Category Archives: Futebolas

Mais novidades

como foi um dos premiados no concurso Brazil Manga Awards, a revista especializada em cultura pop japonesa Neo Tokyo entrevistou nóis tudo, incluindo o Francis e eu. destilo meia dúzia de palavras na edição 98 da revista.

capa café virtual

além disso, saiu uma HQ virtual (também arte do Francis) que é uma versão ao conto que publicamos na Café Espacial 12.

ó ela aqui (clique sem dó).

e, claro, tem sempre um texto ou outro lá no Pelé Calado, sobre a Copa.

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Saiu ontem, saiu hoje

ontem, fiz o textinho semanal pra Pelé Calado sobre a relação das lágrimas com o desempenho futeboleiro.

hoje, foi pra Vaca Voadora um ~remix~ que fiz de Little Nemo de Winsor McCay pra minha série São Paulo S/A. a página original de WInsor McCay é esta, as onomatopeias vieram de algum painel de Akira, o texto de um dos personagens veio DAS RUAS e o outro texto é minha memória obnubilada do título do quadro de Goya: o sonho da razão produz monstros; em lielsoniano virou o Pesadelo da razão reticências.

né?

agradecemos (eu e mais o pelotão de reflexos de mim mesmo que me habitam) a audiência. se não audiençar, fazer-o-quê-é-a-vida e tal.

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Tem alguma coisa rolando: Pelé Calado

Pelé, entrando pro time ruralista, com Kátia Abreu (se não entendeu, reserve 5 minutos de Google, é importante)

estou lá, falando um pouco de futebol e de seus arredores, num blog  cujo nome homenageia aquele jogador que tem muita opinião pra dar, mas quase nunca a gente concorda. e esse é o símbolo do nosso futebol. alienando a questão social e política, sobra um baita jogador. mas não dá pra alienar, né?

eu não acho que eu preciso concordar com a Copa pra falar dela (e não concordo, mas a cornetagem ainda é livre). gosto muito do esporte, embora tenha pensado nos últimos tempos se o futebol vale o risco social que traz. e se é com dúvida que se escreve, acho que faço o que posso.

o time de Pelé Calado é André de Leones, Flavio Izhaki, Túlio Bragança e eu.

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A arte de sofrer

é lindo ver um time ser campeão nos pênaltis. e ser campeão nos pênaltis com bola na trave na prorrogação, com gol marcado aos 42 do segundo tempo. com atacante do Olimpia optando por escorregar em vez de empurrar pro gol e se abraçar com a taça. com um primeiro tempo em que parecia que tinha ido o boi com a corda. isso depois de uma semifinal decidida nos pênaltis também. e empatada aos 49 do segundo tempo. vinda de umas quartas de final em que formalizou sua vaga com um penalty defendido também depois dos 40 do segundo tempo. é lindo porque avacalha com a lógica. avacalha com mérito.

é lindo porque faz reluzir a mais bela essência do futebol: o acaso.

(sem falar que o grito “eu acredito” é uma coisa, hein?)

e tudo isso flui para o Atlético mineiro através de seu treinador, Cuca, aquele em desespero búdico.

não tenho forças pra me posicionar contra um homem que ama tanto o sofrimento (um metido a erudito usaria aqui ‘Werther dos Pampas’, mas deixa passar). cada bola perdida lhe dói como um dente que se vai boca abaixo, cada gol que o deixava perto do título era como um novo amor da vida.

no contexto brasileiro da viuvez do futebol-arte de domínio absoluto e numa época de futebol asséptico, ver um cara que se joga na lama e sabe aproveitar a carga negativa da vida é de encher de lágrimas. Cuca representa um futebol-difícil. jogado pra frente, que busca o gol, com variações táticas, mas que precisa sofrer. e não tem nada de fingir que vai tudo bem. na cara dele está lá, o brilho franco da dor.

o jogador que pode encontrar num Tite uma certa confiança tensa, em Cuca não tem um pai que dirá “está-tudo-bem-,-perdemos-a-vida-segue-etc”. ele não vai conseguir falar. ele vai abraçar o jogador e chorar junto. o jogador tem em Cuca um igual, não um superior.

ele não posa. é o ponto oposto de um falso modesto Luxemburgo que fugia de campo pra deixar seus jogadores comemorarem. Cuca sabe que não ganhou sozinho, mas sabe que teve importância. quando entrevistado, ele não posa, ele tenta se controlar, mas ele não é assim.

 

 

Cuca é um descontrolado, graças a Deus (ele ia preferir Nossa Senhora). seu descontrole é pacífico e necessário pruma sociedade que tende a estabilidade e a coxinharia gourmet.E foi nós, os “controlados”, quem lhe fizemos dano: tiramos a esperança de um ser humano, quando condenamos Cuca como aziago, com pena de ser sempre conhecido por sua capacidade tática e inteligência na montagem dos times e nunca ganhar nada.

não há saída lógica: você sempre vai perder no final, não importa o que faça antes. mas Cuca é um descontrolado. ele se magoa, fica triste, se desespera, e mataria seu professor de lógica para ser absolvido invocaria a mais legítima das defesas, a legítima. e Cucagenstein fez dessa Libertadores 2013 seu Tractatus Sofrelogicus (e o metido a erudito aparece aqui).

se eu acredito na beleza da falta de lógica do futebol (e eu acredito), eu só posso pedir perdão a Cuca e pensar que azarados são todos os outros que não sofreram tanto pra ganhar uma Libertadores.

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