Leiturosseia do Ulysses – Capítulo Seis

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[Kirsty White em desenho para uma edição da Penguin do Ulysses]

finalmente, Leopold Bloom vai para o velório de Paddy Dignam. o capítulo começa com Bloom sendo convidado a ir na mesma carruagem que Simon Dedalus (pai de Stephen), Martin Cunningham e Jack Power.

enquanto o carro passeia por Dublin em direção ao cemitério, os personagens conversam e contam causos, como o o menino que caiu no rio Liffey e foi resgatado pelo cós da calça com um gancho ou do defunto que rolou para fora do caixão numa curva mal-executada pelo cocheiro. Simon não vê seu filho Stephen, embora ele tenha sido avistado de passagem pelos demais passageiros.

por todo o capítulo os mortos serão lembrados e como é habitual na Irlanda, no Brasil ou onde quer que se junte mais de 3 a gracejar, surgem os comentários preconceituosos. no caso, contra estrangeiros, judeus e suicidas. o pai do Bloom é um estrangeiro, judeu e suicida, tornando o nosso caro Leopold vítima dessa porra toda.

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o modelo narrativo aqui foi chamado de incubismo por Joyce. uns teóricos doidões atribuem isso ao demônio sexual masculino íncubo, que estaria como que possuindo o capítulo e sugando-lhe a energia.

eu, irresponsavelmente imodesto, não vejo bem isso. acho que o incubismo pode ser de incubado, como se o narrador estivesse dentro dos personagens, particularmente, Bloom. seria um narrador-pomba-gira que baixa no personagem.

evidências que enxergo pra isso: aqui a técnica de o narrador usar o léxico do personagem é mais exemplar que qualquer capítulo anterior. a descrição feita da missa e seus rituais é cheia de termos coringas, de quem não conhece o ritual católico, tipo um judeu feito o Poldy. os pensamentos de Bloom – sobretudo sobre morte e mortos, claro — mas também da trepada dele e da Molly que resultou no filho já morto, Rudy — – entram no meio da descrição das ações o tempo todo (sob esse aspecto uma versão reduzida do terceiro capítulo).

no final, Bloom dá um aviso pra John Henry Menton com quem ele quebrou o pau jogando bocha uma vez, que o seu chapéu está torto, deixando-o “sem saber onde enfiar a cara” (MÃE, Minha). esse senhor Bloom é demais.

ah, e apesar de estar em comic sans, aqui está um puta artigo sobre este capítulo:

http://p-www.iwate-pu.ac.jp/~acro-ito/Joycean_Essays/U06_insurrection&life.html

(copia, cola e dá enter porque essa porra de ‘p-www’ zoa com os códigos html)

“Obrigado. Como estamos magnânimos hoje.”

 

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