Barcelona dia 10

Pra zerar o articket, eu precisava ir a Montjuïc, que além dos 2 museus que fui visitar, é onde está as paradas olímpicas todas (Barcelona 92, lembram?).

Fui com a linha 2 do metrô até Paral.lel e lá peguei o BONDINHO morro acima. O parque de Montjuïc é grandão, mas meio que me foquei nos museus.

Como ainda tava meio baleado pela gripe, invertida lógica do PRORROGADOR DE PRAZERES e fui logo pra Fundació Joan Miró. O acervo do museu, obviamente de Mirós, é embasbacante. Se o Museu Picasso se ressente de poucas obras significativas, aqui é pra dar tilt na cabeça, porque é uma caralhada de quadro.

Estava particularmente sintonizado com a obra do Miró nesse dia e ele acabou sendo meu pós-rock visual (ou descobri que o pós-rock é meu Miró auditivo). Passei horas no museu, sendo presentificado intensamente por algumas obras.

O grau de sutileza, desde a pincelada até o detalhamento dos fundos, esconde uma complexidade embaixo de linhas diretas e simples. Miró não desenvolveu uma linguagem, criou um idioma usando formas de comunicação familiares, como símbolos, cores, tinta, metal, pedra. Por isso as esculturas, cerâmicas, tapeçarias, murais e quadros são a mesma coisa.

Quando cheguei na sessão dedicada à arte influenciada pelo zen, e também por estar carregado de tudo que vi antes, desabei. Talvez seja o quadro mais discreto da mostra, o mais poderoso pra mim. Todo branco, com um ponto azul à direita, na parte superior. Ao ver de perto, aquele branco do fundo, tem sutilezas e discretas palavras em mirózence. A descrição é inútil, mas ali fiquei, chorei, voltei e entendi que foi algo muito pessoal, com interpretações que vou manter entre mim e essa pintura.

A imagem lhe deixa ordinária, mas é esta aqui. Só olhando na cara pra entender. Ou talvez só sendo eu, naquele dia, naquela hora, vai saber…

Da outra vez que estive lá, o impacto foi bem diferente.

Fiquei meio anestesiado, então peguei um cantinho de grama, almocei meus sanduíches, escrevi um tanto, e encarei o Museu Nacional de Arte da Catalunha. Como o nome indica, coleciona obras de artistas catalães desde o período medieval.

Dei aquela passada de turista velho, que passa por todas as salas e não vê nada, mas recomendo o museu pra quem curte arte religiosa medieval e coisas mais realistas e românticas. Claro, lá no meio tem uns 2 Dalì realista, um Miró estudante, tem um mural foda do Miró, um Picasso bom, uns 4 Tapiès (2 deles escondidos na arte medieval, se liguem) (descobri também que se fala tápiAs), móveis de Gaudí e amigos, uns Rodin do nada, e arte japonesa bem massa também.

O próprio prédio tem sua graça de visitar, mas depois das paisagens do Miró, tava difícil andar por outros lugares.

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Filed under A gente tenta, Viagem

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