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E então

na última vez que escrevi aqui, disse que voltaria pra comentar como foi um bate-papo com o Ramon e o Guilherme Kroll  lá na Ugra e meio que não voltei.

(fica de boas, este não vai ser um texto sobre noooossaaa faz tempo que não escrevo – tô aprendendo a não me dar tanta importância assim)

[aproveito, inclusive, pra deixar os links prometidos e até então descumpridos, dos meus textos do Bacana sobre os dias 3 (RADIOHEAD!) e 4 (SIGUR RÓS!) do Primavera Sound de 2016.]

{o bate-papo lá foi maneiríssimo, aliás}

e então?

meses depois me sento na mesa amarela em que conversei meu café da manhã por meia década, mas há meses que não. agora é de tarde, o café já esfriou e eu só procuro a próxima palavrinha pra fazer um texto que vocês gostem de ler e pensem o quanto meu texto é/pode ser massa. escrevo justamente o que leem, com um mapa daquilo que não quero falar e ajustando pouquito.

dessa vez, visito São Paulo; visito ela para dar os parabéns pelo seu aniversário; para dar um curso no Instituto HQ sobre OuCriPo (que esqueci de jabazar aqui antes [e que espero escrever sobre ele depois, mas eu não confiaria tanto assim em mim]); para participar de um evento de quadrinhos no sábado ali na Ugra.

depois, São Gonçalo – marca funda no mapa afetivo, depois, Salvador – a nova casa.

(ó eu me desaprendendo a não dar importância)

acho que a gente sempre escreve por vaidade de que gostem da gente; sempre escreve por uma ânsia de emaranhar os fios de lá e cá; escreve por estar a fim de ver as palavrinhas serelepes pulando dos dedos pra tela; escreve sem saber bem a razão. só acho, né, sei lá.

e então?

não. e agora?

agora é hora de botar o corpo pra comer e andar, porque agora é hora de acumular mais um pouco de memória pra depois escrever aqui.

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Barcelona dias 5 & 6

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O dia depois do Radiohead foi aquele trabalho de juntar pontos flutuantes na minha cabeça. Me emocionei pra caralho e até chorei no show (eu, Cuca). Cheguei tão daquele jeito que dei a mãe das topadas num degrauzinho da sala, com bônus de sangramento e dedo roxo – estamos acompanhando.

No sábado era dia da Anfitriã em casa, então demos uma volta pela Diagonal e eu comprei uma bermuda, porque só tinha vindo com uma. Voltamos pra casa, comemos burritos e me mandei pro último dia de show no Pàrc del Forum.

Pelo cansaço acumulado (AKA idade) e o dedo machucado (AKA medinho), optei por ver os shows mais de boa. Em outro texto falo dos shows (mas posso adiantar que chorei no Sigur Rós) (AKA sensivelzinho).

O domingo foi consagrado por minha Anfitriã e eu ao dolce far niente. Fiz um almoço pra nós, nos empenhamos contra cervesas, lavei roupa, planejei minha segunda e passamos o dia conversando.

Como um bom domingo pode ser.

Sem nenhuma dúvida, a exposição cavalar a shows produziu algo pacificante por aqui. Ou pode ter sido o dedo batido. Vamos acompanhar

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Barcelona dias 3 & 4

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Em momentos de crise é preciso economizar e otimizar recursos, li em algum jornal por aí. Como aconteceu uma crise de administração de tempo, ponho dois dias numa postagem só, economizando espaço virtual e deixando tudo ótimo prum leitor joiinha.

Em uma manhã tranquila de Barcelona fui cortar o cabelo pelo bairro onde estou hospedado. Em grana ia dar mesma coisa que SP, mas aqui podia gerar uma história. Me meti nessa.

Minha Anfitriã me deixou numa perruquers, deu umas dicas pro champz y yo me sentei lá pra esperar minha vez. As revistas são do mesmo naipe das brasileiras, fofoca de celebs, porém com certo apego à família Kardashian que apareceu em todos os exemplares consultados nessa pesquisa.

Na hora de cortar, mostrei uma foto de como queria meu corte hipster, mas ele ou não entendeu ou achou que eu deveria ter outra coisa na cabeça. O corte que ficou me agrada, mas não era aquele que eu vinha tocando há algum tempo, sendo muito mais curto. Es lo que hay.

Después, vim pra base, escrevi, dormi e fui pro dia 2 de shows, que teve Explositions in the Sky <3.

O dia 4 foi o dia do show do Radiohead e passei o dia todo ansioso. Fui num mercado aqui por perto, fiz meu almoço e como tinha acordado tarde, a única desventura desse dia foi que minha bermuda tava caindo e precisei INVESTIR 3 euros num cinto.

Mais pra frente falo desses show aí. Aqui tem um pouco sobre meu primeiro dia no Primavera Sound.

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Barcelona dia 2

 

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O Primavera Sound ia começar a noite, daí que eu separei os dias do festival pra duas coisas: me manter vivo e operacional pra ir pro PS; ir pro PS.

sim, nesses dias eu dou curtos passeios por Publenou, escrevo e durmo.

de manhã, fiz uma parada que valeu por duas: descobri o caminho a pé pro lugar dos shows e fiz cosplay de catalão indo no mercado comprar VÍVERES DE SUBSISTÊNCIA. Minha fantasia era tão boa que duas pessoas me pediram informação.

Fiz almoço, encontrei a Anfitriã de tarde, mas desisti de comprar um chip espanhol pra ter internet. Em seguida fui pros shows, que estão em registro a parte.

 

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Puxadinho da última postagem

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esqueci de comentar uns lances da postagem de ontem. segue o pós-escrito ao nome das tulipas. vou topicalizar pra vencer; topicália.

*desci no portão E e meu voo pra Espanha era no C.

*tentei falar em francês com ma amie de Toulouse, mas ela preferiu não. Podemos conversar e correr juntos em pânico pelo aeroporto, mais ne parlez pas français avec moi, if you don’t speak very well.

*pedi refeição vegetariana, mas a KLM preferiu não. Leave the gun, take the fish.

*Pro café da manhã veio certinho.

*fiz uma amiga brasileira no voo pra Barcelona. ela também vai pro Primavera Sound, mas não tem a menor ideia de quais bandas vão tocar. li como LIÇÃO DE DESAPEGO e ELA SIM TÁ VESTIDA DE AVENTURA.

*ela me ajudou com internet, eu com dicas espertas de ônibus do aeroporto.

em la migra, o atendente não teve pena do escasso tempo do sudaco aqui e só não me pediu o meu WhatsApp.

*ainda em Amsterdã, eu try to explain pro champz do raio-x que meu voo saía em 15 minutes and my bag é essa daí, véio, but ele me disse que was an automatic system e apontou pra esteira, totalmente stoped. eu me liguei então que precisava que somebody tirasse as bandejas plásticas em que vão as bolsas da esteira. so, eu empilhei algumas delas, a esteira ON and my bag chegou. o holandês mandou um smile thanks while eu juntava mais umas bandejas. depois eu ran like a doido.

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Aeroporto até Holanda

 

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A ideia era escrever dos aeroportos, na espera dos voos. Nem sempre a ideia mostra as garras e nos beija na boca.

Sem Wi-Fi, fiz anotações pessoais (novo livro?) e embarquei. Consegui sentar na saída de emergência, o que deixou essas pernas compridas aqui em paz.

Na viagem só tinha filme merda e um bebê holandês chorão. Conversei em inglês sauvage avec une francesa do teatro, acho que atriz e comecei a ler o Minha luta do Karl Ove.

L’actrisse, que nem eu, tinha uma conexão que também ficou esguelhada pelo retardo de 1h30 pra sair de SP. Amigos no infortúnio, corremos como laterais em busca da linha de fundo pelo aeroporto de Amsterdã.

(elle, inclusive, meu deu une bonne idée: levar tulipas holandesas pra minha anfitriã em Barcelona – num deu)

chegamos numa pusta fila pro raio-x da bagagem de mão e numa fila ainda pior pra entrar na união europeia. Fomos até lá et ma amie de voyage me abandonou pra pegar seu voo pra Toulouse (espero que tenha dado) (acho que vi uma garota que conheço da faculdade também) (muitos jovens pro Primavera Sound).

Enfim, depois de la migra, eu tinha 2 minutos inteiros pro voo decolar. corri desesperado pelo aeroporto até o portão C13. Nunca na história desses país um lielson correu tanto por Amsterdã.

graças a um atraso nesse voo também, consegui embarcar com destino a Barcelona.

 

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Quase saindo pro aeroporto

após uma note de sonhos intranquilos, Lielson Zeni acordou transformado num enorme ansioso

normalmente não fico pilhado com viagens, mas dessa vez…

tô naquela de não conseguir lavar a louça na pia e nem fazer um roteiro que queria deixar prontinho (também não organizei as músicas pra viagem no iPod e nem separei um caderno pra viagem – sim, sou desses).

[a imagem acima não ilustra o post, só achei ela muito massa]

alguém deve ter posto olho gordo em Lielson Z., pois sem que tivesse feito nada de errado acordou completamente zoado.

sou avisado que começa essa semana uma greve de metrô em Barcelona e que meu voo que sairia 19h15 de SP, vai atrasar (problemas meteorológicos em Amsterdã, onde faço escala).

dá nada, descontando que terei 50 minutos pra descer do avião, fazer migração e achar o portão de embarque do voo que vai, aí sim, pra BCN. tensão: trabalhamos.

toda viagem é uma aventura, mas essa está ganhando contornos interessantes e olha que só acabei de imprimir as passagens. parece que quando eu for falar sobre ela depois, vai ser engraçado. agora não é, não.

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Começou a viagem

num bode pós-separação, eu abro o Twitter e a Pitchfork me avisa que o Radiohead ia ser um dos headlines do primavera Sound 2016 de Barcelona. fiquei bem louco, mas pensei “naaaaa, que locurage”. o tempo foi passando (os minutos, tô falando) e a construção do valor sentimental da banda foi crescendo, a informação sobre outras bandas puro-amor no festival e PÁ..

dias depois, marquei as férias pra conseguir ir pro festival, comprei ingresso, passagem e tal.

de lá pra cá eu tava levandinho esse vaziozão que é não ter mais aquela relação, mas ainda ter a casa, o dia a dia. tava naquelas ou melhor, nessas (responder a “tudo bem?”, que coisa difícil) até ser demitido e aí entrar numa BAD fudida, pensar se ia ou não pra viagem, porque perderia tempo de busca DE RECOLOCAÇÃO NO MERCADO (sem falar na grana que só se vai) e o desânimo que preenchia um vazio que conseguiu ser maior, tipo um astronauta perdido no deserto

mas já tinha pagado boa parte das bagaças, engoli um FODA-SE megaindigesto e em menos de 24 horas estarei num avião indo pra Barcelona, de onde só volto pra lá do meio do mês.

infelizmente, não tenho a inocência sebastianista de acreditar que minha vida vá encontrar um salvador e mudar de vereda com essa viagem; felizmente, sei que pra todo movimento é preciso vencer a inércia.

eu abraço o atrito.

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Primavera Sound – dia 2

para o segundo dia de espetáculos, demos uma de espertinhos: caminhar pouco e ainda tirar uma sonequinha no hostel antes de encarar os desafios musicais do Primavera Sound do dia do BLUR.

é claro que o clichê virou contra o clichezeiro: dormimos por demais e perdemos o Kurt Vile & The Violators (raios!) e indo pra lá entendemos que tínhamos perdido, há 2 horas, o Mulatu Astatke (o cara que está na trilha do Flores Partidas) (raios duplos!!).

chegamos a tempo do Daniel Johnston, só que não (raios triplos!!!). o cara tocou em um teatro que pedia retirada de ingresso e é ÓBVIO que não tinha mais no em cima da hora que chegamos (raios múltiplos!!!!!!).

malzaê, Dani

frustrados, fomos encher a cara com um SENSACIONAL pacote de churros a 3 merkels (descobriríamos depois um lugar fora do principado do PS em que as guloseimas podiam ser abatidas por amorosos 1,20 merkel). conduzimos o pacote de churros pro único palco com arquibancada que fortuitamente tinha uma banda a começar a tocar: os portugueses do PAUS.

PAUS, de Lx

o show foi beeeeem legal. não é todo dia que se vê uma banda de Lisboa com DOIS bateristas. parecia que a Nação Zumbi criou uma filial lusitana. ficamos satisfeitinhos com o acaso e fomos pra primeira grande emoção do PS: ver o Breeders tocando o Last Splash!

além de ser uma banda que conheço bem, tocando um disco que gosto muito, o Breeders foi o primeiro show internacional que eu vi na vida, lá em Curitiba. lembro de ter deixado de comer vários lanches pra economizar pro ingresso. BONS TEMPOS!

Breeders, foto de Deep Beep

no ponto de vista emocional, as Deals mandaram um lindo show. a banda tocou aquilo que sabia e foi bem legal, menos pelo som. sim, quando você pensar que só no Brasil o som fica uma merda, repense. quase todas as músicas tinham pequenos cortes, que não vassouravam as canções, mas empatavam a foda.

satisfeitos e um tico putos, fomos para o Jesus & Mary Chain, mas não sem antes dar uma olhada no Jozef Van Wissem & Jim Jarmusch X Sqürl (sim, aquele Jarmusch mesmo).

não tinha ninguém por lá e aposto que o próprio Jim preferia ver o J&MC, mas foi legal chegar o mais perto que eu provavelmente vou conseguir chegar de um dos cineastas norte-americanos que mais curto. sem falar que era certa compensação por perder o show do Mulatu.

o som é bem aquilo que você acha que o Jarmusch deve fazer e isso é bom.

depois, não teve mais jeito: encarar os tiozão do noize.

Jesus & Mary Chain + My Bloody Valentine = Just Like Honey (foto do Popload)

putz, foi massa, mas duas coisas pegaram (uma é culpa minha e a outra meio que também): eu conheço muito pouco Jesus & Mary Chain e estava bem ansioso pra ver o Blur (sim, sou putinha).

quando a moça do MBV entrou no palco, mal sabia eu que seria a única vez que ouviria a voz dela, mas falo disso na próxima postagem. esse foi um momento indie por excelência e Just Like Honey  é importante pra mim desde Encontros e Desencontros (da Sofia Coppola que já teve barra tem rolo barra casamento com o cara do Phoenix), fechando uns círculos meio MÍSTICOS aí.

mas o FACTO é que o show deles não comoveu, embora não possa ser ripado de modo algum. me parece que os fãs piraram com força, mas pode ser só impressão, já que eles piravam em outros idiomas.

nos vai e vem de nossos quadris pelo Parc del Fòrum, voltamos ao palco lááááááá do outro lado pra ver o menino James Blake. Aliás, esse Overgrown dele é um xuxuzinho.

James Blake, foto de Eduardo Magalhães para Noize

sentamos naquele mesmo gramadão do Dinosaur Jr e nos demos conta que seria a segunda vez que veríamos o Blake. porém, se da primeira vez estávamos destruídos pelo narcotizante show do Mogwai (Sónar SP 2012), dessa vez estávamos clinicamente ansiosos pelo show do Blur, o estalo primeiro de nossa ida ao festival.

não teve jeito, abandonamos o piá cujos irmã e irmã não lhe falam (mas ele não os culpa) e fomos angariar um lugar mais perto do palco do Blur. não sei se foi o corrosivo sentimento ansioso, mas fiquei com a impressão que o disco novo de Blake é mais pra se ouvir no foninho, de buena, do que show pras massas.

chegamos o mais perto possível do palco de modo a nos garantir ainda alguma elegância espacial. a organização surpreendeu com um showzinho curto do Wedding Present, banda de que nunca tinha ouvido falar e precisei dar uma pesquisada com força pra descobrir quem eram os “caras que tocaram na área VIP antes do Blur”. mas foi massa.

a expectativa crescia e conseguimos ficar perto do MAIOR FÃ DO BLUR DO MUNDO (não tenho dúvidas disso). o escandinavo pulou o tempo todo, cantou todas e bradou os braços com força.

Blur, fodendo com tudo (foto da UOL)

os Blur entraram arregaçando: sem medo de queimar hit, porque eles têm vários, saíram aloprando com Boys & Girls. uma avalanche de hits separa esse começo do final da apresentação. foi muito do caraleo. é daqueles shows que eu conhecia TODAS as músicas de VERDADE e tinha lembranças de momentos com algumas delas.

como todo show bom pra caralho faltou tocar aquela. pra mim, foi You’re so great, mas eu meio que sabia que não ia rolar (bem diferente do Mercury Rev não tocar Godess on a highway em Curitiba – canalhas!).

depois de pular pra caralho e gritar com força, capitaneado pelo MAIOR FÃ DO MUNDO DO BLUR, até tentamos ver o The Knife, mas faltou-nos austeridade física.

pegamos o ônibus noturno e dessa vez não nos perdemos (é, esqueci de falar disso: eu ERREI o ponto de descida e paramos lá no cuelo de la cobra no dia anterior. nada que 5,60 merkels de táxi não resolveu).

esgotadíssimos, chegamos ao hostel só pensando: “And you’ve been so busy lately that you haven’t found the time/To open up your mind/And watch the world spinning gently out of time”

ou: que show do caralho (terceiro melhor do festival, segundo o DataZeni; o segundo melhor pra Van).

a seguir: as últimas apresentações!

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Primavera Sound 2013 – Barcelona – dia 1 (continua)

Os caras da organização recomendaram, mas nós não demos bola: “cheguem mais cedo pra trocar as entradas pelas pulseirinhas”.

Savages, em foto da UOL (nenhuma foto que eu tirei prestou : ()

pegamos uma fila pantagruélica, porém sem classe média sofrendo. a fila andou rapidamente se comparada com sua pantagruelice. porém, quando chegamos, as Savages já tocavam há 15 minutos. e como queríamos muito ver o Tame Impala, saímos antes do fim deste show pra ver os australianos psicodélicos.

a impressão das 4 músicas que ouvimos do Savages foi boa. foi pra lista de “ver um dia direito”.

o Tame Impala foi tão massa quanto queríamos, inclusive com o vocalista descalço (Bicho-grilo?) (aliás, faltou um gramadão pra sentar e uns animais coloridos pra correrem por ali, mas não se pode ter tudo na vida).

nunca tínhamos ido um show na gringolândia antes e até esse momento as coisas sobre organização, qualidade do som e respeito dos funcionários faziam muito sentido e tudo no Brasil parecia ser pior. e também era a primeira vez que pegávamos um festival de corre-corre pra chegar num palco a tempo. é legal, mas é uma merda. não tem que esperar muito pra ver as bandas em ação, por outro lado, causa uma neurose de compromisso e perda de parte de alguns shows.

do ponto de vista da base da pirâmide de Maslow, em Barcelona, se fosse feita a conversão de merkels pra dilmas, os preços de comida eram os mesmos dos festivais brasileiros. ou seja, aqui é caro bagaraio. lá o que era preço de puteiro era a cerveja: 11 merkels por 1 copo de 1 litro. e era Heineken (nada contra, mas heineken eu tomo em qualquer boteco daqui ou de lá).

Tame Impala, foto da Noize

voltando ao Tame Impala, os caras mandaram todas aquelas músicas que você queria ouvir dos discos deles. aquele som hipnótico com o crepúsculo vindo (anoitece lá pelas 21h30 nessa época) me deram a impressão que todo o Tame Impala é uma música só, mas não no mal sentido da coisa. belo show, que trouxe o arrependimento de não ter ido ver os caras no Cine Joia aqui em São Paulo.

em seguida fomos ao Dinosaur Jr.

Dinosaur Jr, foto do Deep Beep

a melhor definição em português pro show dos caras é vaitomarnocuputamerdaquetesãopacaraleo.

ou algo por aí. sentamos lá no fundo no gramadão pra ver qualé. eu saí transtornado. e transformado.

(explico: nunca curti o Dinosaur Jr antes. uma vez me emprestaram 3 discos pra ouvir: Galaxie 500, Dinosaur Jr e Dashboard Confessional – me tornei fã do Galaxie, odiei muito o Dashboard e não curti o Dinosaur Jr, mas me sentia envergonhado em dizer isso. não sei o porquê. mas sentia. passei anos tentando escutar os caras, vez por outra, sem aquilo fazer muito sentido das orelhas pra dentro, mas com algo a me dizer “aguarde e verá a verdade”. e a verdade veio a mim em forma de um show PODEROSO. foi quase nível Mogwai. as distorções, os barulhos, os cabelos brancos balançando, de repente, tudo aquilo encaixou e meu mundo ganhou Dinosaur Jr. obrigado, caras.)

acho difícil falar sobre um show que te toca fundo (ui!). é pra estar lá e ouvir.

meio extasiado, nos entregamos aos prazeres da vodca Finlandia. afinal, primavera de cu é rola.

(dizem os jornalistas que foi a PRIMEIRA VEZ que fez frio no PS de Barcelona – valeu roteirista da minha vida).

em seguida, uma tortuosa escolha: Bob Mould, The Bots, Postal Service ou Deehunter se acotovelando no mesmo horário. fomos no último.

não conhecíamos, mas liberamos os indies dentro de nós e fomos naquele espírito desbravador de bandas.

(eu sei que os caras já estão por aí faz um tempão, mas eu nunca tinha ouvido)

Deerhunter, foto da UOL (quase joguei um sanduíche que tinha na mochila pra ele)

a apresentação foi ótima. mais uma banda que reforça o retorno aos anos 1980 de modo saudável (tipo as Savages). o cara MAIS MAGRO DO MUNDO e vocalista da banda, Bradford Cox, entrou de vestido e maquiado, já angariando alguns pontos por bizarria.

depois desse pegamos a última pontinha da última música do The Bots e fomos de volta ao gramadão, esperar o Grizzly Bear.

estávamos SANGUE DOCE (como diria meu pai) com esse show, porque tínhamos visto eles tocarem poucos meses antes aqui em SP. aí o frio da Primavera (sic) agiu com mão pesada. corremos do gramado pralgum lugar menos ventoso no meio do show e fomos lá pro palco do Phoenix – que era láááá do outro lado.

Phoenix, foto de Paula Rúpolo, para o Música Pavê

tô aqui pensando quando coloco pra baixar o Animal Collective se eu posso falar mal do show do Phoenix.

assim, não foi ruim, mas foi maquiadão. tipo te prometem Fanta e te dão Q-suco. me lembrou o show do Killers que vi em Curitiba. muy animadão, vocalista que corre, pra lá e pra cá, telão que explode em cores, mas tudo tão ensaiado, tão planejadinho (“na música 4 eu corro pra direita e pulo”) que me lembrou uma versão indie do Iron Maiden.

claro, os fãs piraram e tal e eu tava ainda na ressaca do Dino Piá, mas o Fênix não entrou no coraçãozinho, diferente das Selvagens ou do Urso Pardacento.

queríamos muito ver o Animal Collective (outra banda que desconheço por completo), mas as duplas frio e eu de bermuda, 6 horas de show e visita ao museu do Tapiés nos bandaram pro ônibus noturno, que parava lá do ladinho do Hostel. aliás, que coisa linda ônibus noturnos a cada 20 minutos, hein?

meio que isso fechou o primeiro dia. e ainda tinha mais dois.

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