Tag Archives: Em desabalada carreia

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entre idas e vindas da corrida de rua regular, hoje tive minha primeira evolução marcante: fiz todo o meu percurso só correndo e ainda tinha energia pra mais.

pela primeira vez desde que comecei a correr não tive que respirar como um búfalo espirrando.

e o ar de Curitiba tá frio de Pinguim pedir pra ir dentro da geladeira.

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milagre? segunda mutação? o contato com o rato me deu novas habilidades?

nope.

aprendi o ritmo de corrida.

o meu ritmo.

levei alguns meses pra encontrar o disgramado, mas agora somos amigos e corremos juntos.

é uma bobagem, coisa pouca, mas depois de ganhar as contas e ter que linchar outro mamífero, encontrar o ritmo parece o começo da harmonia.

sempre com alguma distorção, pra ter graça.

 

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Diário de corrida – semana 1

desde o primeiro dia até este momento, corri dia sim, dia não.

repeti o percurso na quarta, aumentando os metros propriamente corridos na volta pra casa.

na sexta fui mais longe.

mais precisamente, fui 1,9km na ida e corri um pouco mais de trechos na volta.

no domingo apertei o repeat.

o resultado foi um samba cada vez menos animado nas pernas, e o quase desaparecimento total da dor quinta chaga de Cristo.

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o projeto da ‘Semana 2’ é correr mais dias – no mínimo 5, com objetivo usar todos os dias.

meu maior inimigo até agora tem sido a respiração, já que meu nariz tem um campo de força barrando a entrada do ar gelado das tardes de Curitiba.

ainda não tenho um tênis de corrida, e vou usando meu velho Adidas SL 72, que já tava meio fodido. mas agora que obsequei com a prática, vopu comprar um tênis adequado.

quando estiver melhor, vou comprar um marcador de tempo pra isso.

o objetivo é fazer uma corrida de rua – dessas organizadas pelo SESC, prefeituras e correlatos- até o final do ano. nem que seja uma humilde de 5km.

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Primeiros passos

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I was dreaming of the past
And my heart was beating fast
I began to lose control
I began to lose control

pois ontem meti o pé no tênis e tênis na ciclovia.

é, eu comecei a correr na rua.

uma palavra pra resumir a correria: decepção.

consegui correr meio que 1,5 quilômetros. e andei tudo isso de volta com mais uma corridinha falcatrua de 200 metros.

dor de criança no baço, pernas queimando, garganta dançando polca no meu pescoço, ar gelado ttipo ferpa e suor.

entendo perfeitamente o Murakami que disse não pensar em nada enquanto corre (ele está níveis acima): eu só penso em quanto ainda vou teimar em correr e quando vou parar.

meu uniforme foi (longe do melhor, mas sem tirar casquinha do pior):

– camiseta preta do caléxico de malha;

– calção de nylon preto de futebol;

– meia de algodão;

– Adidas SL 72 fodido.

Abaixo, o mapa do percurso mínimo, responsável pelo máximo do desgosto.

Visualizar Percurso da primeira corrida em um mapa maior

apesar do mau resultado de ontem, sou muito teimo… PERSISTENTE pra desistir. hoje devo ir pra rua. só a Gabi é mais que eu:

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O gato de Schrödinger pulou no meu colo. ou não.

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comecei a ler hoje, no ônibus, o livro do Murakami.

foi paradoxal ler sobre um Havaí sem nuvens e ensolarado enquanto estava no em um ônibus lotado, lutando contra cotovelos e freiadas típicas de transporte de animais de abate.

(seriam os motoristas de ônibus enigmistas que advertem por ações metafóricas?)

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em um trânsito congestionado, eu imobilizado pelo acúmulo humano, lendo sobre corrida.

corrida que não pude começar a fazer, por estar correndo demais. e enquanto eu não correr (porque estou corrido) eu posso começar – ou não – a correr todo dia.

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tem borda recheada de cheddar nesa pizza (ou não)? até abrir, tem e não tem.

até eu não correr, eu posso e não posso correr. o cansaço até lá, é brinde.

 

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Primeiro passo

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às vezes, me estranho. nada daquilo de olhar no espelho e perceber que está velho e se estranhar.

não.

faço coisas que acho estranhas.

que não são assim ESTRANHAS, mas incomuns. trilha das obssesões.

sou um conjunto que recebe obsessões e reflete teimosia, embora eu preferia emoldurar em interesse e persistência.

meu mais recente interesse é começar a correr.

e minha persistência é tal que ontem fui a medicina esportiva antes de botar o pé na estrada em alta velocidade.

sério, eu me estranho disso. a medicina aposta em uma frieza e desumanização que me aborrece.

muito.

a diferença entre mim e o estoscópio é quem vai pra orelha e quem vai pro bolso. eu, me fui pra esteira.

a experiência de hamster devia ser partilhada por todos – principalmente pela enfermeira que depila seu peito e pelo médico que nem te olha na cara.

fios saem de pinos colados com fita adesiva no meu torso e o ar entra por uma máscara desconfortável de borracha mezzo fedorenta.

não fale, o doutor pede enquanto vê o iPhone, isso altera a medição da respiração.

ah, então é pra respirar? foto não rola, chefe?

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a vida de hamster, realmente, é uma bela merda. além de acharem que você é um rato tucanado, a tal da esteira exige um equílibrio próprio e desconfortável. “você acha que sabe andar e correr? experimente agora, camarada.”

mas, persistentemente, corri até doer minha lateral, ergui a mão e o médico parou de olhar os desenhos que meu coração fazia na tela e desligou a roda da vida.

(pelo que vi ontem, a arte não deve vir do coração não. total falta de criatividade do músculo ensanguentado.)

duas vezes por semana e, por que não, um dia do final de semana. essa é constatação depois de muita ciência médica.

nenhuma insuficiência cardio-respiratória, problemas de joelho ou tornozelo ou indisposição psicossomática. É isso: após meia década de baixa atividade física ainda estou dentro do normal. em um momento vate, me imaginei no pan-americano se tivesse treinado e me dedicado. agradeci aos céus e à terra nunca ter feito isso.

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Sobre correr

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esses dias atrás aí comentei que me preparo “espiritualmente” pra começar a correr (não, ainda não).

não quero dar amplitude dramática e nem gerar expectativas, afinal é só um passo depois do outro. mas correr?

há quem precise fugir, chegar ou sair. mas e eu? por quê?

pra que tudo isso, Lielson?

eu lembro: vontade pura e impulsiva de correr.

eu tinha de. corri, quase caindo na calçada de Curitiba (o engenheiro de urbanismo daqui foi um pândego: pedra sabão numa cidade que só chove).

corri por causa de um filme.

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é, eu confesso um certo exagero na reação, se você aceitar uma certa verdade (minha, claro) no que escrevo.

mas eu precisava.

e corri.

não foi porque gostei ou fugi. além disso. porque precisava. (também quis correr no Radiohead, mas faltou espaço e e energia)

agora não preciso. ou eu acho que não. pra quê então?

 

 

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1, 2, 3, vai!

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tenho pensando em começar a correr. não metaforicamente, fisicamente. mas tem a ver.

só dou um tempo antes de começar, pra que não pareça resolução de ano novo, que já vem com etiqueta frustração (variações de Taiwan tem desistência).

comecei a procurar por isso, e descobri um mundo ao redor dos meus pés (o umbigo do falsa humildade?).

os pés não se dividem em direitos e esquerdos, da maneira que os não corredores pensam. existem trocentas classificações e até testes pra você saber qual é o tipo de tênis adequado pra você.

tenho tido dificuldade de encontrar um modelo que decente – todos os tênis de corrida que encontrei são combinações em variadas porcentagens de molonas, gel, cores berrantes e glitter.

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quem diga que isso é por causa dos meus 30 anos (quase 31). eu prefiro acreditar que é para evitar um futuro que se agarra ao batente da porta pra sair de casa. mas a verdade, provavelmente, é outra.

tem algo de por as pernas em ação pra ver a vida andar, em vez de correr. eu corro, e você espera um pouco. tem a ver com segurar a corrida do relógio baudelairiano enquanto acelero as canelas. tem a ver com a metáfora. tem a ver com a prática.

 

ah, assim que encontrar um tênis decente, eu aviso.

 

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