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Lido: Graça Infinita

Terminei faz umas 2 semanas a leitura do megabitelão Graça Infinita (tudo bonitinho na proposta de ler menos livros em 2016) e já que levei tanto tempo pra ler, decidi me dar tempo pra pensar nele antes de escrever. Primeira regra sobre o clube de leitura do Graça Infinita: o livro é muito foda, não importa o quanto eu dê a entender/você queira entender o contrário disso no texto a seguir.

Acho injusto num grau paradoxal o comentário de que um livro/filme deveria ter páginas/minutos a menos. Eu só posso concluir alguma coisa a partir da leitura daquela obra como ela se apresenta (a menos que faça resenha de material que se leu pela metade). Se a obra tivesse menos de si, não há garantia nenhuma que minha impressão seria igual a de agora, mas mais feliz porque gastei menos tempo. Isso é simulação de dança imaginária projetado numa parede torta. Enfim.

O livro não me puxa o tempo todo, com momentos que acho bastante desinteressantes, como descrições de espaços físicos ou a conversa entre os agentes duplos Canadá-EUA. Entretanto, esses momentos lesos de certa forma engatilham a força dos outros que gosto muito, como toda a parte do AA ou do cara hospitalizado. Mas eu gostar ou não é problema meu, o que é inalienável é como tudo que está no livro se encaixa no projeto de David Foster Wallace pra bagaça.

Na minha leitura, a chave de tudo aqui é excesso, é disso que livro trata e é disso que o livro se constrói: há excesso de personagens, de subtramas, de páginas, de descrições, de repetições, de vozes narrativas, de listas, há excesso de uso de drogas por diversos personagens, há excesso de controle e de descontrole, de lances de sorte, há excesso de ideias, há excesso de notas de rodapé, há excesso de consumo – e aqui chegamos no nervo da coisa.

Vários dos excessos que vejo no livro se tratam de hiperconsumo e não há símbolo maior disso na obra do que o filme Graça Infinita, que as pessoas não conseguem parar de ver. Esse evento do livro trabalha num campo simbólico bem conhecidinho: mídias audiovisuais e consumo sem noção.

Outro apoio importante: o livro foi lançado nos EUA em 1996 e caiu no Brasil quase 20 anos depois. A tecnologia apontada como futuro no livro é bastante retrô, mas a chave de leitura “isso é uma obra dos anos 1990”, a década da depressão (não da Grande, mas das pequenas, que cabem entre suas botas e seu chapéu) é fundamental pra arrematar muita coisa na leitura.

Acho que uma resenha sobre uma obra excessiva deveria também se estender forçadamente, mas preferia me apoiar numa outra característica do texto do dfw: a sinceridade, que é onde acho que ele plantou a força motriz desse livro de excessos. E ser sincero, pra mim, é saber que tudo que posso falar sobre esse livro é isso que foi aqui.

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Tem alguma coisa rolando: Balbúrdia

Hoje pela manhã, Liber Paz, Paulo H Cecconi e eu começamos DE FATO um projeto nosso de pensar sobre quadrinhos. Passamos muito tempo discutindo sobre valor da crítica, implicações sociais, posição de voz, autoridade de status e de HQ, e não fazíamos nada.

Sempre comentávamos que o pessoal/particular (que acho bom) se misturava com um impressionismo irresponsável (o que acho ruim) e resolvemos tentar ocupar um espaço que enxergamos como vazio. A estreia é uma resenha do Liber sobre Sandman Overture. Semana que vem teremos Paulo e na outra ainda, eu.

O nome Balbúrdia surgiu de um equívoco. Num primeiro momento seria De Buenas, mas achamos que isso era muito susse hippie-maconheiro praquilo que queríamos. Comentamos que o Diego Gerlach é um mestre dos títulos brilhantes e resolvemos roubar um dele: nosso blog seria Alvoroço. Mas num papo desses alguém errou o nome e mandou um BALBÚRDIA. Foi paixão imediata.

Bem, pra ler o texto do Liber, vai aqui; pra ler nosso editorial, por aqui; pra ler o blog, AQUI. Amanhã devemos ter novidades por lá. Vem com a gente.

Ah, a arte que reproduzo aqui é o topo do blog e é do Pedro Cobiaco.

 

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