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Curso de crítica de quadrinhos

mas podemos chamar também de OuCriPo.

Pera, por partes:

no final do maligno 2016 fui convidado pelo Claudio Alves a dar um curso curto no Instituto HQ na última semana de janeiro (23, 24, 26 e 27) ((isso foi da coisas massa do ano não-massa)). falei “claroénóischampz”, mas aí precisava pensar sobre o que seria esse curso. rapidinho me liguei que os quadrinistas dariam os cursos relacionados à linguagem, falando de prática e teoria e por certo alguém proporia um curso do naipe histórico.

minha reflexão me deixou no conhecido MATO SEM CACHORRO cerebral. até que pensei em ser ~ousadinho~ e propor um curso sobre crítica de quadrinhos. rimos muito (a sombra do palhaço que me acompanha et moi) e imaginei que ninguém se inscreveria nisso.

com o mais legítimo CAGAÇO de não ter inscritos pro curso, ampliei a ideia pra falar de textos SOBRE quadrinhos: crítica, jornalismo, textos editoriais, pesquisa acadêmica. massa, era isso. o Claudio achou buena onda também e nessa 5 pessoas de alma mui digna e nobre se inscreveram. Rá, o curso ia rolar.

daí, arredondei a bagaça: dos 4 dias, cada dia era prum gênero de texto e eu ia fazer o Ringo e chamar os amigos pra dar uma forcinha: Ramon Vitral pra falar sobre a escrita jornalística, Guilherme Kroll sobre paratextos e Maria Clara Carneiro pra falar sobre pesquisa.

o resto foi OuCriPo, a Ouvroir de Critique Potentielle (oficina de crítica potencial).

essa é uma pira que já conversei com muita gente, principalmente com a Maria Clara, a embaixadora do OuBaPo no Brasil. Vamos a algumas explicações: OuCriPo e OuBaPo são derivações do OuLiPo (Ouvroir  de Littérature Potentielle), um grupo francês que propõe que a escrita a partir de determinadas restrições gera uma maior possibilidade de textos. A ideia é escolher quais serão as restrições e a partir daí criar. por exemplo, George Perec, um dos oulipianos mais conhecidos, escreveu um livro inteiro sem usar a letra E (O sumiço, em português). Pra se informar direito sobre OuLiPo e OuBaPo (que é sobre quadrinhos), leia este texto da Maria Clara.

entonces: propus nesse curso exercícios de crítica sob restrição e refletir de que forma isso ajudava a gente a pensar e perceber a crítica. por exemplo, pedi resenhas que não dissessem bem ou mal do quadrinho; resenha de um parágrafo sobre o quadrinho que mais gostavam, apresentando seus aspectos negativos, uma resenha com um quadrinho que não gostassem ressaltando suas virtudes. também pedi que resumissem toscamente seu quadrinho favorito em uma frase, de forma que ficasse engraçado e obscuro sobre o que se tratava, copiando aqui uma brincadeira que vi Twitter naquela semana (tipo assim: “ele não era rato e morre uma galera” pra descrever Maus).

diante de “Time”, do Chris Ware, pedi uma resenha em uma palavra:

anotei no quadro as palavras usadas pela galere e, depois, pedi uma resenha em que essas palavras fossem usadas no texto. depois, num exercício coletivo de escrita, em que cada um escrevia um parágrafo e que o texto deveria ser coeso. para tornar mais sofrido, cada um deveria usar no parágrafo a palavra que indicou no outro exercício. ao final, sairam cinco textos, de cinco parágrafos, escrito pelos cinco participantes.

todos esses exercícios chamam a atenção para o aspecto de o que importa ao falar criticamente de um quadrinho e que tipo de responsabilidades está em jogo. nessa oficina específica, nenhuma das formas criadas serve exatamente pra ser desenvolvida como crítica, mas são uma espécie de treinamento e reflexão.

pretendo repetir essa experiência.

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E então

na última vez que escrevi aqui, disse que voltaria pra comentar como foi um bate-papo com o Ramon e o Guilherme Kroll  lá na Ugra e meio que não voltei.

(fica de boas, este não vai ser um texto sobre noooossaaa faz tempo que não escrevo – tô aprendendo a não me dar tanta importância assim)

[aproveito, inclusive, pra deixar os links prometidos e até então descumpridos, dos meus textos do Bacana sobre os dias 3 (RADIOHEAD!) e 4 (SIGUR RÓS!) do Primavera Sound de 2016.]

{o bate-papo lá foi maneiríssimo, aliás}

e então?

meses depois me sento na mesa amarela em que conversei meu café da manhã por meia década, mas há meses que não. agora é de tarde, o café já esfriou e eu só procuro a próxima palavrinha pra fazer um texto que vocês gostem de ler e pensem o quanto meu texto é/pode ser massa. escrevo justamente o que leem, com um mapa daquilo que não quero falar e ajustando pouquito.

dessa vez, visito São Paulo; visito ela para dar os parabéns pelo seu aniversário; para dar um curso no Instituto HQ sobre OuCriPo (que esqueci de jabazar aqui antes [e que espero escrever sobre ele depois, mas eu não confiaria tanto assim em mim]); para participar de um evento de quadrinhos no sábado ali na Ugra.

depois, São Gonçalo – marca funda no mapa afetivo, depois, Salvador – a nova casa.

(ó eu me desaprendendo a não dar importância)

acho que a gente sempre escreve por vaidade de que gostem da gente; sempre escreve por uma ânsia de emaranhar os fios de lá e cá; escreve por estar a fim de ver as palavrinhas serelepes pulando dos dedos pra tela; escreve sem saber bem a razão. só acho, né, sei lá.

e então?

não. e agora?

agora é hora de botar o corpo pra comer e andar, porque agora é hora de acumular mais um pouco de memória pra depois escrever aqui.

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Barcelona dia 10

Pra zerar o articket, eu precisava ir a Montjuïc, que além dos 2 museus que fui visitar, é onde está as paradas olímpicas todas (Barcelona 92, lembram?).

Fui com a linha 2 do metrô até Paral.lel e lá peguei o BONDINHO morro acima. O parque de Montjuïc é grandão, mas meio que me foquei nos museus.

Como ainda tava meio baleado pela gripe, invertida lógica do PRORROGADOR DE PRAZERES e fui logo pra Fundació Joan Miró. O acervo do museu, obviamente de Mirós, é embasbacante. Se o Museu Picasso se ressente de poucas obras significativas, aqui é pra dar tilt na cabeça, porque é uma caralhada de quadro.

Estava particularmente sintonizado com a obra do Miró nesse dia e ele acabou sendo meu pós-rock visual (ou descobri que o pós-rock é meu Miró auditivo). Passei horas no museu, sendo presentificado intensamente por algumas obras.

O grau de sutileza, desde a pincelada até o detalhamento dos fundos, esconde uma complexidade embaixo de linhas diretas e simples. Miró não desenvolveu uma linguagem, criou um idioma usando formas de comunicação familiares, como símbolos, cores, tinta, metal, pedra. Por isso as esculturas, cerâmicas, tapeçarias, murais e quadros são a mesma coisa.

Quando cheguei na sessão dedicada à arte influenciada pelo zen, e também por estar carregado de tudo que vi antes, desabei. Talvez seja o quadro mais discreto da mostra, o mais poderoso pra mim. Todo branco, com um ponto azul à direita, na parte superior. Ao ver de perto, aquele branco do fundo, tem sutilezas e discretas palavras em mirózence. A descrição é inútil, mas ali fiquei, chorei, voltei e entendi que foi algo muito pessoal, com interpretações que vou manter entre mim e essa pintura.

A imagem lhe deixa ordinária, mas é esta aqui. Só olhando na cara pra entender. Ou talvez só sendo eu, naquele dia, naquela hora, vai saber…

Da outra vez que estive lá, o impacto foi bem diferente.

Fiquei meio anestesiado, então peguei um cantinho de grama, almocei meus sanduíches, escrevi um tanto, e encarei o Museu Nacional de Arte da Catalunha. Como o nome indica, coleciona obras de artistas catalães desde o período medieval.

Dei aquela passada de turista velho, que passa por todas as salas e não vê nada, mas recomendo o museu pra quem curte arte religiosa medieval e coisas mais realistas e românticas. Claro, lá no meio tem uns 2 Dalì realista, um Miró estudante, tem um mural foda do Miró, um Picasso bom, uns 4 Tapiès (2 deles escondidos na arte medieval, se liguem) (descobri também que se fala tápiAs), móveis de Gaudí e amigos, uns Rodin do nada, e arte japonesa bem massa também.

O próprio prédio tem sua graça de visitar, mas depois das paisagens do Miró, tava difícil andar por outros lugares.

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Barcelona dia 8

Com o articket na mão, surge a necessidade urgente de visitar todos os museus.

Por isso, preparei dois sanduíches gigantes (posteriormente devorados na escadaria da Catedral), peguei um ônibus até Plaça de Catalunya, dei aquela rodada turista pela Paseig de Gràcia (pra ver de fora os prédios do Gaudí) e então caí na Fundació Tapiès.

Tinha uma ótima exposição do Harun Farocki chamada Empatia, com os vídeos politizados contra a guerra do Vietnã e delicinhas tipo Counter-Music e The Silver and The Cross.

Saí dali, comi e dei aquela passadinha na Continuará Comics, que resultou em 2 HQs do Jodorowsky: Tecnopapas completo e Depois de Incal (isso, mas em espanhol).

Daí, do nada, mudei a programação. Em vez de Museu Picasso, caminhei até o Parc de la Ciutadella, achei um combo de grama+sombra e me deixei ali por algumas horas.

Escrevi, meditei, li Después de Incal, estudei o mapa, dormi e olhei e voltei andando (talvez me perdendo um pouco).

De noite, tive uma noite de merda, porque resfriei (oi, madrugadas do Primavera Sound) e dormi agitat.

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Barcelona dias 5 & 6

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O dia depois do Radiohead foi aquele trabalho de juntar pontos flutuantes na minha cabeça. Me emocionei pra caralho e até chorei no show (eu, Cuca). Cheguei tão daquele jeito que dei a mãe das topadas num degrauzinho da sala, com bônus de sangramento e dedo roxo – estamos acompanhando.

No sábado era dia da Anfitriã em casa, então demos uma volta pela Diagonal e eu comprei uma bermuda, porque só tinha vindo com uma. Voltamos pra casa, comemos burritos e me mandei pro último dia de show no Pàrc del Forum.

Pelo cansaço acumulado (AKA idade) e o dedo machucado (AKA medinho), optei por ver os shows mais de boa. Em outro texto falo dos shows (mas posso adiantar que chorei no Sigur Rós) (AKA sensivelzinho).

O domingo foi consagrado por minha Anfitriã e eu ao dolce far niente. Fiz um almoço pra nós, nos empenhamos contra cervesas, lavei roupa, planejei minha segunda e passamos o dia conversando.

Como um bom domingo pode ser.

Sem nenhuma dúvida, a exposição cavalar a shows produziu algo pacificante por aqui. Ou pode ter sido o dedo batido. Vamos acompanhar

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Barcelona dias 3 & 4

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Em momentos de crise é preciso economizar e otimizar recursos, li em algum jornal por aí. Como aconteceu uma crise de administração de tempo, ponho dois dias numa postagem só, economizando espaço virtual e deixando tudo ótimo prum leitor joiinha.

Em uma manhã tranquila de Barcelona fui cortar o cabelo pelo bairro onde estou hospedado. Em grana ia dar mesma coisa que SP, mas aqui podia gerar uma história. Me meti nessa.

Minha Anfitriã me deixou numa perruquers, deu umas dicas pro champz y yo me sentei lá pra esperar minha vez. As revistas são do mesmo naipe das brasileiras, fofoca de celebs, porém com certo apego à família Kardashian que apareceu em todos os exemplares consultados nessa pesquisa.

Na hora de cortar, mostrei uma foto de como queria meu corte hipster, mas ele ou não entendeu ou achou que eu deveria ter outra coisa na cabeça. O corte que ficou me agrada, mas não era aquele que eu vinha tocando há algum tempo, sendo muito mais curto. Es lo que hay.

Después, vim pra base, escrevi, dormi e fui pro dia 2 de shows, que teve Explositions in the Sky <3.

O dia 4 foi o dia do show do Radiohead e passei o dia todo ansioso. Fui num mercado aqui por perto, fiz meu almoço e como tinha acordado tarde, a única desventura desse dia foi que minha bermuda tava caindo e precisei INVESTIR 3 euros num cinto.

Mais pra frente falo desses show aí. Aqui tem um pouco sobre meu primeiro dia no Primavera Sound.

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Barcelona dia 2

 

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O Primavera Sound ia começar a noite, daí que eu separei os dias do festival pra duas coisas: me manter vivo e operacional pra ir pro PS; ir pro PS.

sim, nesses dias eu dou curtos passeios por Publenou, escrevo e durmo.

de manhã, fiz uma parada que valeu por duas: descobri o caminho a pé pro lugar dos shows e fiz cosplay de catalão indo no mercado comprar VÍVERES DE SUBSISTÊNCIA. Minha fantasia era tão boa que duas pessoas me pediram informação.

Fiz almoço, encontrei a Anfitriã de tarde, mas desisti de comprar um chip espanhol pra ter internet. Em seguida fui pros shows, que estão em registro a parte.

 

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Barcelona dia 1

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um texto curto prum dia pitoco.

como o avião chegou em BCN a las 5 de la tarde, até desenrolar o parzinho se achar no aeroporto & pegar mala – e ir com o ônibus aeroporto até Plaça Catalunya – encontrei com minha Anfitriã num ponto da linha H 16 lá pelas 18:15.

abraços e que-bom-que-você-veio e que-bom-que-pode-me-receber depois, esperei a Anfitriã sair do trabajo, fomos até a casa dela (de onde escrevo agora), jantamos e ficamos a recuperar muita conversa (ainda em débito).

na mesma noite, precisei falar com meus pais sobre Não-vou-falar-pra-não-gorar e a coisa andou (é coisa boa).

depois, caí no sono no melhor colchão inflável que já me deitei.

me estiquei na horizontal finalmente e devo ter pensado: estou aqui.

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Puxadinho da última postagem

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esqueci de comentar uns lances da postagem de ontem. segue o pós-escrito ao nome das tulipas. vou topicalizar pra vencer; topicália.

*desci no portão E e meu voo pra Espanha era no C.

*tentei falar em francês com ma amie de Toulouse, mas ela preferiu não. Podemos conversar e correr juntos em pânico pelo aeroporto, mais ne parlez pas français avec moi, if you don’t speak very well.

*pedi refeição vegetariana, mas a KLM preferiu não. Leave the gun, take the fish.

*Pro café da manhã veio certinho.

*fiz uma amiga brasileira no voo pra Barcelona. ela também vai pro Primavera Sound, mas não tem a menor ideia de quais bandas vão tocar. li como LIÇÃO DE DESAPEGO e ELA SIM TÁ VESTIDA DE AVENTURA.

*ela me ajudou com internet, eu com dicas espertas de ônibus do aeroporto.

em la migra, o atendente não teve pena do escasso tempo do sudaco aqui e só não me pediu o meu WhatsApp.

*ainda em Amsterdã, eu try to explain pro champz do raio-x que meu voo saía em 15 minutes and my bag é essa daí, véio, but ele me disse que was an automatic system e apontou pra esteira, totalmente stoped. eu me liguei então que precisava que somebody tirasse as bandejas plásticas em que vão as bolsas da esteira. so, eu empilhei algumas delas, a esteira ON and my bag chegou. o holandês mandou um smile thanks while eu juntava mais umas bandejas. depois eu ran like a doido.

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Aeroporto até Holanda

 

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A ideia era escrever dos aeroportos, na espera dos voos. Nem sempre a ideia mostra as garras e nos beija na boca.

Sem Wi-Fi, fiz anotações pessoais (novo livro?) e embarquei. Consegui sentar na saída de emergência, o que deixou essas pernas compridas aqui em paz.

Na viagem só tinha filme merda e um bebê holandês chorão. Conversei em inglês sauvage avec une francesa do teatro, acho que atriz e comecei a ler o Minha luta do Karl Ove.

L’actrisse, que nem eu, tinha uma conexão que também ficou esguelhada pelo retardo de 1h30 pra sair de SP. Amigos no infortúnio, corremos como laterais em busca da linha de fundo pelo aeroporto de Amsterdã.

(elle, inclusive, meu deu une bonne idée: levar tulipas holandesas pra minha anfitriã em Barcelona – num deu)

chegamos numa pusta fila pro raio-x da bagagem de mão e numa fila ainda pior pra entrar na união europeia. Fomos até lá et ma amie de voyage me abandonou pra pegar seu voo pra Toulouse (espero que tenha dado) (acho que vi uma garota que conheço da faculdade também) (muitos jovens pro Primavera Sound).

Enfim, depois de la migra, eu tinha 2 minutos inteiros pro voo decolar. corri desesperado pelo aeroporto até o portão C13. Nunca na história desses país um lielson correu tanto por Amsterdã.

graças a um atraso nesse voo também, consegui embarcar com destino a Barcelona.

 

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