linha curva com certa regularidade em um papel A2 de jornal com carvão, que parecia um laço. mas e daí?

daí que eu tenho problemas com o som do carvão riscando o papel, MUITO PROBLEMA. a fricção entre papel e carvão, transformada em fagulha de tremor, subia em ondas pelos dedos, esparramava grafite na minha mão, ria e seguia braços-pelos, invadia a caveira e chacoalhava meus dentes. pra fechar, usavam divertidas agulhas pra raspar meu ouvido a partir do osso em direção a pele.

sofri uma autotortura de 3 horas desenhando linhas curvas imperfeitas e círculos concêntricos descentrados. meus dentes ainda doíam quando cheguei em casa. aprendi pouco sobre desenho, mas bastante sobre desconforto (duas coisas: 1- de novo o par comparativo de opostos; 2-aprendi que não quero nunca mais desenhar com carvão na vida).

e é só isso mesmo. esses textos não são grandes metáforas da vida ou longo koans. são isso aqui.

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Tem alguma coisa rolando: São Paulo S/A

acho que a postagem mais típica é sobre o cara que quer manter o seu blog mais constantemente atualizado. vou poupar a gente disso, beleza?

então: resolvi que era importante (pra mim, lógico) colocar aqui algumas das coisas que tenho produzido e tal. na dúvida canhestra entre começar do mais antigo e ir até o mais recente ou do versa-vice, tucanei e joguei no meio. escolhi um projeto em andamento: São Paulo S/A.

(todas as HQs podem ser lidas aqui e elas só existem online)

o título é uma homenagem ao enorme filme do Sérgio Person, que se por acaso tivesse inteiro no You Tube, eu recomendaria que vocês assistissem.

a série de HQs (até aqui já foram 5 e no dia 18 de abril vai mais uma à rede – dizer ao ar não faz muito sentido — ou talvez faça tanto sentido que deixe de fazer sentido, sei lá) trata de um motorista nervosinho, Geraldo, que pensa que buzinar pode resolver seu problema (quem nunca?). o enredo é esse: o Geraldo fica putinho por estar rpeso no trânsito, buzina que nem um lóque e algo DO ALÉM acontece.

mistura-se aqui a carrolatria paulistana, minha convicção pedestrianista, uma homenagem às páginas de jornal do começo do século XX (elas tinham HQs de uma página), Kafka, Beckett, Monty Python, a repetição e a diferença e, principalmente, uma desesperada tentativa de me manter em movimento.

não é legal que pra me manter ativo, eu fale de quando as coisas estão paradas? eu acho divertido!

eu roteirizei essas histórias e um desenhista diferente (chamado de associado, já que é S/A e… entenderam, né?) transformou cada uma delas em HQ. muitos outros roteiros estão por aí, e aos poucos, no ritmo de descida para praia em feriado (nem, muito mais rápido que isso) eles vêm chegando. em cada roteiro, eu direciono história pelo estilo do desenhista.

graças a São Paulo S/A, eu finalmente consegui trabalhar com o Liber, por exemplo. um amigo de longa data com quem já fiz tantos planos de HQs que dariam um álbum. e quando a gente conseguiu fazer, saiu uma história que nos deixou muito satisfeitos (até foi parar até nos melhores do mês do Universo HQ).

todas as HQs vão acompanhadas de um pequeno texto meu, muito livre e ~bem louco~. lá explico sobre o convite da Bianca e da Fefê pra me tornar uma vaca voadora (quem diria não?) e disso de morar em São Paulo.

então, é isso: a cada 15 dias, sempre na sexta, o dia de maior engarrafamento, tem uma AVENTURA nova de Geraldo, o guerreiro impaciente do asfalto. eu aceno pra vocês da janela do ônibus se vocês estiverem lá.

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