Tag Archives: Savages

Primavera Sound 2013 – Barcelona – dia 1 (continua)

Os caras da organização recomendaram, mas nós não demos bola: “cheguem mais cedo pra trocar as entradas pelas pulseirinhas”.

Savages, em foto da UOL (nenhuma foto que eu tirei prestou : ()

pegamos uma fila pantagruélica, porém sem classe média sofrendo. a fila andou rapidamente se comparada com sua pantagruelice. porém, quando chegamos, as Savages já tocavam há 15 minutos. e como queríamos muito ver o Tame Impala, saímos antes do fim deste show pra ver os australianos psicodélicos.

a impressão das 4 músicas que ouvimos do Savages foi boa. foi pra lista de “ver um dia direito”.

o Tame Impala foi tão massa quanto queríamos, inclusive com o vocalista descalço (Bicho-grilo?) (aliás, faltou um gramadão pra sentar e uns animais coloridos pra correrem por ali, mas não se pode ter tudo na vida).

nunca tínhamos ido um show na gringolândia antes e até esse momento as coisas sobre organização, qualidade do som e respeito dos funcionários faziam muito sentido e tudo no Brasil parecia ser pior. e também era a primeira vez que pegávamos um festival de corre-corre pra chegar num palco a tempo. é legal, mas é uma merda. não tem que esperar muito pra ver as bandas em ação, por outro lado, causa uma neurose de compromisso e perda de parte de alguns shows.

do ponto de vista da base da pirâmide de Maslow, em Barcelona, se fosse feita a conversão de merkels pra dilmas, os preços de comida eram os mesmos dos festivais brasileiros. ou seja, aqui é caro bagaraio. lá o que era preço de puteiro era a cerveja: 11 merkels por 1 copo de 1 litro. e era Heineken (nada contra, mas heineken eu tomo em qualquer boteco daqui ou de lá).

Tame Impala, foto da Noize

voltando ao Tame Impala, os caras mandaram todas aquelas músicas que você queria ouvir dos discos deles. aquele som hipnótico com o crepúsculo vindo (anoitece lá pelas 21h30 nessa época) me deram a impressão que todo o Tame Impala é uma música só, mas não no mal sentido da coisa. belo show, que trouxe o arrependimento de não ter ido ver os caras no Cine Joia aqui em São Paulo.

em seguida fomos ao Dinosaur Jr.

Dinosaur Jr, foto do Deep Beep

a melhor definição em português pro show dos caras é vaitomarnocuputamerdaquetesãopacaraleo.

ou algo por aí. sentamos lá no fundo no gramadão pra ver qualé. eu saí transtornado. e transformado.

(explico: nunca curti o Dinosaur Jr antes. uma vez me emprestaram 3 discos pra ouvir: Galaxie 500, Dinosaur Jr e Dashboard Confessional – me tornei fã do Galaxie, odiei muito o Dashboard e não curti o Dinosaur Jr, mas me sentia envergonhado em dizer isso. não sei o porquê. mas sentia. passei anos tentando escutar os caras, vez por outra, sem aquilo fazer muito sentido das orelhas pra dentro, mas com algo a me dizer “aguarde e verá a verdade”. e a verdade veio a mim em forma de um show PODEROSO. foi quase nível Mogwai. as distorções, os barulhos, os cabelos brancos balançando, de repente, tudo aquilo encaixou e meu mundo ganhou Dinosaur Jr. obrigado, caras.)

acho difícil falar sobre um show que te toca fundo (ui!). é pra estar lá e ouvir.

meio extasiado, nos entregamos aos prazeres da vodca Finlandia. afinal, primavera de cu é rola.

(dizem os jornalistas que foi a PRIMEIRA VEZ que fez frio no PS de Barcelona – valeu roteirista da minha vida).

em seguida, uma tortuosa escolha: Bob Mould, The Bots, Postal Service ou Deehunter se acotovelando no mesmo horário. fomos no último.

não conhecíamos, mas liberamos os indies dentro de nós e fomos naquele espírito desbravador de bandas.

(eu sei que os caras já estão por aí faz um tempão, mas eu nunca tinha ouvido)

Deerhunter, foto da UOL (quase joguei um sanduíche que tinha na mochila pra ele)

a apresentação foi ótima. mais uma banda que reforça o retorno aos anos 1980 de modo saudável (tipo as Savages). o cara MAIS MAGRO DO MUNDO e vocalista da banda, Bradford Cox, entrou de vestido e maquiado, já angariando alguns pontos por bizarria.

depois desse pegamos a última pontinha da última música do The Bots e fomos de volta ao gramadão, esperar o Grizzly Bear.

estávamos SANGUE DOCE (como diria meu pai) com esse show, porque tínhamos visto eles tocarem poucos meses antes aqui em SP. aí o frio da Primavera (sic) agiu com mão pesada. corremos do gramado pralgum lugar menos ventoso no meio do show e fomos lá pro palco do Phoenix – que era láááá do outro lado.

Phoenix, foto de Paula Rúpolo, para o Música Pavê

tô aqui pensando quando coloco pra baixar o Animal Collective se eu posso falar mal do show do Phoenix.

assim, não foi ruim, mas foi maquiadão. tipo te prometem Fanta e te dão Q-suco. me lembrou o show do Killers que vi em Curitiba. muy animadão, vocalista que corre, pra lá e pra cá, telão que explode em cores, mas tudo tão ensaiado, tão planejadinho (“na música 4 eu corro pra direita e pulo”) que me lembrou uma versão indie do Iron Maiden.

claro, os fãs piraram e tal e eu tava ainda na ressaca do Dino Piá, mas o Fênix não entrou no coraçãozinho, diferente das Selvagens ou do Urso Pardacento.

queríamos muito ver o Animal Collective (outra banda que desconheço por completo), mas as duplas frio e eu de bermuda, 6 horas de show e visita ao museu do Tapiés nos bandaram pro ônibus noturno, que parava lá do ladinho do Hostel. aliás, que coisa linda ônibus noturnos a cada 20 minutos, hein?

meio que isso fechou o primeiro dia. e ainda tinha mais dois.

2 comentários

Filed under Música, Viagem