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Sobre não ser esquecido

Que nem lego:

até o Vasco tem mais gols que este blog postagens. feio, feio.

a última vez que escrevi aqui nem tinha tatuada uma frase do Ulysses no braço. pois é.

a última vez que escrevi aqui, se bem me lembro, nem tinha lido Vonnegut ainda. pois é.

mas então: coisa velha – direito ao esquecimento foi promulgado por uma corte europeia e obriga o Google a apagar os registros de uma pessoa e destruir, assim, a rede que a liga a outras pessoas, a instituições, a vexames e a glórias.

o nome pomposo promete muito mais Kafka (Beckett? Borges?) do que entrega, mas ser esquecido é um golpe histórico que esfaqueia o rim de cada um de nós. talvez, sei lá, Shakespeare e Einstein e uns outros tantos nunca sejam esquecidos, mas bote fé que tem um monte de caras legais da história que a gente não lembra porque… bem, porque esqueceu (ver Oswald de Andrade e seu retorno graças a Pignatari e os Campos; ver Tom Zé e David Byrne). pois é.

ser ignorado parece difícil pra nós, macaquinhos dominantes (pra mim, é). ser esquecido é não ser conhecido, é não ser considerado, é não entrar na conta. e isso é pra todos nós, mas não é pra qualquer um.

o impacto do dia fica com o norte-americano que queria ser lembrado e por isso abraçou a memória-zero. cansado de ~não existir~, Williams mandou uns emails marotos, falou de sua obra desconhecida e pulou dum prédio no Japão. pois é.

tô eu aqui falando dele.

matéria a ser lida aqui ó, no Público. E aqui pra quem preferir o texto em inglês.

uns querendo apagar as pegadas digitais e outros tentando sair da vida pra entrar pra história.

pois é.

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