Tag Archives: por onde começo?

Outra lista

irregularmente tenho publicada dicas de que quadrinhos comprar se você nunca leu HQs. mas que tal uma outra opinião?

e que tal a opinião de um especialistão?

saiu no blog da revista Época umas dicas do Sidney Gusman em uma conversa com o André Sollitto, ambos meus camaradas lá do Universo HQ. acompanha aí:

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Quarta parte da lista

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Vamos lá, mais algumas obras indicadas para quem está interessado em ler quadrinhos, mas não sabe por onde começar. As regras que norteiam a criação dessa lista estão aqui nessa postagem.

Como o título indica, essa já é quarta vez que trato desse tema e só devo parar quando reunir umas 30 obras (ou eu me cansar). Pra ver todas as partes da lista, procure pela sugestiva etiqueta por onde começo? lá embaixo. Ou aqui.
 

Simbora?

Noturno – Giancarlo Berardi & Ivo Milazzo (Opera Graphica)

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Giancarlo Berardi e Ivo Milazzo formam a dupla de criadores italianos responsáveis pela série de sucesso Ken Parker. A arte de Milazzo é um espetáculo e os roteiros de Berardi são inteligentíssimos. Noturno é um álbum curto, composto por 6 histórias, com alguma metalinguagem, algum grau de “metaHQ” e muita sensibilidade. Fellini não deixou a produção cultural italiana impune.

Indicado com força pra quem: curte quadrinhos italianos; curte histórias bem contadas; curte a arte de Milazzo.

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Copacabana – Lobo & Odyr (Desiderata)

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A arte suja de Odyr casa perfeitamente com a história de submundos criada por Lobo. Uma das melhores visões do Rio de Janeiro, desencantada, real e agressiva, mas ainda sim, muito bonita. Copacabana é imperdível. Leia a resenha AQUI.

Indicado com força pra quem: curte Nelson Rodrigues; curte histórias cariocas sem o padrão Globo de qualidade; acredita nas boas intenções.

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Sábado dos meus amores – Marcello Quintanilha (Conrad)

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Poucos sabem trabalhar o momento como faz Quitanilha. Antes ele assinava as HQs como Marcello Gaú. Mudou de nome, mas manteve a linha de trabalho. Um Rio de Janeiro de periferia, coberto por uma dose de lirismo visual em vez de violência, embalada em arte realista. É uma das HQs que mais gosto, pra ser lida aos pouquinhos, deixando que ela mande no tempo que passa ao redor. Além de tudo, é um dos primeiros álbuns nacionais pra Ipad. leia a resenha AQUI.

Indicado com força pra quem: curte lirismo visual; acredita em um Manuel Bandeirismoda vida; curte arte realista.

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Terceira parte da lista

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2010 acabou, mas a lista de sugestões de quadrinhos do tio Lielson continua. Aqui está a primeira parte da lista e as regras que norteiam a escolha dos títulos. Sem enrolação vamos lá:

Xampu – Lovely Losers (Devir)

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Roger Cruz ainda é mais conhecida pelo seu trabalho pra Marvel nos anos 1990. Ainda que o reconhecimento seja maior, não é dessa época o parâmetro de seu trabalho em Xampu. Nada de super-heróis aqui ou aquele traço que usou na época. É a história de jovens paulistanos nos anos 1980, mas sem os topetinhos ou músicas sintéticas. Os personagens vivem em um ambiente de rock farofa. E a força do álbum surge no encontro gradual das histórias. Sem falar que arte de Cruz está muito bonita e sua narrativa é excelente. Recomendado. Leia a resenha.

Indicado com força pra quem: curte histórias autobiográficas, quem curte os arredores do cenário musical, quem curte os anos 80

 

Jimmy Corrigan – O garoto mais esperto do mundo (Quadrinhos na Cia)

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Muita gente diz que esse álbum é o Ulisses (James Joyce) das HQs. Fora o exagero, há alguns motivos. Chris Ware levou a narrativa, composição de página e quadros a um nível poucas vezes experimentado nos quadrinhos. E tudo ao mesmo tempo! Uma leitura lenta e pesada, com uma história de rasgar os olhos de chorar. O (des)encontro de um filho, Jimmy, com seu pai, que o abandonou. Aí que está a diferença com o romance de Joyce: mesmo com todo o marabalismo verbal, Ulisses é livro com humor e mais leve. Mas vale a leitura. Olha a resenha.

Indicado com força para quem: curte experimentações de linguagem, quem curte histórias de pais e filhos, designers.

 

Malvados (Desiderata)

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André Dahmer tem um trabalho irônico, ácido e mal-humorado. E sensacional. Teve repercussão a partir da internet e hoje é um dos melhores humoristas nacionais. Em vez de me ler, leiam o Dahmer direto na fonte.

 

 

Indicado com força pra quem: curte um mal-humor engraçado, tem vergonha do ser humano, curte tiras em quadrinhos.

 

 

 

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 E a lista continua em outra postagem…

 

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A lista deve continuar

Apesar da demora, vai aqui a segunda parte (de muitas outras partes) da lista com indicações de álbuns de histórias em quadrinhos. As três primeiras indicações e as regras de escolha estão na primeira postagem.

Tenho pensado bastante e até dançado o doido pra criar uma lista menos “clichê”.

 

Mas já estou achando que tanta insistência ao redor de algumas obras deve ser por culpa da qualidade que as desgraçadas têm. A elas:

 

RETALHOS (Quadrinhos na Cia.)

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Craig Thompson criou uma história de um amor adolescente, enquanto o próprio Craig (sim, o Thompson, é autobiográfico) amadurece e desenvolve sua personalidade, colocando novas perspectivas na relação que tem com os pais e com o irmão. Se existe uma palavra pra definir Retalhos é delicadeza. É tudo bonito nesse gibi. É difícil explicar. leia e não discuta, que é mais fácil. Resenha aqui.

Indicado com força para: quem curte autobiografias de artistas em formação; quem gosta de desenvolvimento da linguagem das HQs; quem acha que o mundo precisa cada vez de mais força delicada.

Veja o autor falando abaixo:

BOB & HARV – DOIS ANTI-HERÓIS AMERICANOS (Conrad)

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O Bob é Robert Crumb, referência underground obrigatória a quem se interessa pelo… underground. Harv é Harvey Pekar, que trouxe o tema da vida de um americano fudido pras histórias em quadrinhos norte-americanas (no caso, ele mesmo). O nome esquisito do álbum é por conta do filme sobre o Pekar intitulado no Brasil de Um anti-herói americano. Esse álbum coleta todas as histórias escritas por Pekar e desenhadas por Crumb. PRA MIM, um dos maiores crimes das edições nacionais é a ausência de mais material do Pekar no Brasil, já o Crumb teve bastante coisa publicada. Leia mais sobre a obra e compre aqui.

Indicado com força para: quem acha graça no mau humor; quem gosta de histórias alternativas; quem tem certeza que quadrinhos não são coisa de crianças.

Aqui, um pouco de Pekar, quebrando pau com o David Letterman (magine se ele fosse no Jô):

e aqui o Crumb:

PERSÉPOLIS COMPLETO (Quadrinhos na Cia.)

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O trabalho que fez o mundo conhecer a iraniana Marjane Satrapi. A quadrinista viveu durante a infância e adolescência a transição de governos no Irã, mudando radicalmente o cotidiano dos cidadãos. existe dois tipos de publicação desta obra de Satrapi no Brasil, ou quatro volumes ou a edição completa. Uma narrativa pessoal, forte e muito bem estruturada, Persépolis é uma peça de arte com um quinhão de informação pouco conhecida por nós deste lado aqui do planeta. Resenha, leia. Compras, aqui.

Indicado com força para: quem gosta de histórias de superação; quem gosta de narrativas do artista quando jovem; quem quer conhecer um pouco melhor a tradição persa.

O quadrinho virou uma animação muito boa (mas uma coisa não exclui a outra, leia e assista):

A lista segue ainda…

 

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listas, sempre listas

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Pra que serve uma lista se não pra instaurar a polêmica? Até lista de compra do mercado acaba em dissonância, não tem jeito.

Alguém me tuitou uma lista de 30 HQs que você deveria ler. Claro que fui dar uma olhada e não gostei. A lista é bastante focada na HQ norte-americana das líderes de mercado, Marvel e DC, o que não é um problema em si, mas um problema em até. Porque até tentam se fazer de ecléticos com um Maus acá e um Persépolis Alá, mas não enganam. Porque até umas bicheiras como Rising Stars e Invencível entram na correria pra fechar 30.

E como diz o mestre, quem sabe faz ao vivo. Isso aqui é blog (ao morto), mas imbuído desse espírito empreendedor. Portanto, em vez ter achaquilhos de bambi, resolvi sugerir a minha lista. Antes disso, vale uns ‘mãs’:

1) A lista foi pensada como indicações para quem lê pouco ou nunca leu HQ (evitando, assim HQs que são homenagens às próprias HQs);

2) Vou me esforçar pra incluir histórias fechadas, de diversas origens (evitando pérolas eternas como Sandman e Homem-Animal);

3) Também vou me esforçar pra apresentar HQs menos conhecidas do público médio (evitando Peanuts e Disney);

4) A lista foi dividida em algumas postagens (evitando um tripão);

5) Se eu me encher o saco, vai ser menos de 30 e se me empolgar, mais (evitando o desgosto do bloguista);

6) A ordem da bagaça não representa a importância da bagaça, a qualidade da bagaça ou a predileção do bagaceiro (evitando malentendidos na leitura)

7) É minha festa, então eu convido o quadrinho que quiser (evitando todos os que não estão abaixo e nas outras postagens).

 

NOVA YORK – A VIDA NA GRANDE CIDADE (Quadrinhos na Cia.)

Will Eisner é autor obrigatório para os quadrinhos. Esse norte-americano é uma das ausências de que me ressenti na lista que linquei lá em cima. E esse álbum além de ser Eisner, é Eisner inspiradíssimo. E melhor: é 1 que vale 4. O tijolão de mais de 400 páginas carrega Nova York – A grande cidade, Caderno de esboços, O edifício e Pessoas invisíveis. Nova York traz histórias de uma página de situações urbanas, passadas na primeira metade do Século XX. O edifício é a trama de 3 fantasmas ligados a um prédio no centro de Nova York. Caderno e Pessoas trazem mais olhares sobre essa cidade que cria e maltrata o humano.
Um material sensível, forte, humano até última gramatura do papel e fodidíssimo. [Momento autojabá] Mais detalhes na resenha que fiz pro Universo HQ. E compre aqui.

Indicado com força para: quem gosta de histórias urbanas (quando isso não queria dizer ultraviolência, gírias e tráfico); quem gosta de um lirismo cotidiano; quem é ser humano.

A CAIXA DE AREIA – OU ERA DOIS NO MEU QUINTAL (Devir)

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Lourenço Mutarelli largou os quadrinhos há algum tempo. E o desgraçado parou justamente quando produziu sua obra mais densa, mais emocional e mais equilibrada. O roteiro de Mutarelli nunca foi tão bom quanto neste trabalho. E o seu texto aqui é superior aos seus livros em prosa. Até o formato pequeno de caderno tem a ver. Caixa de areia marca um rompimento no modo do artista fazer quadrinhos, seja no tema ou na arte, mas sem perder sua característica intimista e forte. O enredo é da família de Mutarelli diante de problemas cotidianos e observações sagazes e, em paralelo, dois personagens em um carro. Tá aqui a resenha no Universo HQ.

Indicado com força para: quem gosta de um lirismo cotidiano; quem gosta de teatro do absurdo; quem acha que a vida precisa de uma loucurinha pra valer a pena.

MAUS (Quadrinhos na Cia.)

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Esse tá na lista da Empire. Também, o trabalho do Art Spiegelman é do nível ‘puta merda’. Se você faz parte do grupo que tem nojinho de histórias sobre o holocausto, recolha seu nojo onde bem entender e LEIA o único gibi que já levou um prêmio Pulitzer. Existem doses cavalres de metalinguagem na segunda parte e doses homéricas de humanidade em cada página. O sonho de todo quadrinho é ser tão forte e impactante quanto Maus. O que se conta é a biografia do pai de Art Spiegelman e como ele sobreviveu à segunda grande guerra mundial, e a história da criação do próprio álbum que se lê. Os personagens são retratados de modo muito cruel e sem autopiedade. Ah, e todo mundo é zoomorfizado: os judeus são ratos, os alemães são gatos, os poloneses porcos e por aí vai. Segue a resenha no Universo HQ. Segue a sugestão de compra.

Indicado com força para: quem gosta de histórias vicerais; quem gosta de outras visões de animais humanizados (ou humanos animalizados); quem gosta de histórias de sobreviventes; quem quer aprender metalinguagem de HQ.

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