Monthly Archives: Fevereiro 2013

Ver Tarantino no cinema

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eu me sinto obrigado a ver Tarantino no cinema.

obrigado por um piá de 15 anos. sorte do menino que não tenho nenhum problema em assistir os filmes do Tarantino. eu gosto muito, mas ele já deixou de ser meu cineasta favorito há algum tempo.

assisti a todos que pude no cinema, ou seja, de Kill Bill – Volume 1, pra cá.

mas minha principal satisfação de ver Django Livre no cinema tem menos a ver com a direção, os diálogos e a fotografia, do que já teve. tem mais a ver comigo e com o menino adolescente.

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(que todo mundo deve ter sacado que sou eu mesmo, porque sou meio ruim de guardar segredos. é o Lielson de agora fazendo o que Lielson de Francisco Beltrão, sem cinema e sem vídeo-cassete não podia fazer)

em outra circunstância, seria só uma vingança besta contra o mundo, um grito desgraçado perdido numa escada abaixo. mas como é de mim que eu falo, é de um eu ligado a um outro-eu por uma espichada de tempo, é um prêmio dado a tempo (e fora do tempo): eu levo aquele adolescente a ver o seu cineasta favorito no cinema, a encarar em uma grande tela alguém que o influencia e o influenciará.

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sem ter de torcer pra chegar na locadora de vídeo o VHS, e aí organizar uma noite de filmes e SuperNES com o amigo pra ver o filme, decorar diálogos, rever e comer pão com bife. é legal também, mas o que sobra dum lado, falta de outro.

cercado por desconhecidos, estou só no cinema. eu que sou dois (pelo menos dois), encarando as luzes de Tarantino. sorrio nervoso, meu estômago afunda em si mesmo e me sinto bem em ser essa audiência. obrigado, Taranta. bom filme pra todos nós.

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A cidade Zumbi

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Foto de Daniel Castellano, para a Gazeta do Povo

eu gosto de Curitiba. vivi mais de uma década lá, tomei café na XV, passei frio na reitoria da UFPR, vi os primeiros shows do ruído/mm, vi o Trevisan andando em círculos na Santos Andrade, e – o que eu mais gostava – caminhei bastante por toda a cidade.

meus pés e as ruas de Curitiba tem um bruta dum affair interrompido, mas nunca apagado ou resolvido.

por isso e pelos amigos e parentes, volto pra lá vez por outra. tipo no Carnaval. Afinal, são poucos os lugares com um carnaval tão inofensivo quanto o de Curitiba – defendo até a institucionalização do não-carnaval curitibano — sim, com hífen, tamanha sua negação.

e nesse saudável carnaval, a cidade virou zumbi.

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não tô lembrando só da divertida zombie walk, que talvez seja a melhor ideia de brincadeira coletiva para adultos (sem ideologia marcada) já inventada. é uma evolução do flashmob. ou um fashmobão.

aliás, tô pensando sim nas fantasias zumbizentas na rua, mas não só.

Curitiba toda virou zumbi.

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(a foto não é de Curitiba. coloquei ela só pelo impacto visual)

além dos eventos desmortos do carnaval, e do jargão de que os usuários de crack parecem zumbis, trôpegos, enrolados em farrapos, feridos, fedidos e delirantes que tomam as ruas como se vivessem uma Zombie Walk em sua half-life, há ainda um ar de morto por todos os lugares.

acompanha comigo: ninguém nas ruas, lojas fechadas, shoppings lotados, aquela nevoazinha e é claro, o cenário de guerra que recebe o viajante na rodoviária da cidade.

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torço pelo clichê, mas não me encontro com as bolas de feno rolando pela rua.

é engraçado: um texto sobre uma cidade que encontrei meio-morta, num blog que tem dificuldades de se manter vivo se contrasta com um lugar que lembra muito da minha vida.

não, não é engraçado. até sorrio, mas não sei o que é. engraçado, não.

na minha cabeça, tudo está disponível: os cafés, as livrarias, a Biblioteca Pública, a universidade, o rumo da minha (ex) casa no Alto da XV.

Aqui Curitiba vive.

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