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Blunsdei 2017

Dramatizações de Ulysses feitas em 2014 em Brighton, Drew Tingwell como Bloom; Cathy Kohlen de Molly. Photo by Bernard Peasley.

Bloom dia!

Não via porque deixar a data sem um respingo aqui, sem falar do Ulysses, livrodessesquemudaaspessoa. Tem uma ideia de que o livro é ilegível: num é; mas tem gente que gosta de dizer por aí que é.

O livro não é fácil, fato, mas falta o povo vender mais a chave importante pro livro: o humor. Joyce é um fanfarrão, sério.

O ponto alto e quase apoteótico do quarto capítulo é ver o sol depois da cagada memorável do sr. Bloom (dos grandes bostaços da literatura, sem dúvida).

Algo que o Caetano Galindo (tradutor da obra na edição da Penguin-Companhia – minha tradução favorita, aliás) diz do livro: é que o Stephen Jyce, personagem dos 3 primeiros capítulos é um porre e que quando o senhor Bloom entra no livro é como se o sol se abrisse.

Stephen é aquela figura amargurada com obra porvir, de pouco humor, metido a serião, aff; Leopold Bloom, que come com mucho gusto miúdos de aves e animaizinhos, é muito mais batuta (não a toa grande parte do livro é sobre seus ombros).

Se o começo é meio sem graça, é pela técnica joyceana de narrar, de usar um narrador que sequestra o vocabulário e pontos de vista do personagem. Ou seja, o uso da linguagem fala sobre o que é narrado e aqui entra um ponto que acho que é onde mora parte da dificuldade do livro (segue em parágrafo próprio essa reflexão):

Ulysses tem desenvolvimento de personagem, tem trama, tem ponderações sobre diversos aspectos do mundo, mas também tem desejos formais, que abraçam e beijam essas coisas todas e faz tudo funcionar junto, numa orgia vocabular de gozos grandiosos e triunfais. Aqui entra a minha observação: não é possível tirar um desses elementos do livro, é preciso engolir todos eles, porque a graça é justamente tudojunto.

Essa prioridade da fábula (do que se conta) sobre os demais aspectos de um instituto literária é uma falácia muito comum, como se tudo devesse se ajoelhar ao narrado e à compreensão.

Ulysses não é ilegível, é divertido, engenhoso, choroso, humano, dograndecaralhão, mas é também, obscurinho e não se entrega fácil, mas devolve multiplicado as dificuldades a seus leitores.

close your eyes and see.

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