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Se a vida fosse listas de 100?

esses dias eu tava lembrando: quando comecei a escrever em blog, a conexão era discada (usava CD instalação do IG), eu nunca tinha tido meu próprio computador (laboratório de computação da faculdade) e eu escrevia muito sobre música (o que eu conseguia baixar, claro).

postar um vídeo de uma banda que eu gostava era conteúdo, era posicionamento ~cultural~. daí lembrei que naquele tempo eu fazia muita lista e muito texto inspirado em música.

esses dias tava indo pro trem e pensei se eu conseguiria escolher 100 bandas ESSENCIAIS DA MINHA VIDA NESSA EXISTÊNCIA POP E SEM SATORI QUE LEVO.

acho que meu eu de 2002 viajou no tempo e possuiu meu corpo.

“mas que bobagem, Lielson, coisa mané de se fazer: lista. aff…”

ai resolvi postar de 10 em 10. vamos lá?

show do Radiohead em SP. escrevi sobre ele

show de 1966 do Velvet Underground, só fineza

uma musiquinha dos Beatles. afinal… né?

Morphine corre pela espinha, né? (se discorda, pena)

Portishead evoluiu de Trepa Hop pra trepa eterna

Mogwai em uma celebração de cada célula do meu corpo e ossos (a Van espetacularizou sobre esse dia)

Sharon Van Etten: obsessão recente (songwriter crush de 2014)

Yo La Tengo banda velha que me flutuou através de 2013 com Fade

Mutantes é demais (até escrevi um livro baseado num disco dos caras)

 

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Instrumentos de dispersão

se me lembro bem, esquecer é parte fundamental.

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não dá pensar que vai morrer enquanto você come bolacha com chá morno, é preciso esquecer a doença de sua mãe enquanto brinca no YouTube.

Espanamos o que se-foi do presente. mas logo a frente, o mesmo pó continua ali, a recobrir sua bolsa, seus livros e as beiradas das portas que deixa de abrir em seu apartamento.

o meu fugir de mim é pré-instalado de nascença.

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não, acho que o dispersar do urgente que é.

mas gosto de encher a mão com os grãos do importante.

(tem uma diferença Gonçalo-tavaresiana entre urgente e importante).

ou talvez só esteja tentando esquecer algo que deveria lembrar. ou isso é um apartamento fragmentado se reconciliando.

mas me lembrei de gostar disto:

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do que eu digo quando eu falo…

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sabe, eu acho que ele sempre esteve ali sentado. não, é claro que ele não passou a vida toda ali, é que me lembro do velho, de chapéu, sentado naquele banco, sempre do mesmo jeito. com chuva, sem chuva, tanto faz. sempre ali, naquele banco que já deve ter sido o centro da praça.

hoje, HOJE, é a primeira vez que o velho não tá ali…

é, sim, acho que ele pode ter morrido sim…

não, é bem tristeza, é mais uma coceira no meio da cabeça, como se algo não tivesse certo…

não, não é o velho ter sumido e eu não ver o cara ali. não. é mais como se tivessem me feito de metáfora e eu não conseguisse entender.

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Menos

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a foto é da livraria Ghignone, de Curitiba. ela está aqui pela cidade desde 1921. mas vai fechar.

amanhã, sábado e acabou.

enquanto isso, o mundo não “mind the gap” em Londres, e apesar de todos os saques, as livrarias foram poupadas das chamas da anarquia.

ou parece que é isso.

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aqui, a Ghignone faz queima de estoque e eu cumpro meu ritual de despedida comprando um par de livros.

um comércio fechar é motivo pra reclamação, pra tristeza, pra blogagem?

se não é, não sei como pode se chamar isto aqui e este por trás das teclas.

é só uma loja, mas fechou umas portas aqui também.

deixa, deve ser só eu começando a fechar minha Curitiba pra abrir casa nova.

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Passadinho…

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Recorda: O Tempo é sempre um jogador atento

Que ganha, sem furtar, cada jogada! Ë a lei.

O dia vai, a noite vem; recordar-te-ei!

Esgota-se a clepsidra; o abismo está sedento.”

BAUDELAIRE, Charles – O relógio in Flores do Mal (trad. Ivan Junqueira)

tenho tentado.

acho que não o suficiente, mas tenho.

me livrei de jogos do Facebook, reduzi meu período no Twitter e no e-mail, mas o efeito ainda não veio.

a pilha de livros só aumenta (talvez, se eu parar de comprar e emprestar da Biblioteca), os filmes a ver já ocupam muitos GBytes, as correções da pós-graduação em HQ vão se escoando, digo sim a frilas, digo sim a congressos e não começo – simplesmente não começo – a escrever.

a covardia de falhar se banha na arrogância de que posso fazer a qualquer momento.

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em Beltrão, minha mãe disse, meio que por brincadeira:

“se eu tivesse mais um filho, obrigava a ser médico e ganhar dinheiro. de sonhador, já basta um.”

como diz Saint Bachelard, o sonho é importante e sem ele não há mundo desperto.

mas a matéria antiplatônica tem de ser erigida e não basta apenas o prático e onírico.

é preciso a consciência do desperdício.

do dia comido pelo próprio dia, oroboro cósmica do puta que te pariu!

que ninguém me fale em passatempo, eu quero um paratempo!

eu quero um fluitempo, eu quero um melevajuntotempo.

nem que seja só por um instante.

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Luto para um amigo

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cercado pelo casamento real de um lado e pela morte (insira sua dúvida conspiratória favorita sobre isso aqui) de Osama Bin Laden, se centra o mais importante – na verdade, pior – acontecimento do final de semana: a morte do escritor e pintor argentino Ernesto Sabato.

não precisa se sentir estúpido ou, pior, fingir que conhece o mestre gringo. pouco falado no Brasil e obscurecido pelos magistrais Cortázar, Bioy Casares e Borges, Sabato chama pouca atenção no meio literário daqui.

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mas essa injusta atenção pequena, é em nada desprezível. a Compania das Letras tem tudo (ou quase) do hombre em sua linha editorial.

o sempre foda Zé Castello escreveu sobre ele. leia.

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eu fui amigo de Sabato.

não, nunca o encontrei, nunca apertei sua mão e passei pelos segundos sem saber o que falar pra um ser humanao que (a mim) é (ainda É) tão admirável. nunca escrevi cartas pra ele ou e-mails (que eu duvido que ele tivesse). mas ele me conhecia muito bem. e eu a ele.

fomos amigos, e nossas conversas, urdidas pelo Túnel, Sobre heróis e tumbas, Homens e engrenagens e tantas outras palabras, apesar de iguais, cometem novidade. sempre.

ele me falava sobre o cientificismo e do racionalismo dogmático, que segundo ele, são a pinoia desse pampa desumanizador.

quando o conheci, em meio de um capítulo de Homens e engrenagens, no primeiro ano de faculdade, eu entendi alguma coisa. até hoje, não estou bem certo o quê, mas entendi. nessa época, Sabato já tinha abandonado a ficção e praticamente parado de escrever. apenas pintava, em sua casa em um lugar chamado Santos Lugares.

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pintava, até que esses olhos, perenes apontadores pro mundo, cansaram. e, nas armadilhas do idioma, no sábado passado, Ernesto Sabato morreu.

eu já tinha sentido que perdia um tio distante quando José Saramago morreu (não se fica impune a ler tanto o escrito de alguém), mas com o Sabato quem se vai é um tio querido, que nunca vi e nem verei, mas que encontrei mais vezes do que a mim mesmo.

como ele mesmo me disse, quando explicava porque a humanidade não se arrebata por uma onda suicida quando compreende sua mortalidade e vacuidade do viver:

“Que valor existiria se trabalhássemos e vivêssemos entusiasmados se soubéssemos que nos espera a eternidade? O maravilhoso é que o façamos apesar de nossa razão nos desiludir permanentemente. Como é digno de maravilhamento que as sinfonias, os quadros, as teorias, não sejam feitos por homens perfeitos, mas por pobres de seres de carne e osso.” (Homens e engrenagens, p. 129, Papirus, 1993)

vou continuar a conversar com Sabato. eu me vou um dia, e ele vai continuar a ser ouvido. quem sabe eu mesmo continue a ouvir…

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Autorretrato de um ponto de fuga

a pintura aí é minha.

chamei ela de Eu sempre quis ver tudo. gosto de títulos longos.

fiz porque minha firma pediu pra cada funcionário pintar um quadro com seus “votos” pra 2011.

torta, pequena (mede uns 8 X 8 cm), com erros amadores. 

mas gosto dela. gosto tanto que mostro aqui. 

quero ver nela um olhar que me enxerga.

e vê através de mim um passado translúcido de um menino que sonhava cursar artes plásticas, aprender a desenhar, viver disso.

hoje escrevo e não desenho. nem reclamo.

mesmo.

gosto de fazer o que faço, do jeito que consigo. mas sinto falta de saber fazer isso aí de cima direito.

meus traços, que deveriam mirar pro futuro em seus votos corporativos, me contemplam o passado.

gosto disso.

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Se o cinema é 3D, a existência é 10 D

vi lá no Trabalho Sujo, mas esse é o vídeo com legenda em português torto.

advirto: não me responsabilizo por nós na cabeça.

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Realidades paralelas

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uma coisa que eu gosto são histórias de realidades paralelas. aquelas histórias que respondem o que aconteceria se o Viola tivesse entrada no tempo normal da final contra a Itália, o que aconteceria se o Hitler usasse cavanhaque em vez de bigodinho e se o Curt Kobain tivesse ido estudar no lugar de cheirar cocaína suficiente pra matar um pônei.

esse é um recurso bastante habitual nos quadrinhos americanos. O que aconteceria se o foguete do Superman tivesse caído na URSS? o que aconteceria se Ben Parker não tivesse sido assassinado? e por aí vai…

às vezes eu penso o que teria acontecido se eu tivesse passado no primeiro vestibular e não no segundo. ou se eu não quisesse ver A viagem de Chihiro. ou se, sei lá, não tivesse visto Tarantino na adolescência.

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acho que é por isso que eu curto tanto versões de músicas.

é como se em um universo paralelo aquela banda que eu gosto tanto não existisse, mas aquela música precisasse ter mundo. e às vezes, a realidade paralela é um puta escape e um lugar gentil.

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Regimes

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Queria poder pensar em regime e lembrar de dietas. Mas no caso dos regimes totalitários e ditatoriais, a perda de peso é do inimigo do estado.

E o efeito sanfona aparece nas declarações. Caso do General José Elito Siqueira, para quem o regime é algo histórico e que passou.

Não nos envergonhemos das barrigas adquiridas e não nos ocupemos das medidas de pessoas desaparecidas. É o que é. Fala digna de um Alberto Caieiro de estrelas no ombro e quepe na cabeça.

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Esse fatalismo sobre os acontecidos é digno de uma tragédia grega. Ao herói, seu destino e paciência. Assistamos. mas no caso dos desaparecidos, não há muito espaço pra catarse.
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