Monthly Archives: Janeiro 2016

Mais balbúrdia

Eu tô abusando um pouco e me repetindo porque a empolgação é grande. Inauguramos uma NOVA ALA do Balbúrdia  (blog sobre HQ do Paulo, Liber e meu) dedicada a dicas. Ela obviamente não se chama DICAS, mas Vem Comigo. O post é ESTE e trata disto aqui:

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Tem alguma coisa rolando: Balbúrdia

Hoje pela manhã, Liber Paz, Paulo H Cecconi e eu começamos DE FATO um projeto nosso de pensar sobre quadrinhos. Passamos muito tempo discutindo sobre valor da crítica, implicações sociais, posição de voz, autoridade de status e de HQ, e não fazíamos nada.

Sempre comentávamos que o pessoal/particular (que acho bom) se misturava com um impressionismo irresponsável (o que acho ruim) e resolvemos tentar ocupar um espaço que enxergamos como vazio. A estreia é uma resenha do Liber sobre Sandman Overture. Semana que vem teremos Paulo e na outra ainda, eu.

O nome Balbúrdia surgiu de um equívoco. Num primeiro momento seria De Buenas, mas achamos que isso era muito susse hippie-maconheiro praquilo que queríamos. Comentamos que o Diego Gerlach é um mestre dos títulos brilhantes e resolvemos roubar um dele: nosso blog seria Alvoroço. Mas num papo desses alguém errou o nome e mandou um BALBÚRDIA. Foi paixão imediata.

Bem, pra ler o texto do Liber, vai aqui; pra ler nosso editorial, por aqui; pra ler o blog, AQUI. Amanhã devemos ter novidades por lá. Vem com a gente.

Ah, a arte que reproduzo aqui é o topo do blog e é do Pedro Cobiaco.

 

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Tem alguma coisa rolando: HQs [Eterno retorno]

Prometi ir postando aqui todas as HQs da minha parceria com o Zé Oliboni, então, vai aqui a inaugural (falo um pouco sobre o roteiro dela lá embaixo):

Eterno retorno 1

Eternal return 2

Eternal return 3

Eterno retorno 4

****

Essa ideia de alguém perseguido por um monstro que sadicamente vai embora e deixa no ar um “volto quando eu quiser te debulhar na porrada” é o centro do primeiro roteiro de HQ que fiz (acho que isso foi em 2006), mas nunca tinha achado o texto correto pra ele, por imageticamente eu tinha resolvido.

na primeiríssima versão eu decupei quadro a quadro com diversas transições e tal, mas não tinha nada de ameaça ali. deixei a história fermentando e toquei a vida.

Quando o Zé me convidou pra roteirizar algumas HQs curtinhas pro Diletante Profissinal, resgatei essa trama básica, sugeri os enquadramentos, discutimos sobre o ambiente e lutei com a frase palavra a palavra. A coisa só foi quando eu cheguei nessa ideia de pergunta e resposta, como se alguém contasse um pesadelo recorrente. Não sei se esse texto que taí é o melhor, mas é o melhor que consegui e me parece suficiente. Já o título veio de uma ideia de circularidade e repetição que evoca o ciclo de Vico que só conheço via Finegans Wake, portanto, não se espante se não corroborar  as ideias do Vico.

Segue o roteiro:

Página 1 – pensei nos 2 primeiros quadros menores, o terceiro e o quarto grandes e paralelos.Este texto entra onde ficar mais bem diagramado, mas o quanto antes, melhor: “Você tem medo de morrer?”

Quadro 1 – close no olho da personagem
Quadro 2 – o rosto da personagem inteiro
Quadro 3 – corpo inteiro da personagem correndo com um vulto ao fundo
Quadro 4 – personagem olha pra trás, apavorada

Página 2 – vários pequenos quadrinhos pequenos

Quadro 1 – a personagem corre e ao fundo percebe-se um monstro
Quadro 2 – enfoque nos pés dela
Quadro 3 – bate o braço numa parece
Quadro 4 – pula um muro e arranha a perna
Quadro 5 – rosto arfante, com pouco ar
Quadro 6 – personagem cai e sangra o joelho
Quadro 7 – Presença monstruosa, mas indefinida
Quadro 8 – personagem olha pra trás
Quadro 9 – personagem corre

Página 3 e 4 – se achar que vale segurar o andamento, inclua outros quadros. Sugiro quadros horizontais.

Quadro 1 – personagem dá de cara com uma parede
Quadro 2 – o monstro se aproxima
Quadro 3 – close nos olhos fechados
Quadro 4 – preto
Quadro 5 – a sombra d agarra se afastando e a testa com um filete de sangue escorrendo
Quadro 6 – olhos abertos com o sangue chegando aos olhos
Quadro 7 – um vulto em meio às sombras e uma garra que reluz
Este texto entra bem no final da última página: “Meu medo é que ele não me mate nunca.”

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Avulsinho 1

 

Sou um coadjuvante de uma fanfic escrita por Deus sobre um cara que nasceu no interior do PR e hoje mora em São Paulo.

 

 

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Tirei as cartas e o arcana maior era o Jodorowsky

Hoje saiu mais HQ lá no Diletante Profissional, site do Zé Oliboni. Eu fiz o roteiro e ele desenhou (a parceria tá rendendo bem). Aqui vai a história e lá embaixo eu falo sobre o roteiro dela.

tarô

***

Eu queria fazer uma HQ sobre presente e a força de cada momento em si mesmo. Pensei em vários quadros soltos com aspectos da vida - não da vida de um personagem, mas a vida ela mesma. Achei que a narrativa do tarô era legal pela suas cesuras e força simbólica. Na minha pesquisa, encontrei o Jodorowsky falando que lia o tarô pra enxergar o presente e não o futuro. Incluí a noção de que as cartas são brancas, portanto sem nada, portanto com tudo, e cheguei ao título.

Em seguida apostei num esquema que gosto pra HQs curtas: uma frase forte e importante que direciona o sabor das imagens, e que é interrompida entre uma página e outra. Pensei em usar o Mallarmé e seu Lance de dados, mas queimei a cabeça numa frase original: quando o tarot mostra a finitude, as cartas foram tiradas pelo infinito. é como se os desenho fosse uma virgulazona,

(vale aqui a reflexão de quanto se valoriza o original, porque é óbvio que essa frase é inferior a qualquer uma do poema do tio Stéphane)

Primeiro pensei na tentativa organizada de dispor os momentos da nossa vida, por isso os ângulos retos, a linearidade (que evoca sua irmã, a circularidade). A última página quebra isso com a espiral, meio que dizendo que essa coisa de encaixotar e alinhar tudo não vai rolar, véi. Acredito porém que a HQ tem abertura de leituras bastantes pra outras coisas serem encontradas ali.

O texto no livro é de Charles Baudelaire, e coloquei justamente por conta da última frase, uma bússola conceitual da HQ; segue o seu trecho final:

A primeira pessoa que vi na rua foi um vidraceiro, cujo pregão cortante, dissonante, me chegou através da pesada e suja atmosfera parisiense. É-me, aliás, impossível dizer por que fui tomado, em relação a esse pobre homem, de ódio tão repentino e despótico.
“Ei! Ei!”, gritei-lhe que subisse. Entretanto refletia, não sem algum contentamento, que, ficando o quarto no sexto andar e sendo a escada bastante estreita, seria difícil para o homem operar sua ascensão sem enganchar por toda parte os ângulos de sua frágil mercadoria.
Finalmente apareceu-me: examinei curiosamente todos os vidros e lhe disse: “Mas como? Não tem vidros de cor? Vidros cor de rosa, vermelhos, azuis, vidros mágicos, vidros do paraíso? Como é descarado! Ousa passear pelos bairros pobres sem ao menos trazer vidros que tornem a vida bela!” E o empurrei vivamente para a escada, onde tropeçou resmungando.
Cheguei até o balcão, apanhei um vasinho de flores e, quando o homem reapareceu na soleira da porta, deixei cair perpendicularmente meu engenho de guerra sobre a parte de trás de seu fardo; o choque o derrubou e ele acabou de quebrar sobre as costas toda a sua pobre fortuna ambulatória, que fez o barulho estrondoso de um palácio de cristal arrebentado por um raio.
E inebriado com minha loucura, gritei-lhe furiosamente: “que tornem a vida bela! a vida bela!”
Essas brincadeiras nervosas não deixam de comportar algum perigo, podemos pagar caro por elas. Mas que importa a eternidade da danação para quem encontrou num segundo o infinito do gozo?
BAUDELAIRE, Charles. O Spleen de Paris: pequenos poemas em prosa. Trad. Leda Tenório da Motta. Rio de Janeiro: Ed. Imago, 1995:34-35)

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Invasão: Vitralizado

Aceitei o convite do Ramon e escrevi no Vitralizado algumas impressões sobre o resultado do  Prêmio Grampo 2016.

Para ler, por aqui.

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Textão academicão

Talco de vidro recorte

Fui convidado pelo Manoel Ricardo de Lima ano passado a produzir um texto sobre produção contemporânea brasileira. torci tudo pro meu lado e num poliamor intelectual juntei uma paixão da vida toda (quadrinhos) com um amor novo (Merleau-Ponty). Usando um texto do fim da vida do Mau-mau(rice Merleau-Ponty), tente entender a importância do olhar e do ponto de vista da protagonista de Talco de Vidro, Rosângela, gibizaço do Quintanilha.

Este é o resumo do artigo:

Aqui se busca uma forma de olhar para as histórias em quadrinhos emprestando as lentes e olhares de Maurice Merleau-Ponty. O objeto em estudo é a obra de Marcello Quintanilha, mais especificamente o álbum Talco de Vidro. Através das ideias propostas por Merleau-Ponty, tentou-se entender os mecanismos de corte, interrupção típica das HQs como um espaço entre, um lugar onde a imaginação do leitor possa ser ativada e as significações surjam. Tudo isso é levado em conta tendo por fundo a história de Rosângela, personagem de Talco de Vidro que enxerga o mundo de uma maneira bastante particular.

{AVISO}Texto cabeçudo {/AVISO}:  o PDF pode ser baixado aqui.

Para ler a revista toda (recomendo), o caminho é este.

Comento um tantinho sobre o Talco de Vidro com o bróder Daniel Lopes,lá no Pipoca & Nanquim (ó eu fazendo o Bartleby).

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Tem alguma coisa rolando: Prêmio Grampo

Numa conversa susse com o Ramon, sugeri a ele que fizesse um prêmio de HQs do ano no Vitralizado, seguindo o modelo que o Telio Navega usava no Gibizada (blog sobre HQs que ele manteve por anos no Globo e cujo o conteúdo, infelizmente, foi removido da internet). o Ramon curtiu a ideia, mas ficou um pouco ressabiado de levar a parada adiante. um tempo depois ele disse que faria se eu o ajudasse. topei.

pedimos pra 20 pessoas das mais diversas pontas das HQs nacionais que nos mandassem suas listas com suas 10 leituras favoritas de 2015. elas tinham de ter sido publicadas no Brasil e serem inéditas. só.

pra conhecer os 20 primeiros, por aqui.

pra ver todas as listas, aqui.

obrigado a todos que aceitaram o convite.

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Lendo menos

teve um prodigioso ano de 2000 (séculos diferentes), em que li em torno de 120 livros. fazia faculdade, tinha me mudado de Francisco Beltrão pra Curitiba, estava escandalizadamente maravilhado com uma biblioteca pública daquele tamanho, não tava muito focado em fazer amigos na pensão que morava, não conhecia ninguém e adorava (ainda adoro) ler. outros caras na minha situação tavam por aí atrás de mulher, mas cada aí age conforme suas possibilidades, talentos e poderes mutantes.

foi nesse ano que fracassei na leitura de Ulisses, que li Flores do Mal, Montanha mágica, trocentos Saramago, Leminski, Salinger, Turgueniev, Whitman, Raduan, Camus e outros autores que eu conhecia na louca, andando pelas estantes e escolhendo um livro qualquer.

Tomoko Takeda

mantive essa mania de ler maniacamente, dedicando meu trajeto casa-trabalho-casa à leitura (e também casa-cinema ou casa-almoço fora) (em casa leio mais HQ, escrevo, frilo, jogo videogame, vejo filmes e converso) (já falei que leio andando do metrô até em casa?).

nos últimos anos, nessas de autoexposição pornográfica de nosso cotidiano, organizei painéis com o que comecei a ler (2013, 2014, 2015 e 2016). a verdade é que gosto de retornar e ver o que li e lembrar de coisas que me/se passaram enquanto eu lia.

nesse 2000 campeão aí, eu anotei numa contracapa de caderno cada livro lido e me vi, crackeiro de páginas, escolhendo livros menores pra ter um número mais poderoso (eu pensava como um político na época).

Manga farming

este ano retomei a leitura de um tarrasque literário, Graça infinita. o mamutão tem mais de 1100 páginas e peguei ele bem no comecinho (só tinha lido 300 páginas em 2015). calculei com a quantidade de páginas que leio por dia e com as que faltavam, que eu preciso de mais de 20 dias de leitura pra ele, o que vai ser pra lá do carnaval.

nessas eu pensei, putz vai foder com minha meta do programa “meu metrô minha vida”, de ler um livro por semana na média anual e me vi pensando em atacar simultaneamente livros curtos SÓ PRA MAQUIAR os números.

me esbofeteei dentro da minha cabeça e decidi que esse ano vou ser o opposite George e num empreendimento monty-pythonesco vou ler o menor número possível de livros.

ora, ora, você me dirá, caríssimo que me lê (talvez não diga), que bastaria abraçar a estimativa de leitura brasileira e não ler. mas isso qualquer um pode fazer, onde fica então o nível de desafio?

 Brian Dettmer

Brian Dettmer

o lance é ler pouco lendo todo dia E SEM SABOTAR (p.e., ao limitar o número de páginas lidas por dia). ou seja, eu preciso ler que nem sempre, mas ler menos. a chave é ler livros maiores! rá!

este 2016 será dedicada a leitura de tarugos tipo Irmãos Karamázov, Guerra e paz, Anna Kariênina, Homem sem qualidades, Arco-íris da gravidade. Mil e uma noites e Em busca do tempo perdido estão na comissão de ética pra decidir o rito de volumes, tomos e partes e saber se valem como um só ou, respectivamente, 4 e 7 livros.

eu sei que tô dando uma de diferentão enquanto booktubers cagam resenhas semanais de dezenas de livros, mas cada um age aí conforme sua índole, interesse e poderes mutantes. desapegar de glórias, desacelerar, aprofundar, valorizar cada um e matar o colecionador de recordes interno; tô nessa em 2016.

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Café preto, sem açúcar e com um pouquinho de HQ

O Zé Oliboni, do Diletante Profissional, gosta muito de desenhar e resolveu fazer duas ações benéficas pra si com um único movimento: publicar HQs dele no seu site. Assim, ele desenha e mantém o Diletante com conteúdo. Ele me pediu uns roteiros pra desenhar e tem saído muita coisa da nossa parceria.

Esta aqui, Café, é a mais recente (vou publicar as atrasadas depois) e saiu primeiro lá no Diletante. Abaixo, eu falo um pouco sobre o roteiro.

Eu sonhei que tava fazendo um café, mas a água nunca molhava o centro do pó. Não sei bem o porquê, mas isso me deixou meio impressionado por uns dias e achei que podia virar uma HQ. A etapa seguinte foi encontrar um fecho narrativo, já que no meu sonho eu devo estar tentando chegar no  meio do pó do café até agora.

Em seguida, mandei um roteiro mui solto pro Zé:

Quadro 1: um cara com balão de fala: “Sonhei que eu passava um café”

Daqui pra diante, um processo pormenorizado de passar café com coador. Pode ser qual

coador você quiser, mas tem de ser um coador com apoio e não aqueles que é preciso

segurar. Penso nuns planos de cima.

“Mas a água nunca molhava todo o pó.”

é muito importante que a água dance pelo coador e parte do pó no centro do coador

continue seca.

Siga com essa dinâmica de passar café o quanto quiser.

Última Página: volta pro mesmo cara do quadro 1 ele está trás de um balcão e vai servir

um café prum cliente sentado diante dele. Essa operação de encher a xícara e entregá-la

ao cliente pode ser como você quiser.

PENÚLTIMO QUADRO: Cliente com o café na mão, antes de beber, pergunta “E como

termina o sonho?”

ÚLTIMO QUADRO: homem do balcão responde: “Não termina.”

E depois, por email, mudei o final com uma ideia da Van, que surgiu quando falávamos da HQ durante (adivinhe) o café:

No último quadro, teria o cara passando um café enquanto fala, o que vai dar uma ambiguidade sobre ser sonho ou não.

E o Zé ainda complementou:

Eu tive uma ideia complementar, não mostrar o cliente, o balão fica meio do nada, o copo aparece no balcão, tem o balão sem domo perguntando como termina e no final o copo não está mais lá e ele coa o fala falando não termina.

O Zé desenhou, postamos em trocentas redes sociais e agora tá aqui. Ah, ela existe em inglês também.

Porra, tanto papo que esfriou o café.

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