Monthly Archives: Janeiro 2011

Realidades paralelas

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uma coisa que eu gosto são histórias de realidades paralelas. aquelas histórias que respondem o que aconteceria se o Viola tivesse entrada no tempo normal da final contra a Itália, o que aconteceria se o Hitler usasse cavanhaque em vez de bigodinho e se o Curt Kobain tivesse ido estudar no lugar de cheirar cocaína suficiente pra matar um pônei.

esse é um recurso bastante habitual nos quadrinhos americanos. O que aconteceria se o foguete do Superman tivesse caído na URSS? o que aconteceria se Ben Parker não tivesse sido assassinado? e por aí vai…

às vezes eu penso o que teria acontecido se eu tivesse passado no primeiro vestibular e não no segundo. ou se eu não quisesse ver A viagem de Chihiro. ou se, sei lá, não tivesse visto Tarantino na adolescência.

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acho que é por isso que eu curto tanto versões de músicas.

é como se em um universo paralelo aquela banda que eu gosto tanto não existisse, mas aquela música precisasse ter mundo. e às vezes, a realidade paralela é um puta escape e um lugar gentil.

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Jornal velho II

procurando uma imagem pra ilustrar a postagem de quinta-feira, encontrei tanta charges brilhantes do Angeli, que elas mereciam uma postagem própria.

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Eu li Como desaparecer completamente

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Eu acredito em contexto.

Eu acredito em situação propícia.

E eu acredito em criar clima.

O livro é Como desparecer completamente, nome de música do Radiohead, trilha sonora do seriado Lielson – pra que tudo isso?

Começou com boa vontade o que é bastante propício a ler um livro. Ler o livro em uma viagem a São Paulo e, principalmente, no Terminal rodoviário Tietê é criar o clima adequado.

O escritor André de Leones, autor de Como desaparecer completamente, conseguiu.

(daqui pra frente, é tudo um monte de acho de alguém que se pensa um leitor especialista)

O título é fiel à trama. Diversos personagens, que até nem querem, mas nem se importam tanto assim, estão prestes a desaparecer em São Paulo. Não há aqui enredos mágicos; só pessoas com dificuldades de pessoas.

Relações ásperas e embrutecidas, de personagens que acidentalmente desaparecem num canto (pra, claro, aparecer em outro), mediadas pelo sexo, que iconizam relações mecanizadas e automatizadas, feitas quase por tradição, por que é assim.

Esse contato entre os personagens, que não conseguem se relacionar, desaparecendo dentro deles, e eles dentro da própria cidade, é genial. Nomes de locais de São Paulo e da cidade natal (Silvânia) de De leones surgem na narrativa nomeando personagens, ligando espaço dos corpos, espaço urbano e espaço psicológico.

Já fica claro que eu (ou melhor, De Leones) fala de desfragmentação, de pessoas aos pedaços, de relações quebra-cabeça. E aqui há algo que me satisfaz lendo um livro: a forma e o conteúdo dão um beijo na boca.

Além dos capítulos curtos e rápidos, Como desaparecer completamente usa formas fragmentadas e aos pedaços: e-mail e roteiro de cinema, por exemplo. Excertos que fazem sentido naquele ponto e ajudam a voz narrativa a dizer sobre aqueles personagens. E há muito mais nesse livro de ritmo rápido e fluente, e de impacto forte e duradouro.

e eua li, no Tietê, passando por isso. e depois eu, dentro de um ônibus em Curitiba, fechando a última capa do livro.

As histórias dos personagens se cruzam, mas eles não se encontram. Os personagens desaparecem completa e absolutamente. 

E são encontrados, apenas, na minha lembrança de leitor.

Eis o trailer do livro:

E aqui um programa Entrelinhas com o André:


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Jornal velho

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dizem que jornal de ontem já não vale de nada. eu, em protesto, apresento o texto da coluna de Marcelo Coelho para a Ilustrada de ontem.

o tema da ética nacional me interessa particularmente e, embora não pareça pelo início, é disso que o texto trata.

MARCELO COELHO 

Corrompa ou obedeça 


Inspeção veicular, tomadas de três pontas ou nova ortografia: o Estado sempre inventa das suas


VAI TERMINANDO janeiro e, se você for como eu, já está se preocupando com o que deixou de fazer neste ano. Em especial em matéria de burocracia automotiva: IPVA, multas, licenciamentos e revisões. Digo isso porque, até agora, nada fiz no tocante à inspeção veicular do meu velho Astra, já veterano nessa espécie de Enem sobre quatro rodas.
Procurar novamente no mapa o lugar (inexistente, inacessível) onde há “agendamento disponível” para “efetuar” o “controle do meu veículo”? Como assim? Já não fiz isso no ano passado? Ou melhor, não fiz isso há coisa de um ou dois meses, nada mais?
Sim, responde, grave, a voz da consciência. Fizeste a inspeção em dezembro, porque consentiste com meses e meses de atraso descomunal. Viraste o ano, renasce o teu desleixo. Janeiro já faz a conta dos teus pecados.
Eis, entretanto, a boa notícia. Surgem na cidade mecânicas especializadas na inspeção veicular. Ou seja, previnem surpresas desagradáveis na hora da medição das emissões do seu veículo. Fazem mais: agendam a inspeção, levam o carro, devolvem-no perfeito e aprovado.
Não duvido da existência de profissionais honestos nessa nova área de atividade, como os há nas auto-escolas, nos exames psicotécnicos e em coisas do gênero.
Disseram-me, entretanto, que muitas oficinas sabem o truque para passar na inspeção. Desregulam o carro antes de levá-lo aos técnicos da Controlar, que aprovam tudo, e depois o cliente recebe o carro com a desregulagem desfeita, isto é, poluindo tanto quanto devia desde o início.
Muito trabalhoso e inverossímil, penso eu, quando, num bom sistema de agendamento terceirizado, a burla poderá ser feita de comum acordo entre a oficina e algum técnico mais camarada.
Honestas ou não, vejo que pipocam oficinas na própria vizinhança dos estabelecimentos de controle. Vejo também que, com isso, surgem dois tipos de cidadãos.
O primeiro tipo é aquele que entra de cara amarrada na inspeção, pronto a liderar algum movimento contra o sistema. Depois de dez minutos no máximo, recebe o laudo: foi aprovado.
Pude ver, esperando na fila, o sorriso de felicidade desse cidadão; sente-se limpo, cumpriu sua parte, não terá nova chatice antes do ano que vem, seu problema pessoal foi resolvido -e o escândalo, se escândalo havia, já não é mais da sua conta.
O segundo tipo de cidadão é aquele que já recorre direto à oficina especializada e não se incomoda se estiver acontecendo alguma coisa errada por baixo do pano.
Por mais opostos que pareçam, os dois se complementam. Quem paga propina está na verdade se vingando de um Estado que impôs, certamente com fins arrecadatórios, uma fiscalização nova, uma exigência a mais sobre os cidadãos.
Já tentaram tornar obrigatório o estojo de primeiros socorros, como o seguro contra terceiros, a cadeirinha das crianças, e não esqueçamos do próprio pedágio… O cidadão corrompe no varejo em reação ao que vê como corrupção no atacado -as grandes licitações e negociatas para impor legislações desse tipo.
Por sua vez, o sujeito que não paga propina e sai feliz com seu pequeno certificado de plástico padece de mentalidade parecida. Os assuntos públicos não lhe dizem respeito se consegue safar-se deles.
Nos dois casos, o Estado surge como uma entidade alienada, estrangeira, que não está sob nosso controle nem nasceu de nós.
Há outros exemplos disso: a nova tomada de três pontas, que ninguém sabe como foi imposta, e que temos agora de adotar ou de adaptar, para lucro de quem inventou a nova moda. E a nova ortografia, que, uma vez em vigor, todo cidadão de bem se preocupou em obedecer, gastando mais dinheiro e tempo em aprendê-la do que em protestar contra sua criação.
Quase 200 anos depois da Independência, ainda temos do Estado uma visão colonial. Trata-se de uma entidade arrecadatória, nascida de algum reino estrangeiro que inventa novas coisas para nos infernizar e que cumpre enganar do mesmo modo com que nos tapeia.
A corrosão ética da coisa toda nasce, a rigor, da política, e não o contrário: por se tratar de uma cidadania imperfeita, de um autoritarismo latente, de uma democracia sem participação e de um Estado, afinal, sem dono, mas com muitos gerentes e coronéis, é que corromper ou obedecer são as saídas que conhecemos. Não adianta reclamar depois.

coelhofsp@uol.com.br 

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Eu tenho medo…

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talvez a Regina mais que eu. mas eu tenho medo.

hoje, o Corinthians faz um vestibular pra saber se tem o nível necessário pra jogar a Libertadores da América (a menina ruiva de todo corinthiano).

serão duas provas: uma de ataque (em casa) e outra de defesa (fora). se não passar nessa hoje, a segunda parte da prova passa a ser de ataque também.

o Corinthians começou a se preparar pra esse teste no ano passado, quando podia ter tido nota suficiente pra entrar direto na escola de grupos – em vez de comer sanduíche de pasta de amendoim, agora tem de se virar.

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e a despreparação planejada refletida nos péssimos jogos deste ano deixa a torcida na expectativa pelo pior. sempre pelo pior.

mas com isso tudo eu sei lidar. o Timão já passou uma fila de 23 anos, foi ganhar um Brasileiro só em 1990 (ah!), já foi pra segundona (vergonha eterna). tô acostumado a torcer além da lógica.

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pra que o o time faça o que ainda não fez e nem deu mostras que fará.

E torcer que a RPC não passe campeonato paranaense e me deixe vendo o jogo no Lance a lance da uol.

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Neve até o pescoço e abstinência de vodka

copiando a ideia do blogue do André de Leones, jogo aqui uma citação de Liév Tolstóy, na tradução de Tatiana Belinky.

qualquer relação com Memórias póstumas de Brás Cubas fica por sua conta. Nikita sobreviveu a uma noite de nevasca. Anteriormente, por conta de sua bebedeira, sua mulher o havia trocado por outro marido.

feita a introdução, Tolstóy:

“Nikita acabou morrendo em casa, como desejava, sob as imagens dos santos e com uma vela de cera acesa na mão. Antes de morrer, pediu perdão à sua velha e, por sua vez, a perdoou, pelo toneleiro. Despediu-se também do filho e dos netinhos, e morreu sinceramente feliz porque, com sua morte, livrava o filho e a nora do fardo de uma boca a mais e porque, ele mesmo, já passava desta vida da qual estava farto para aquela outra vida, que, a cada ano e hora, se lhe tornava mais compreensível e sedutora.

Estava ele melhor ou pior lá, onde acordou, depois desta morte verdadeira? Terá ficado desapontado, ou encontrou aquilo que esperava? Todos nós o saberemos, em breve.”

Senhor e servo, in A morte de Iván Ilitch (Editora Paulicéia, 1991), páginas 66-67.

 

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Eu vi Scott Pilgrim contra o mundo

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e gostei.

já que parece inevitável falar disso, vamos à relação HQ Vs filme. (Scott Pilgrim é originalmente uma HQ)

eu fiz um mestrado defendendo que não importa a fidelidade ao original, mas sim a qualidade da nova obra em seu próprio meio, com relações de “espírito” entre elas.

é bem mais importante ser um bom filme, que o filme muito parecido com o gibi.

e Scott Pilgrim contra o mundo é muito divertido e se sai bem como comédia romântica de aventura, pra a geração que viveu os videogames.

o filme – inacessível ao meu pai – é viver em um videogame e concretizar metáforas: garota do seus sonhos, lutar por essa garota e superar os relacionamentos anteriores.

quando eu comprei a graphic novel, eu pensei: essa história não vai dar certo. a junção de elementos é tão absurda e improvável, e ao mesmo tempo, tão óbvia, que consegue ser muito boa. Comprei também o segundo volume e aguardo pelo terceiro. A versão gringa saiu em seis volumes; por aqui, a Quadrinhos na Cia. os compilou de dois em dois.

(até levei meu gibi pra Londres na metade do ano passado, o autor autografaria o lançamento da sexta e última edição por lá – mas não fui pegar meu rabisco).

metade do ano passado? peraí: se o filme saiu lá fora no segundo semestre de 2010, somando o tempo de produção, quer dizer que o final da HQ só foi feito depois do filme ter começado.

isso aí! e o autor do gibi aproveitou umas ideias do roteiro do filme pra fechar a história. e a relação entre os dois meios vai bem além disso.

o uso dos ícones é muito importante na HQ. pra manter esse clima, o filme aposta em onomatopeias visuais.

vale gastar um pouco de fósforo nisto, mas ainda não o fiz: o corte a transição de cena do filme (muito rápidas) tem muito a ver com a noção de corte de quadro na HQ.

mas deixando o formal de lado, a Ramona Flowers de Lee O’Malley é, pedantemente falando, uma Helena de Troia moderna e em pixels. representa um objeto de desejo, possível de ser conquistado e que vale uma guerra.

mais sobre a Ramona no blogue do Túlio.e aqui o som da banda do Scott Pilgrim.

eis uma animação pra ser vista antes do filme – mas pode ser agora mesmo:


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Para ler no final de semana

Blogue de tiras francês deveras divertido, sobre Luc Lemploy, do quadrinista François S.

Emploi, se traduzido do francês, é “emprego, trabalho”. Com a graça do artigo definido em francês Le se contrair em um singelo L’ o nome do personagem evoca também L’ employé, ou seja, “o empregado”.

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E todas as tiras (páginas) são sobre conseguir trabalho, entrevistas de emprego, entregar currículo,etc. E o mais estranho: são ótimas e não se parecem com Dilbert ou The Office!

A única exigência é ler em francês.

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Reflexão pela faca

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eu cortei minha mão com faca ontem. até que foi bom.

não sou alinhado a Sacher-Masoch ou genéricos. mas você vai entender.

eu amanheci com muita dor de cabeça.

tanto que pensei num tempo em que essa era minha colheita do dia. a cabeça que doía.

doía tanto que pensei naquela época que a dor de cabeça era um jornal matutino.

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ela doía tanto, que eu até já considerava essa a vida. ela doía tanto que era assim meu dia.

restou aceitar.

e me adaptei.

pessoas têm filhos, pessoas pescam, pessoas têm dores de cabeça diárias.

sempre nos adaptamos.

vive-se em qualquer parte de globo, supera-se a corrida evolutiva. adapta-se ao ambiente. acostuma-se.

como eu tinha me acostumado com a cabeça em combate contra mim, acostuma-se a sempre pedir a mesma pizza no mesmo lugar, a trepar nos dias certos, a beber pra se acalmar.

como acostuma-se a trabalhar sem viver.

como acostuma-se a acordar sem a maravilha da novidade deitada a seu lado.

acostuma-se com cansaço, com desgosto.

acostuma-se. habitua-se. adapta-se.

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mas minha mão ainda dói e me incomoda.

e isso é bom.

 

 

 

 

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Só pra não passar em branco…

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