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Carta aberta a Lielson Zeni

queridão, queridão

recebo triste suas últimas palavras, amigo. sei que a coisa nos últimos tempos parece esquisita (ou melhor, TÁ esquisita), mas tu não pode se abater. mas o que a gente pode fazer, não é?

(tô até vendo aqui que sua azia pode atacar hoje, cuidado na alimentação!).

a leveza é uma qualidade (lembra do Calvino e suas propostas pra esse milênio?) e não há que se pesar com os heróis se mostrando humanos. como bem disse a Van, vivemos a ferreira goullartização da MPB. é triste, mas vale uma piada.

o ciclo de Vico fala da época dos deuses, seguida da época dos heróis, estamos na época dos humanos. a seguir o eterno retorno.

realmente, é decepcionante ver Caetano, Gil e Chico,  as vozes antes caladas que agora exigem silêncio. é triste mesmo. bem mais triste que o Corinthians que não faz gol.

sabe que eu ia adorar só me preocupar se o Corinthians corre risco de cair ou não? estudar a tabela do campeonato, fazer contas.

mas falemos de coisas boas! soube que terminou mais uma versão do longa-metragem, parabéns. ainda há trabalho pela frente, mas tá indo, né? grande ideia do Aristeu falar desse tema bem nessa época, né?

aliás, você viu o que aconteceu dia 15? prenderam um monte de gente no RJ alegando vaguezas como “dano a patrimônio”, “corrupção de menor”, “formação de quadrilha”. tinha um povo preso todo por formação de quadrilha. só isso. que quadrilha boazinha que não comete crime, né?

mas, claro voltemos ao que importa. viu que a Visual Editions tem livro novo? coisa linda!

tu percebeu uma coisa? Chico-Caê-Gil gritam pelo direito de calar e calam pelo direito de gritar. nem uma puta linha sobre a situação dos professores no Rio de Janeiro. nada! soube que deram um tiro num homem? não se sabe quem foi, mas a PM tentou “recuperar a bala” antes de qualquer coisa. estranho!

voltando ao foco: ainda pensa em chamar aquele livro de Cadê Amarildo? não acho que seja aproveitar de nada, mesmo que não tenha nada a ver com o pobre homem que sumiu. na verdade, tu viu que até o Jornal Nacional aceita a ideia da morte do Amarildo em uma sessão de tortura? parece que foi uma coisa meio Vlado: “forçamos a mão, galera. o cara morreu.”

sabe, também ando meio triste com isso tudo. fico perturbado mesmo. ontem quando vi na TV aquelas prisões arbitrárias, a tentativa de vilanizar os professores, me (te) fez perder a fome. não tô conseguindo dar conta. hoje de manhã vi o Racionais MCs retwitando o Procure Saber.

não sei se é exagero, mas quando resolvi escrever essa carta, eu pensei: vou escrever aqui porque eu posso. nesse momento, o que eu faço ainda não é chamado de corrupção de menores, formação de quadrilha, ataque à intimidade do trio da decepção Caetanoberto Buarque, não é considerado vandalismo. ainda podemos escrever num blog. que pouco que nos resta, não?

lá longe, depois das montanhas de estrume e atrás do gás ~moral~, aponta um estadinho totalitário, com pessoas aplaudindo quem atira e quem bate.

cara, me diz o que a gente pode fazer?

abraço esmaecido, Lz

PS – evite as redes sociais se não consegue lidar com tanta desgraça.

PS 2 – é nóis!

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