Monthly Archives: Dezembro 2009

Ouvindo… toques?

 

 

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– Doutor, tô com um problema no ouvido, fico ouvindo um barulho estranho, constante, mas pouco intenso.

– hmmm… o que ouve é regular? Digo, escuta o tempo todo, sem interrupção?

– me parece que sim, nesse momento tá aqui, me acompanhando: tec-tectec-tec… e continua…

– a-rã… preste atenção no seguinte: você ouve enquanto eu falo?

– fale alguma coisa aí, doutor…

– bem, é que tive um paciente com um caso semelhante ao seu, mas no caso dele, descobrimos qual era o som que ouvia e…

– não.

– como não? Eu sei do que eu tô falando!

– não, eu não ouço enquanto você fala…

-ah, certo! procure descobrir qual som é…

– por que você não me diz logo?

– porque não quero influenciá-lo. Volte aqui amanhã no mesmo horário. Até lá, tente descobrir qual som é esse.

– tá bom… até amanhã, doutor!

– adeus!

(…)

– buenas, doutor. Eu descobri.

– olá, tudo bem? O que você descobriu?

– o barulho que eu ouço; o tal téc-téc-tectec!

– ah, sim! e o que você que é?

– eu ouço um teclado!

– teclado como no The Doors? Tã-tatataã-tarãraãaaaaa…

– não, não, teclado de computador!

– então, é isso: estamos diante do mesmo caso. Você não é o primeiro que atendo com isso. chama-se síndrome de Morrison.

– Tipo…

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– não, não. O outro… mas isso não é importante. Eu tive um paciente que ouvia o som de máquina de escrever

 

 

 – E outro que ouvia do som da pena riscando o papel, mas esse já tinha um caso clínico anterior

 

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– que estranho, doutor. Isso é grave?

– é irreversível e decisivo, mas não chega a ser grave. Só se mal conduzido.

– mas o que é exatamente que essa síndrome de Morrison causa?

– certo: vamos com calma. Quando alguém usa um teclado ou uma máquina de escrever?

– quando escreve.

– certo! e quando você ouve um desses…

– alguém está escrevendo.

– certo de novo! se só você ouve e somente enquanto fala…

– alguém está escrevendo minhas falas!

– isso aí! E se alguém escreve suas falas, isso significa que você é um personagem de ficção.

– nãããããããããããooooooooooooooooooooooo

– acalme-se, isso é ótimo. Agora você sabe que não é culpado de coisa alguma. Todas as suas cagadas, ops, erros e quívocos foram criadas por alguém.

-…

– se bem que todos os seus méritos também…

 

 

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A bolsa de maria estourou?

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Papai Noel existe. À modinha de Mario de Andrade, fundo o manifesto provocativo, cuja a função é contestar o rodriguiano óbvio que ulula(lá),  e o encerro nesse ponto final.

Aliás, Papai Noel existia. vou te contar o que se passou – só lembrei desse história depois que vi:

O dia era 23 de dezembro e levantei pra tomar água. eu morava em Francisco Beltrão ainda. era umas 3 da manhã. na verdade, eu não sei dizer, porque eu não tinha relógio na época.

percebi que Bob e Lucy (os felinos) não dormiam em seu cobertor azul, mas e daí? os gatos são animais existencialistas! ao entrar na cozinha, ele tava lá, coçando a barba:

– entra aí, moleque. calor da porra nesse Brasil, hein? caralho…

– papai Noel?

– papai, não! vai ver se tenho filho que nem você. francamente.

enquanto falava, ele girava a toca na mão e bebia em uma caneca. 

– o que tu faz aqui? perguntei, enquanto ele tirava o casaco. por baixo ele usava uma camisa da seleção do Sápmi.

– então, pensei em adiantar um pouco do serviço e já entregar, mas daí olhei pra vodka, ela olhou pra mim, sabe como é… eu entendi porque ele tem a cara tão redonda. ele continuou:

– sabe, os sindicatos místicos são muito complicados: pedi pra sair. tô cansado. me ofereceram vaga de espírito de natal! falei: justo eu que sou tão cético, virar um espírito, é demais, né? acabou que não vou nem fazer esse natal. acabou papai noel. sou só Noel agora. tava pensando em virar compositor. Noel Rubro, sacou?

eu não saquei. na época não. ele se levantou, pôs a luva e bateu no meu ombro:

– falou, guri.

– feliz natal, Noel. 

 

soube, anos mais tarde que o Noel trabalha em programas infantis, respondendo cartas e e-mails do público. sei lá se é verdade.

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Elementos da teoria da comunicação: o ruído

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é por causa dele, o Sr. Ruído, que na casa da comunicação tomam-se largos goles de redundância. dá pra pensar numa oposição entre a redundância e o ruído.

o ruído é um estrangeiro: vêm de fora, tratando de outros temas, puxando outros assuntos, fazendo um delicado estardalhaço, jogando tintas, batendo portas.

não é a primeira vez que falo sobre esses malditos: o som do ruído/mm me põe num intervalo, em queemudeço. eu ouço eles, e ali na frente do palco, a redundância da rotina perde pra aqueles sons, barulhos e algo que jé me faz perder os vocábulos entre as camadas de guitarra e as afinações fantasmagóricas – aqueles pedais prendem almas, eu sei.

que bom que a Van conseguiu achar um léxico pra pôr voz em cima daquele instrumental. ela escreveu 3 (?) histórias a parir de 3 canções desses 3 vezes devaneadores. ela pôs ruído verbal no meio de uma beleza instrumental. e ouvi dizer que isso é só o começo de outras interferências.

os textos estão no site da Mojo Books. Mas o tio facilita a leitura de vocês, com links diretos – basta clicar no leia – e as músicas correspondentes:

Novíssima

Stravinsky sky

A praia

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Eles estão chegando!

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eu sempre curti histórias de teorias da conspiração, dominação mundial e aquele lance da Terra Oca. e vi seriados, filmes, li livros e quadrinhos. a té tirrei sarro d eum amigo que dizia se cagar do filme Scanners.

mas quando eu descubro que luzes estranhas em formatos simétricos e tomados deram um showzinho na Noruega, eu fico com o cu na mão e agradeço que eles não estejam na Copa.

Os cientistas, sem palpites comprovados em laboratório ainda, chutam barbaridades como lançamentos de mísseis; ufólogos pululam e batem palmas; fervorosos na fé podem pensar num warm up do arrebatamento; alguém vai dizer que é um balão metereológico; eu queria que fossem só uns adolescentes sem noção com novos aps para seus Iphones. mas acho que não é.

eu sei, e só isso que sei, que isso me dá arrepios. vou por mais um cobertor na cama, pra eu poder me cobrir bem durante a noite. e sonhar, que nem quando era criança, que um vampiro senta na cama, perto dos meus pés e fica esperando em tirar a cabeça pra fora das cobertas pra me atacar.

ou seriam alienígenas? demônios? seres de luz?

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os melhores do ano

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chegamos em dezembro.

na mesma geladeira, com a lista de compras, dá pra pendurar a lista de melhores do ano.

como muita gente vai fazer isso, pensei em fazer uma lista dos piores momentos do ano – isso seria inusitado e particular. até o brasileirão tá acabando – esse campeonato é tão longo, que nunca acho que elevai conseguir acabar.

percebi que o ruim me deixa uma sensação mas não um fato concreto de lembrança. por issso, em vez de fazer qualquer lista, sugiro que leiam os quadrinhos Umbigo sem fundo e Retalhos e que vão em um show do Radiohead e que se divirtam com isso:

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