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Cemitério do esplendor

Sábado vi Cemitério do esplendor do Apichatpong Weerasethakul. Acho que o que mais gosto no cinema do AW (né?) é que eu não pego muita coisa. Na real, minha razão dá um perdido em boa parte do filme, mas eu encaro com certa intuição o que me salta como cenas favoritas. No caso de Cemitério do esplendor é a cena das pessoas trocando alucinadamente de lugar nos bancos, a cena final do futebol e as teofanias (deusas comendo algo tipo ARITICUN foi demais).

Esse mundo que não entendo bem, mas vou mordendindo como posso, com os dentes tortos que tenho, é o que chamaria de realismo. Pois a realidade que a gente vive, se alguém diz que entende ou tá mentindo ou tá errado. Diante de uma incompreensão sistemática de tudo ou abraçamos as perguntas ou fugimos dela. Apichatpong torna as perguntas mais bonitas.

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Vendo filmes

Tenho usado o cinema como um tempo deslocado: eu paro tudo, a sala escurece eu ganho memórias de outros, e me empresto histórias que gostaria que fossem minhas ou que adoraria que não fossem tão parecidas com minha vida.

É um tempo em que me escapo, sem me alienar de todo, porque quando volto, parece que há um reencaixe (não se preocupe, não faz muito sentido mesmo)

No último final de semana vi 3 filmes: no sábado, o clássico 8 1/2.

Cada vez eu gosto mais dele, não sei bem como lidar com isso. Cada vez que eu revejo, acho um novo. Dessa vez, fiquei doido com o texto da conversa entre Mastroianni e Claudia Cardinale. Que doideira ser-se Federico.

No domingo, sessão dupla com O sabor da vida e Anomalisa.

O sabor da vida é da Naomi Kawase que fez um filme que eu amo e deve passar no meu velório (Vestígio, já falei sobre ele). Andamento lento, com um drama pesadamente oriental e que o conflito só se põe a nu aos 55 minutos (eu vi no relógio). Não tenho dúvida que muita gente vai odiar.

Embora, até pese a mão na emoção mais fácil vez ou outra, a combinação entre dramático e lírico (no sentido dos gêneros mesmo) é muito equilibrada.

Anomalisa saí sem saber o que pensar direito, tem coisas que me incomodaram, mas a cada hora que passa gosto mais dele. É outro filme monótono (no melhor sentido), mas algo diferente do da Kawase. O texto é afinado, o stop-motion é esquisito do jeito certo e várias vezes ele diz que vai te levar pra lá, e te empurra pra cá.

Esses três filmes foram bons o bastante pro final de semana. Sigamos, sigamos.

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