Tag Archives: Quadrinhos

Indicando uns quadrinhos pro Papo Zine

O Carlos Neto, do Papo Zine, me chamou pra falar uns quadrinhos que eu curto. Tá logo ali embaixo:

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Como foi a Bienal de Curitiba

Cartaz de Pochep

Cartaz de Pochep

o mais legal desses eventos são os encontros, tanto com pessoas que só conhecia das capas dos gibis, quanto velhos amigues. morei em Curitiba 11 anos, tive bons e maus momentos suficientes lá pra eu me apegar e até hoje um pedação do meu mapa afetivo é a ~cidade modelo~.

poderia ficar aqui delirando sobre amigos, encontros, amores, desintimidades, falta de tempo, dicas de lugares a ir e a não ir, mas prefiro falar um pouco das mesas de debate que participei na Bienal.

nas três que participei de mediador, li um texto de abertura que colo abaixo:

Quadrinhos silenciosos.

(mesa com André Ducci, Alexandre Lourenço, Rafael Sica, Troche e Lucas Varela)

Pensei por um bom tempo que o melhor pra essa mesa seria ficarmos todos calados, em silêncio. Algumas coisas me fizeram mudar de ideia: primeiro, John Cage já mostrou que o silêncio é uma tarefa impossível aqui onde há formas das ondas sonoras se propagarem; segundo porque não é hora de silenciar: foi golpe, sim e esse governo é ilegítimo; terceiro, porque teríamos a mesa mais chata da Bienal, já que todo mundo quer ouvir o que os autores têm a dizer e quarto, e principalmente, porque a ausência de palavras não quer dizer silêncio, basta olhar pra obra desses autores.

Ausência de palavra é silêncio?

Cadernos de viagem.

(mesa com Power Paola, Guilherme Caldas e André Caliman)

Aqui no aeroporto de um país que sofreu um golpe legalista e é regido por um impostor, tomo notas pra começo da mesa que vou mediar na Bienal. Gosto da escrita em trânsito, já consegui bons textos assim. Ter um caderno de notas à mão me parece alimentar a memória que só será memória lá na frente e que agora é experiência, é vida, é a minha vida. Um caderno de viagens é uma vivência pessoal que coloco num código compreensível para que possa ser entendido por outro, mesmo que eu sempre tenha achado que o outro seria só eu mesmo daqui um tempo.

Como tornar meu caderno de viagem relevante para alguém?

Quadrinhos e gênero.

(com Adão Iturusgarai, Laerte, Pochep e Maria Clara Carneiro)

O que aconteceu no Brasil se construiu e foi um golpe. Durante esse crime legalista, foi fácil perceber a diferença de tratamento para Temer e Dilma: ele golpista; ela vadia. Evidencia uma questão de gênero pesando sobre a política.

1) “Todos nascemos nus. O resto é drag”. – Ru Paul

2) “Em frente ao espelho, nus, temos as marcas do sexo, à elas vamos adicionando a
terminação de classe e as tais desinências de gênero (sem contar os sotaques
regionais, as desinências de tempo e de ocasião). E o nosso morfema-corpo
integrará diferentes sintaxes e comporá tantos discursos, que um software
poderoso de criação de personagens virtuais nunca conseguiria dar conta de
prever as infinitas possibilidades de ser gente nesse mundo.” – Maria Clara
Carneiro, quando foi receber um prêmio vestida de Laerte.

3) “O texto é tecido” – Roland Barthes

4) “Um galo sozinho não tece uma manhã” – João Cabral de Mello Neto

Montei esse texto com diferentes outros textos e acho que as falas daqui podemos juntos pensar: o que é gênero?

Em todos eles me posiciono sobre a situação política do Brasil, que chamo de golpe. Na outra mesa que participei dessa vez debatendo e não  mediando, palpitei sobre crítica, responsabilidade de informação e, novamente, política.

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E agora para algo completamente diferente

Zé Oliboni e eu começamos uma nova série de HQs lá no Diletante Profissional.

E agora 1 - p1 -port

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Tem alguma coisa rolando: HQ Visita

Visita-topo

Mais uma HQ em parceria com o Diletante Profissional, Zé Oliboni. Lá embaixo aquele blablablá de onde surgiu a ideia etc.

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Fui entrevistado

Arte de Wagner William

Arte de Wagner William

O Wagner William está com uma HQ nascitura aí, Bulldogma (pela Veneta). Lançamento marcado pro dia 19 aqui em SP, na simpática Gibiteria.

Pra promover a parada, o Wagner tá fazendo uma divulgação muito massa, que inclui trailers e entrevistas que uma personagem do gibi, Deyse Mantovani, faz com pessoas ~reais~. Dessa vez, foi comigo.

Dá pra ler a entrevista no blog de divulgação AQUI. Lá também tem as outras entrevistas, tudo coisa muito fina. Pra ver toda a divulgação, página do Facebook do livro.

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Tem alguma coisa rolando: Balbúrdia

Ontem postei no Balbúrdia uma coluna que gostei demais de fazer, sobre o Incal, de Moebius e Jodorowsky, mas passeio também pelos filmes do Jodô e por outras obras deles. Segue aí o comecinho dele:

Sonhei que andava por dunas e que o sol refletia no chão e me doía os olhos. Caminhei até encontrar Alejandro Jodorowsky; ele não me falou nada, mas com as mãos pediu que eu o seguisse. Passamos por AREIA, areia, arena céu e areia até um lago raso. Jodorowsky entrou e, mesmo com 80 anos, apoiou-se nas mãos e permaneceu de ponta-cabeça. Pude ver ele refletido na água. Diante de mim, ele e seu reflexo se misturavam, um era luminoso, outro era negro. Sorriam consoantes e um Jodorowsky se entrelaçou no outro e explodiu em luz.

Desse clarão surgiu um livro que se abriu (pelo vento? não sei) e eu caí dentro do livro, mergulhei em páginas líquidas “Eu não sei nadar! Ayúdame, Jodorowsky!”.

Eu caí no Incal, o gibi. Sumiram as águas e eu estava no Beco do Suicídio, com muita gente caindo comigo (basta que um salte e vários insatisfeitos também se jogam). Os aristos mijam e atiram, e sempre erram. A queda, ao contrário do gibi, não acabava no lago de ácido; ela não acabava. Quando entendi isso, conversei com aqueles que caíam:

O RESTO SEGUE LÁ NO BALBÚRDIA.

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Tem alguma coisa rolando: HQ 18m²

18m2 - topo

Segue abaixo mais uma HQ em parceria com o Zé Oliboni, do Diletante Profissional. Lá embaixo, como de hábito, falo um pouco sobre a construção da história.

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As primeiras HQs de Alejandro Jodorowsky

Quando era ator e mímico, antes de escrever e dirigir Fando Y Lis, seu primeiro longa, Alejandro Jodorowsky fez quadrinhos. Ele mesmo desenhava e escrevia as Fábulas Panicas e muito desse material tá num blog maneiro dedicado a isso, no caso este aqui.

O “panica” vem do deus Pan e era esse o nome do movimento pós-surrealista que o Jodô fazia parte. Selecionei alguma das minhas favoritas, principalmente aquelas que me lembram o meu projeto São Paulo S/A (nesse momento vaidoso, vale lembrar que já fiz uma HQ com o Jodorowsky).

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Tem alguma coisa rolando: HQ Feliz natal

Mais uma HQ em parceria com o diletante profissional Zé Oliboni. Lá embaixo aquela papagaiada de sempre sobre o roteiro da HQ.

Feliz natal

***

O Zé me sugeriu que fizéssemos ma HQ temática pro natal (depois faríamos uma de carnaval também). Pensei um pouco sobre o consumo, mas descartei porque essa é a primeira ideia sobre natal depois de alegria e paz entre os humanos. Lembrei do nascimento de Cristo, com aquela violência de morte de primogênitos e da via Crucis com toda a tortura que ele sofreu até a crucificação. Pensei numa chave irônica, pesquisei um pouco e encontrei um discurso do Obama desejando feliz natal e ano-novo e anunciando a retiradas das tropas norte-americanas do Iraque. Peguei o discurso, recortei como me calhou e sugeri ao texto macio um espancamento com crucificação. Não  gostei muito da fonte, mas ela conversa com cartão de natal e ela diferencia a voz do Barack da de Michelle. Ó o roteiro, ainda com o discurso em inglês (rolou um certo empenho na edição da tradução de alguns trechos e consumiu bastante tempo).

Primeira coisa: letras diferentes pro presidente e pra primeira dama. Eu posso fazer isso. Os nomes presidente e primeira dama não serão usados (estão no roteiro só pra marcar que as fontes serão diferentes). Pensei tudo em roupas contemporâneas, sem usar cor de  pele.
THE PRESIDENT: Hello everybody, and happy holidays.
Um homem é empurrado no chão, com as roupas rasgadas e a testa sangrando (coroa de espinhos, mas ele tá sem ela).
THE PRESIDENT: That’s the same spirit of giving that connects all of us during the holidays.
Vários homens chicoteiam um cara caído que não se vê

THE PRESIDENT: So many people all across the country are helping out at soup kitchens, buying gifts for children in need, or organizing food or clothing drives for their  neighbors.
O chicoteamento continua, mais intenso.
THE PRESIDENT: For families like ours, that service is a chance to celebrate the birth of  Christ and live out what He taught us
O homem no chão tenta levantar
THE PRESIDENT: – to love our neighbors as we would ourselves; to feed the hungry and look after the sick; to be our brother’s keeper and our sister’s keeper.
Em pé, ele é estapeado
THE PRESIDENT: to be our brother’s keeper and our sister’s keeper.
É agarrado pelos homens e posto em pé, mas ele não tem forças.
THE PRESIDENT: And for all of us as Americans, regardless of our faith, those are values that can drive us to be better parents and friends, better neighbors and better citizens.
É arrastado meio em pé, meio caído, pelos homens.
THE FIRST LADY: So as we look to the New Year, let’s pledge ourselves to living out those values
Homens martelam homem na cruz, visão distante. Vemos todos os caras na cena.
THE FIRST LADY: by reaching out and lifting up those in our communities who could use a hand up.
Cruz é levantado pelos homens
THE PRESIDENT: So Merry Christmas, everyone.
Crucificado em destaque.muita dor.
THE FIRST LADY: Happy holidays everybody, and God bless.
Close no crucificado, que olha pra cima e fala: Por que me abandonou?

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Tem alguma coisa rolando: HQ Rigor Mortis

Mais uma da lavra da parceria com o Zé Oliboni e as HQs pro Diletante Profissional. Lá embaixo falo um pouquinho sobre a ideia dessa história.

RM 1

Rigor mortis 2

Rigor mortis 3

RM 4

***

Mais uma HQ que o difícil foi achar um texto enxuto o bastante, sem ser insuficiente. Conversei com o Zé sobre a linha-mestra da história ele gostou. Aí, mandei pra ele o roteiro no corpo do email mesmo:

pro da dança
pensei uma frase na primeira página, em que tem planos detalhes do corpo e rosto e paisagem
“Quando eu  morrer, por favor,…”
quantas páginas você quiser de movimento de dança na vibe Jules Feiffer (dá uma olha no Mate minha mãe), com os painéis sem fundona última página um plano aberto (se quiser, com fundo e tudo mais)
“…dancem sobre meu túmulo.”
fred astaire debulhando:

gene kelly

A curiosidade é que pedi por Zé me usar como modelo pro personagem, porque ma época tava no meio da escrita de um livro sobre meu funeral. Tudo aqui parte de uma concepção mais festiva da morte, encarando a perda como algo natural, com desapego e pelo viés da impermanência. Tem uns molhos medievais aqui também e muito Monty Python, mas sem o humor como resultado, sendo o humor levíssimo um suavizador.

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