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Primavera Sound – dia 2

para o segundo dia de espetáculos, demos uma de espertinhos: caminhar pouco e ainda tirar uma sonequinha no hostel antes de encarar os desafios musicais do Primavera Sound do dia do BLUR.

é claro que o clichê virou contra o clichezeiro: dormimos por demais e perdemos o Kurt Vile & The Violators (raios!) e indo pra lá entendemos que tínhamos perdido, há 2 horas, o Mulatu Astatke (o cara que está na trilha do Flores Partidas) (raios duplos!!).

chegamos a tempo do Daniel Johnston, só que não (raios triplos!!!). o cara tocou em um teatro que pedia retirada de ingresso e é ÓBVIO que não tinha mais no em cima da hora que chegamos (raios múltiplos!!!!!!).

malzaê, Dani

frustrados, fomos encher a cara com um SENSACIONAL pacote de churros a 3 merkels (descobriríamos depois um lugar fora do principado do PS em que as guloseimas podiam ser abatidas por amorosos 1,20 merkel). conduzimos o pacote de churros pro único palco com arquibancada que fortuitamente tinha uma banda a começar a tocar: os portugueses do PAUS.

PAUS, de Lx

o show foi beeeeem legal. não é todo dia que se vê uma banda de Lisboa com DOIS bateristas. parecia que a Nação Zumbi criou uma filial lusitana. ficamos satisfeitinhos com o acaso e fomos pra primeira grande emoção do PS: ver o Breeders tocando o Last Splash!

além de ser uma banda que conheço bem, tocando um disco que gosto muito, o Breeders foi o primeiro show internacional que eu vi na vida, lá em Curitiba. lembro de ter deixado de comer vários lanches pra economizar pro ingresso. BONS TEMPOS!

Breeders, foto de Deep Beep

no ponto de vista emocional, as Deals mandaram um lindo show. a banda tocou aquilo que sabia e foi bem legal, menos pelo som. sim, quando você pensar que só no Brasil o som fica uma merda, repense. quase todas as músicas tinham pequenos cortes, que não vassouravam as canções, mas empatavam a foda.

satisfeitos e um tico putos, fomos para o Jesus & Mary Chain, mas não sem antes dar uma olhada no Jozef Van Wissem & Jim Jarmusch X Sqürl (sim, aquele Jarmusch mesmo).

não tinha ninguém por lá e aposto que o próprio Jim preferia ver o J&MC, mas foi legal chegar o mais perto que eu provavelmente vou conseguir chegar de um dos cineastas norte-americanos que mais curto. sem falar que era certa compensação por perder o show do Mulatu.

o som é bem aquilo que você acha que o Jarmusch deve fazer e isso é bom.

depois, não teve mais jeito: encarar os tiozão do noize.

Jesus & Mary Chain + My Bloody Valentine = Just Like Honey (foto do Popload)

putz, foi massa, mas duas coisas pegaram (uma é culpa minha e a outra meio que também): eu conheço muito pouco Jesus & Mary Chain e estava bem ansioso pra ver o Blur (sim, sou putinha).

quando a moça do MBV entrou no palco, mal sabia eu que seria a única vez que ouviria a voz dela, mas falo disso na próxima postagem. esse foi um momento indie por excelência e Just Like Honey  é importante pra mim desde Encontros e Desencontros (da Sofia Coppola que já teve barra tem rolo barra casamento com o cara do Phoenix), fechando uns círculos meio MÍSTICOS aí.

mas o FACTO é que o show deles não comoveu, embora não possa ser ripado de modo algum. me parece que os fãs piraram com força, mas pode ser só impressão, já que eles piravam em outros idiomas.

nos vai e vem de nossos quadris pelo Parc del Fòrum, voltamos ao palco lááááááá do outro lado pra ver o menino James Blake. Aliás, esse Overgrown dele é um xuxuzinho.

James Blake, foto de Eduardo Magalhães para Noize

sentamos naquele mesmo gramadão do Dinosaur Jr e nos demos conta que seria a segunda vez que veríamos o Blake. porém, se da primeira vez estávamos destruídos pelo narcotizante show do Mogwai (Sónar SP 2012), dessa vez estávamos clinicamente ansiosos pelo show do Blur, o estalo primeiro de nossa ida ao festival.

não teve jeito, abandonamos o piá cujos irmã e irmã não lhe falam (mas ele não os culpa) e fomos angariar um lugar mais perto do palco do Blur. não sei se foi o corrosivo sentimento ansioso, mas fiquei com a impressão que o disco novo de Blake é mais pra se ouvir no foninho, de buena, do que show pras massas.

chegamos o mais perto possível do palco de modo a nos garantir ainda alguma elegância espacial. a organização surpreendeu com um showzinho curto do Wedding Present, banda de que nunca tinha ouvido falar e precisei dar uma pesquisada com força pra descobrir quem eram os “caras que tocaram na área VIP antes do Blur”. mas foi massa.

a expectativa crescia e conseguimos ficar perto do MAIOR FÃ DO BLUR DO MUNDO (não tenho dúvidas disso). o escandinavo pulou o tempo todo, cantou todas e bradou os braços com força.

Blur, fodendo com tudo (foto da UOL)

os Blur entraram arregaçando: sem medo de queimar hit, porque eles têm vários, saíram aloprando com Boys & Girls. uma avalanche de hits separa esse começo do final da apresentação. foi muito do caraleo. é daqueles shows que eu conhecia TODAS as músicas de VERDADE e tinha lembranças de momentos com algumas delas.

como todo show bom pra caralho faltou tocar aquela. pra mim, foi You’re so great, mas eu meio que sabia que não ia rolar (bem diferente do Mercury Rev não tocar Godess on a highway em Curitiba – canalhas!).

depois de pular pra caralho e gritar com força, capitaneado pelo MAIOR FÃ DO MUNDO DO BLUR, até tentamos ver o The Knife, mas faltou-nos austeridade física.

pegamos o ônibus noturno e dessa vez não nos perdemos (é, esqueci de falar disso: eu ERREI o ponto de descida e paramos lá no cuelo de la cobra no dia anterior. nada que 5,60 merkels de táxi não resolveu).

esgotadíssimos, chegamos ao hostel só pensando: “And you’ve been so busy lately that you haven’t found the time/To open up your mind/And watch the world spinning gently out of time”

ou: que show do caralho (terceiro melhor do festival, segundo o DataZeni; o segundo melhor pra Van).

a seguir: as últimas apresentações!

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