Tag Archives: artes prástica

Amsterdã dia 3

Primeiramente, bloomsday!

A programação do dia era Rijksmuseum, almoço em pub irlandês, visitar o Moco e andar a toa, fazendo o Bloom em Amsterdã. E pode dar check em tudo.

Pirei mais na parte medieval do museu. E, claro, nos Vermeer e Rembrandt. Tem pouco, pouco, quase nada de arte contemporânea. Pra quem curte, tem muita mobília, armas e maquetes de navios (porcos colonialistas).

Também tinha uma expo com estátuas do oriente e vi um budedo lá bem massa. Hum.

O museu é gigante e assumindo que não veria tudo com o cuidado devido, levei 4 horas lá.

De lá fui prum pub tomar cerveja irlandesa, comer irish  stew e ver Inglaterra e País de Gales, numa forma enviesada de bloomdayzar (também li o Ulysses no ônibus – não inteiro, né, porra).

Saí de lá bastante empanturrado, comprei água e chocolate num mercado e parti pro segundo museu, com expos pequenas do Warhol e do Banksy e acho que não recomendaria empenhar 12,50 euros nisso.

É estranho ver muros recortados e expostos, parece errado colocar aquilo entre paredes, aquilo é a parede. O Warhol é bem legal, mas a maior parte, óbvio, é reprodução.

Aí, me joguei pruma parte de Amsterdã que ainda não tinha ido, mas nem sei o nome. Andei uns 40 minutos só e resolvi voltar.

Mas aí a cerveja fez efeito e eu precisava meio que muito de um banheiro. Entrei num café amigável, pedi um espresso e

(me deixa fazer um parêntese aqui – já tá ali – os caras desse café eram italianos e acharam que eu fosse, io no parlo italiano molto bene e tal. Outras 3 vezes me tiraram pra francês).

Termino esse relato comigo mijando, tipo, Bloom e Stephen no Ulysses, sim.

Deixe um comentário

Filed under A gente tenta, Viagem

Amsterdã dia 2

Se ontem Amsterdã foi queria-estar-m-o-r-t-a, hoje foi só queria me dar um soco na boca.

Reservei o dia pro Museu Van Gogh.

Tentei acordar cedo (museu abre 8:00), mas me enrolei um tanto e cheguei no museu só pelas 10:pouco.

Aí, vou preferir não contar que o passe de uso ilimitado por 24h de Amsterdã e arredores funciona pra uma das linhas que passa no ponto do hotel, mas não pra outra que faz basicamente o mesmo caminho (com mesmo ponto final) e o motorista preferiu me cobrar 5 merkels em vez de falar peraí e pega o outro que vem daqui 3 minutos.

Também vou pular a parte sobre a falta de sinalização pra achar o ônibus que precisava. Vou focar no simpático holandês do guichê de informações que anotou os bondes que eu deveria pegar e me sugeriu comprar os ingressos antes pra pular fila.

Chegando no museu, vou esquecer do funcionário que me mandou pra fila errada e pro guarda do museu que brigou comigo quando fotografava uma placa com nome do quadro (achei que podia, porque tinha gente fotografando com câmera profissa do lado) e vou me concentrar no museu.

O museu Van Gogh é nível PUTALAMERDA.

São 3 andares com muitas pinturas do Vincent, um ou outro objeto pessoal, algumas das populares cartas que ele mandou pro Theo, além de pintores relacionados, tipo amigos, influências e influenciados.

Tem também um espaço pra expos temporárias, que dessa vez era o retrato das prostitutas. Picasso, Munch, Van Gogh em doses comedidas e Degas e Toulouse-Lautrec em quantidades paquidérmicas. Foda de lascar, óbvio.

Ele é realmente bastante cheio, mas se usar alguma GINGA E MALEMOLÊNCIA, você consegue estacionar sozinho, por exemplo, na frente de O quarto por minutos (fiz) (pelo menos nessa época que vim).

Mas eu estacionei o ônibus da atenção na frente da área de um desenho fudido, que é estudo pruma pintura que está em outro museu. Todos os desenhos do Vincent me possuem, mas poucos estão expostos, por causa da conservação da bagaça. Pena.

Acabei pendurando na memória mais uma tela: Three roots, uma inacabada, embora tenha coisa o bastante já pra eu me encaixar ali. Toda a fase dos últimos 3 anos de vida do Van Gogh me comovem muito.

Nessa pira do museu acabei sem almoçar. Achei um mercado, comprei coisas almocentas e sentei pra comer quando CHOVEU. Era uma garoinha bostona que me impedia de comer, mas deixava caminhar pela cidade.

Liguei o esquema ande à toa por aí e veja o que aparece. Apareceu uma boa vontade minha Amsterdã.

Deixe um comentário

Filed under A gente tenta, Viagem

Barcelona dia 10

Pra zerar o articket, eu precisava ir a Montjuïc, que além dos 2 museus que fui visitar, é onde está as paradas olímpicas todas (Barcelona 92, lembram?).

Fui com a linha 2 do metrô até Paral.lel e lá peguei o BONDINHO morro acima. O parque de Montjuïc é grandão, mas meio que me foquei nos museus.

Como ainda tava meio baleado pela gripe, invertida lógica do PRORROGADOR DE PRAZERES e fui logo pra Fundació Joan Miró. O acervo do museu, obviamente de Mirós, é embasbacante. Se o Museu Picasso se ressente de poucas obras significativas, aqui é pra dar tilt na cabeça, porque é uma caralhada de quadro.

Estava particularmente sintonizado com a obra do Miró nesse dia e ele acabou sendo meu pós-rock visual (ou descobri que o pós-rock é meu Miró auditivo). Passei horas no museu, sendo presentificado intensamente por algumas obras.

O grau de sutileza, desde a pincelada até o detalhamento dos fundos, esconde uma complexidade embaixo de linhas diretas e simples. Miró não desenvolveu uma linguagem, criou um idioma usando formas de comunicação familiares, como símbolos, cores, tinta, metal, pedra. Por isso as esculturas, cerâmicas, tapeçarias, murais e quadros são a mesma coisa.

Quando cheguei na sessão dedicada à arte influenciada pelo zen, e também por estar carregado de tudo que vi antes, desabei. Talvez seja o quadro mais discreto da mostra, o mais poderoso pra mim. Todo branco, com um ponto azul à direita, na parte superior. Ao ver de perto, aquele branco do fundo, tem sutilezas e discretas palavras em mirózence. A descrição é inútil, mas ali fiquei, chorei, voltei e entendi que foi algo muito pessoal, com interpretações que vou manter entre mim e essa pintura.

A imagem lhe deixa ordinária, mas é esta aqui. Só olhando na cara pra entender. Ou talvez só sendo eu, naquele dia, naquela hora, vai saber…

Da outra vez que estive lá, o impacto foi bem diferente.

Fiquei meio anestesiado, então peguei um cantinho de grama, almocei meus sanduíches, escrevi um tanto, e encarei o Museu Nacional de Arte da Catalunha. Como o nome indica, coleciona obras de artistas catalães desde o período medieval.

Dei aquela passada de turista velho, que passa por todas as salas e não vê nada, mas recomendo o museu pra quem curte arte religiosa medieval e coisas mais realistas e românticas. Claro, lá no meio tem uns 2 Dalì realista, um Miró estudante, tem um mural foda do Miró, um Picasso bom, uns 4 Tapiès (2 deles escondidos na arte medieval, se liguem) (descobri também que se fala tápiAs), móveis de Gaudí e amigos, uns Rodin do nada, e arte japonesa bem massa também.

O próprio prédio tem sua graça de visitar, mas depois das paisagens do Miró, tava difícil andar por outros lugares.

Deixe um comentário

Filed under A gente tenta, Viagem

Barcelona dia 9

Acordei mudando os planos. Em vez de cair pra Montjuïc e ver 2 museus, pensei em ficar mais perto da base, porque vai que a gripe piora? Daí não queria estar lá no cu da cobra pra voltar.

Caminhei até Museu Picasso. Lá rola sempre um acervo permanente com obras do Pablito, focado na produção dele em Barcelona e uma exposição temporária de mais de 150 gravuras do homem.

A preocupação do acervo é mostrar o percurso do Picasso. Nessa, embora de alta qualidade técnica, tem muita obra desinteressante, como uns estudos realistas, por exemplo.

Mas mesmo assim, dá pra acompanhar (pelos desenhos principalmente) o trabalho da economia de traço que vai se incorporando. Tem uns rascunhos de toureiros que são comoventes de tão poucas linhas e ao mesmo tempo, tanto movimento.

Lá pro final surge uns quadros fodas pra caralho e minha sessão favorita: a reinterpretação de As meninas, com muitas obras que foram estudos pro quadro. É uma sala cheia! ❤

Casquei dali, comi um sanduíche no CCBB, me tiraram pra francês e entrei pra ver a exposição sobre design contemporâneo africano. Essa ainda não sei bem o que comentar, mas achei foda. Tô ruminando ainda.

No meio dessa segunda expo, começou coisas da gripe: cansaço, dor nas costas, dor nas pernas e outras velhices. Desci a Paseig de Gràcia e entrei na Carrer Mallorca atrás da livraria La Central, mas desisti e deixei pra voltar outro dia, tendo o endereço dessa vez.

Peguei o H16 na Plaça Catalunya, cheguei na base e dormi. Quando a Anfitriã chegou, fomos ao mercat e na volta eu fiz o jantar: legumes na manteiga, arroz (o melhor que fiz, it’s magic) e carne em tiras. Tava bom, hein?

Deixe um comentário

Filed under A gente tenta, Viagem

Barcelona dia 8

Com o articket na mão, surge a necessidade urgente de visitar todos os museus.

Por isso, preparei dois sanduíches gigantes (posteriormente devorados na escadaria da Catedral), peguei um ônibus até Plaça de Catalunya, dei aquela rodada turista pela Paseig de Gràcia (pra ver de fora os prédios do Gaudí) e então caí na Fundació Tapiès.

Tinha uma ótima exposição do Harun Farocki chamada Empatia, com os vídeos politizados contra a guerra do Vietnã e delicinhas tipo Counter-Music e The Silver and The Cross.

Saí dali, comi e dei aquela passadinha na Continuará Comics, que resultou em 2 HQs do Jodorowsky: Tecnopapas completo e Depois de Incal (isso, mas em espanhol).

Daí, do nada, mudei a programação. Em vez de Museu Picasso, caminhei até o Parc de la Ciutadella, achei um combo de grama+sombra e me deixei ali por algumas horas.

Escrevi, meditei, li Después de Incal, estudei o mapa, dormi e olhei e voltei andando (talvez me perdendo um pouco).

De noite, tive uma noite de merda, porque resfriei (oi, madrugadas do Primavera Sound) e dormi agitat.

Deixe um comentário

Filed under A gente tenta, Viagem

Diário de classe de desenho

ok, temos algumas contradições aqui (vou chamá-las de contradições orgânicas, porque me parece um nome legal e dá uma certa pompa bacana a umas contradições que, bem na real, não importam em nada), são contradições orgânicas (;]). espera-se de um diário de classe, um a cada classe e se é de desenho, que seja desenhado, pelo sangue de Héracles!

mas, pensa comigo: se estou fazendo aulas de desenho (e é só disso que se trata, se você ainda não tinha percebido), pode-se entender porque não desenho sobre as aulas (espero que tenha entendido, porque se eu tiver que desenhar pra facilitar… né?); quanto a não ser um por cada (<<detecção de prazer infantil aqui) dia é que eu só pensei nisso nesta semana e daí duas aulas já se ficaram pelos tempos (um abraço pra elas).

a primeira, foi aquilo de mostrar qualé da aula e do Claudinei se apresentar e tal. nela, aprendi a prestar atenção na qualidade da linha de um desenho – daquelas pequenas lições que trazem grandes mudanças (até quando usaremos esse par comparativo de opostos, né?). a segunda aula foi mais mão no grafite.

o exercício era algo pra aquecimento, pra “soltar a mão” (sem piadinhas, agradeçam). era pra fazer uma linha curva com certa regularidade em um papel A2 de jornal com carvão, que parecia um laço. mas e daí?

daí que eu tenho problemas com o som do carvão riscando o papel, MUITO PROBLEMA. a fricção entre papel e carvão, transformada em fagulha de tremor, subia em ondas pelos dedos, esparramava grafite na minha mão, ria e seguia braços-pelos, invadia a caveira e chacoalhava meus dentes. pra fechar, usavam divertidas agulhas pra raspar meu ouvido a partir do osso em direção a pele.

sofri uma autotortura de 3 horas desenhando linhas curvas imperfeitas e círculos concêntricos descentrados. meus dentes ainda doíam quando cheguei em casa. aprendi pouco sobre desenho, mas bastante sobre desconforto (duas coisas: 1- de novo o par comparativo de opostos; 2-aprendi que não quero nunca mais desenhar com carvão na vida).

e é só isso mesmo. esses textos não são grandes metáforas da vida ou longo koans. são isso aqui.

Deixe um comentário

Filed under it's the real life?

Autorretrato de um ponto de fuga

a pintura aí é minha.

chamei ela de Eu sempre quis ver tudo. gosto de títulos longos.

fiz porque minha firma pediu pra cada funcionário pintar um quadro com seus “votos” pra 2011.

torta, pequena (mede uns 8 X 8 cm), com erros amadores. 

mas gosto dela. gosto tanto que mostro aqui. 

quero ver nela um olhar que me enxerga.

e vê através de mim um passado translúcido de um menino que sonhava cursar artes plásticas, aprender a desenhar, viver disso.

hoje escrevo e não desenho. nem reclamo.

mesmo.

gosto de fazer o que faço, do jeito que consigo. mas sinto falta de saber fazer isso aí de cima direito.

meus traços, que deveriam mirar pro futuro em seus votos corporativos, me contemplam o passado.

gosto disso.

Deixe um comentário

Filed under Uncategorized

Registro e autojabá

Media_httpcafeespacia_yhevl

estou na Café Espacial 7.

 

nela foi publicada uma entrevista que fiz com a Banda Gentileza, com a fotografia ao vivo de Renato e imagens de arquivo do Bruno.

 

diagramei as fotos, bolei os textos a partir do que ouvi, e o resultado taí embaixo.

 

 

eu sei que tem pelo menos um erro de revisão meu lá no final e teve também o problema de separação das palavras nos balões.

fico grato com qualquer comentário crítico que apontar possíveis melhorias e cuidados em trabalhos futuros. se for pra xingar, à vontade, mas vou gostar menos.

<span>07. Banda Gentileza – Banda Gentileza – Sempre Quase by essenaomanja</span>

Deixe um comentário

Filed under Uncategorized

Novo chapéu

Seguindo a sugestão dela, troquei o topo por um “pedaço” de quadrinhos clássicos.

O que você vê ali em cima é a parte de baixo da primeira página de Master Race, publicada pela EC Comics, em 1955.

A arte e o roteiro é de Bernard Krigstein e a história trata sobre intolerância e antissemitismo.

leia a história completa AQUI.

esse aqui é outro trabalho de Krigstein.

Media_httpwwwbkrigsteincomsubwaysub02jpg_yxbyfhgusnsvrhm

(Subway # 1, 1968, óleo sobre alumínio)

batuta, não?

Deixe um comentário

Filed under Uncategorized

Ecoando listas

Gostamos de listas porque não queremos morrer.

A frase acima é do genial Umberto Eco. ela foi retirada dessa interessante entrevista aqui:

(clique na imagem para ler a entrevista de Eco)

E aqui, uma lista de 5 passagens batutíssimas da entrevista:

“Gosto das listas pela mesma razão que outras pessoas gostam de futebol ou pedofilia. As pessoas têm suas preferências.”
“A lista é o marco de uma sociedade altamente avançada, desenvolvida, porque ela nos permite questionar as definições essenciais. A definição essencial é primitiva comparada à lista.”
“A propósito, se você muda constantemente de interesses, sua biblioteca constantemente dirá algo diferente sobre você.”
“Se você interage com as coisas em sua vida, tudo muda constantemente. E se nada muda, você é um idiota.”
“A lista é a origem da cultura. Ela faz parte da história da arte e da literatura.”

Umberto Eco

 

Eu, que sempre gostei de listas, andava com uma ideia na cabeça – na verdade, uma ideia antiga – que envolve justamente uma lista.

lembro que ao ler Alta fidelidade, de Nick Hornby, o que mais me impressionou foram duas coisas: as listas, pois já era uma mania minha que foi solidificada pela leitura; e a criação de uma fita coletânea pra alguém, porque era uma coisa que eu queria fazer e, novamente, o livro foi um chute na bunda da minha inércia.

Media_httpideiafortecombrblogmedia120090402iri5bobdylanjpg_kthjwfesvbggnzi

(imagem criado por iri5. veja as outras AQUI)

continuei lendo o Hormby, fazendo fitas e escrevendo listas. quem acompanhou meus blogues anteriores sabe do que eu falo.

um dia, um livro do Hornby sobre listas, o médio 31 Canções caiu na minha mão. tive uma ideia com ele, mas falarei disso outro dia.

retomando, sou um cara de listas:

– lista de livros pra ler

– lista de HQs a serem compradas

– lista de músicas a serem baixadas (já foi de CDs a comprar)

– lista de filmes

– lista de temas pro blog

daí li essa entrevista do Eco sobre listas e cultura e fiquei com vontade de voltar a uma postagem padrão de anos atrás: canções adequadas a um determinado momento. sei que não é exatamente uma lista, mas a ideia sempre foi que cada leitor pensasse sobre qual seria sua música praquele momento e pronto, já temos dois elementos e, por consequência, uma lista. veja aí:

Canções certas para momentos específicos:

Para se afogar em um mar azul cristalino, vendo a terra ao longe, e acabar não se importando muito com isso.
No Surprises – Radiohead

Para ver o fim do mundo de um terraço em Nova Iorque, sentado em uma cadeira de praia.
Ando Meio Desligado – Mutantes

essa postagem é de 2003, de um blog antigo abandonado.

que coisa vergonhosa, né?

Para passar vergonha pública em um blogue com coisas de muitos anos atrás:

Mongoloid – Devo

Deixe um comentário

Filed under Uncategorized