Monthly Archives: Fevereiro 2016

Falei com o ruído/mm

O Sergio Chaves e a Lídia Basoli, responsáveis pela Café Espacial , me convidaram pra cuidar da seção de música da edição 13 (dezembro de 2014). Sugeri uma entrevista com o ruído/mm, uma das minhas bandas favoritas de post rock e todo mundo topou (cafés e ruídos). Segue abaixo as páginas dessa entrevista.

Mas antes, acho necessário falar um pouquinho do processo da coisa. A música do ruído/mm é uma sobreposição de camadas de timbres e feitos e tentei emular isso colando diversos discursos. Pesquei resenhas sobre os discos, entrevistas que eles deram, a entrevista que fiz e minha própria memória de fãzoca da banda.

Pra ouvir, vai no site dos caras que rola baixar os 4 discos por lá e de graça.

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Estreia de A consciência de Zeni

Que tenho tocado um blog com os parças Liber e Paulo eu já falei. Tenho avisado direto quando rola alguma coisa lá, só que dessa vez acho mais legal porque é minha estreia como colunista, com A consciência de Zeni (O nome roubei de uma brincadeira que o Leandro Melite fez comigo).

Vocês podem ler minha carta pro Guazzelli, comentando sua HQ Apocalipse Nau LÁ NO BALBÚRDIA. O bacana foi que o autor leu e comentou na sua página do Facebook.

Abaixo, são as imagens do caderno onde escrevi o texto com minha já muito criticada letra.

AN 1

AN 2

AN 3

AN 4

AN 5

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Avulsinho 2

 

Nado em palavras e mais nada.

 

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Mais Balbúrdia ainda

Peteleco mais duas indicações de HQ na nossa ssessãozinha Vem Comigo lá do Balbúrdia. Uma foi na quarta passada e outra saiu hoje, no meio do Carnaval. Ambas constam das minhas leituras comentadas do mês, que estão aqui.

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Tem alguma coisa rolando: HQ de Carnaval

O Zé Oliboni, meu parceiro dessas HQs que tem saído no Diletante Profissional, me pediu pela segunda vez uma história ligada a uma data (fizemos uma de natal, ainda vou postar aqui). Óbvio que era de Carnaval. Vai ela aqui e lá embaixo eu falo como um cara que odeia carnaval fez essa HQ:

carnavalfinal

***

Minha ideia um era fazer algo na linha Harvey Pekar. Uma grade fixa de 6 ou 9 quadros com um cara reclamando do Carnaval. Quando parti pra execução da coisa, me pareceu mais interessante que fossem pessoas diferentes e isso reencaminhou o roteiro, porque também pensei que é coisa de babaca falar mal de um negócio que tanta gente gosta. Resolvi ir atrás de um equilíbrio e sair da reclamação simples, até me acusando de leve.

Porém, aqui entra a vantagem de se trabalhar com amigos: o Zé levantou a questão de que a ideia das máscaras é bem batida. Só pude me envergonhar e bater na testa. Ele também falou no esquema de fazer um quadro por linha e contrapropus dois e deu certo. Oha aí o roteiro, que com exceção do texto que mudou TOTALMENTE, é o que foi usado.

PÁGINA 1 –  6 painéis

QUADRO 1: um homem magro, branco, braços cruzados, atrás dele fundo preto, olha pro  leitor e fala: EU NÃO GOSTO DE CARNAVAL. MESMO.
QUADRO 2: uma mulher de cabelo preso, olha pro leitor, com os dedos pra cima, ironizando: DETESTO ESSE PAPO DE FOILIA, A ALEGRIA DO BRASILEIRO.
QUADRO 3: um senhorzinho, velho, mãos pra trás, olha pro leitor: NÃO VOU DIZER QUE NÃO GOSTO DO FERIADÃO.
QUADRO 4: uma criança japonesa, coçando o braço, olha pro leitor: MAS VOCÊ É OBRIGADO A GOSTAR DE CARNAVAL PORQUE TÁ NO BRASIL.
QUADRO 5: uma mulher negra com as mãos no bolso da calça, olha pro leitor: TENHO  TANTA VERGONHA DO CARNAVAL, QUE ENTENDO AS MÁSCARAS.
QUADRO 6: uma adolescente, bem punkzinha 15 anos, olha pro leitor: TAMBÉM IA QUERER SUMIR E NUNCA SER ENCONTRADA SE TIVESSE QUE IR NO CARNAVAL.

PÁGINA 2 – 5 painéis, o último mais largo

QUADRO 1: um homem gordo, de bigode, com mão no peito, olha pro leitor: PRA QUEM ODEIA CARNAVAL, UMA MÁSCARA É UMA BOA.
QUADRO 2: mulher de cabelo curto, estilo estilista, gesticula com um guarda-chuva na mão e olha pro leitor: VOCÊ PODE CONFERIR AQUELA PORCARIA DE PERTO.
QUADRO 3: mulher fantasiada de colombina joga confetes e olha pro leitor: DÁ ATÉ PRA FINGIR QUE FAZ PARTE DAQUELA MASSA SEM NOÇÃO.
QUADRO 4: um magrão cabeludo, camiseta de banda de metal, mexe no celular enquanto fala, com serpentinas enroladas nele: DE REPENTE, ATÉ VOCÊ VAI ACHAR QUE GOSTA
QUADRO 5: mesmo homem do quadro 1 da página 1, o fundo atrás dele agora é claro e estão os rostos de quem apareceu na história: O PIOR É QUE DEPOIS DA QUARTA-
FEIRA DE CINZAS VOCÊ AINDA USA UMA MÁSCARA POR DIA.

No fim, consegui falar melhor (eu acho) o que eu queria sem azucrinar a festa de ninguém e sem parecer um imaturo reclamão.

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Iluminandinho

Os últimos tempos me trouxeram muitas leituras sobre práticas budistas e conforme CONTINUO ESTUDANDO, vou me interessando cada vez mais. Os ensinamentos do budismo são o darma, que quando aprendido são uma forma de se livrar do sofrimento, daí a pessoa se ilumina, daí ela volta pra ajudar o resto do povo a se iluminar tudo também.

Uma das ideias que mais gosto é que tudo isso é uma construção, que nossa mente lúcida está escondida embaixo disso tudo. É como se fôssemos perdendo a percepção das coisas, como se um (ou vários) sentido (s) estivessem desligados e se iluminar é de repente ver tudo (e ver é uma palavra ruim, porque se percebe o mundo por muitas maneiras além da visão).

– óbvio que você encontra explicações melhores e mais decentes por aí. –

Tá.

Hoje quando me caiu na frente este vídeo de pessoas ouvindo pela primeira vez (existem trocentos outros desses), imaginei que isso é tipo simular a iluminação em 8 bits, uma poeirinha da maquete da bagaça toda.

Espanto, alegria e um pedaço novo do mundo. Deve ser por aí, mas GIGANTE.

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Tem alguma coisa rolando: Manual do desenhista amador

Parênteses

Em 2014 eu participei de vários encontros  para desenhar nas ruas de São Paulo. O Desenhando SP foi uma ideia do Eduardo Nasi e da Marcia Tiburi e a cada mês quem estivesse a fim se encontrava num lugar diferente da cidade pra desenhar o que quisesse.

Eu adoro desenhar, mas não faço isso muito bem (pros curiosos, tem aqui uns desenhos meus que fiz numa aula de desenho no Sesc Pompeia) (e aqui uns do Desenhando SP).

Quando recebi o convite da revista Parênteses pra escrever um conto, depois de muito me bater, optei por um esquema de um título de 3 palavras – Manual do Desenhista Amador – que se alternavam (Desenhista Manual Amador, Amador do Manual Desenhista etc) e a partir daí eu fazia os textos. Como tinha parada do desenho, achei uma desculpa consistente (o “amador” do título) e incluí uma seriezinha que roubei de um casal em profunda DR na Estação da Sé.

O resultado pode ser lido em PDF, Epub e Mobi dae dição # 6 de janeiro do ano passado, nas páginas 30 a 38.

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HQs de janeiro

Pretendo fazer uma postagem regular por aqui, sobre as HQs que li no mês anterior. Se alguém se interessar em acompanhar, eu posto neste Tumblr (o Na Sarjeta)  conforme leio. Nada de melhores do mês, como no UHQ (lista de que participo).

Eu reli o Apocalipse Nau (Nós), do Guazzelli (meu favorito de 2015) e ele continua a encher meu coração. Não vou falar muito porque vai ter textão no Balbúrdia daqui uns dias.

Gostei demais do  Viva a revolução! (Veneta), do Crumb. É desse gibi que saiu umas das imagens (talvez as duas) usadas pelo MPL autorizadas pelo autor. É uma coletânea muito redonda e o texto introdutório do Rogério de Campos é ótimo.

Sou apaixonado pela obra do José Carlos Fernandes desde que li A pior banda do mundo (Devir). Quando descobri esse livro dele de 2004, Um catálogo de sonhos (Devir), já comprei sabendo que ia adorar.  O clima onírico abençoado por uma narrativa borgiana garantem tudo. Fizeram um curta dessa HQ e este é o trailer.

Demorei muito pra conhecer esse personagem. Gostei tanto de Concreto – nas profundezas (HQM) que penso em importar o resto caso a HQM desista de publicar. Ele é um cara com poderes que não é nem um altruísta como os heróis da era de ouro e de prata, nem um rancoroso e violento anti-herói pós-Cavaleiro dastrevas/Watchmen. Concreto é um cara normal preso num corpo que lhe dá alguns poderes. Tudo isso saiu da cabeça do Paul Chadwick na metade dos anos 90.

A grande cruzada v.1 (Devaneio) é o primeiro lançamento de várias páginas do talentoso Theo Szczepanski. A arte é muito boa e aqui já começa um porém: a edição tinha de ser maior, pra dar mais visibilidade ao desenho. A trama é muito interessante e a costura disso com nossos dias é muito inteligente. Meus dois outros poréns são com a capa (sem desenho do Theo) e a fonte usada na maior parte da HQ, que podia ter sido mais bem pensada (a página acima é um exemplo do bom uso da fonte).

A Miss Marvel – Nada normal (Panini)é um bom gibi de super-herói, como os gibis de super deveriam ser, com aventura, humor e licenças ao mundo real. O a mais aqui é a protagonista ser muçulmana e viver nos EUA. Do meu ponto de vista de infiel do islã, a coisa parece respeitosa, mas não sei como um crente de Alá veria a HQ. Outra HQ de super-herói que achei bem boa por ser super, mas é fraca por ser Ellis, é Cavaleiro da lua (Panini). O que mais gostei é que o encadernado traz 6 HQs que são independentes entre si.

Em Groo vs Conan (Mythos) só fanfarronice com o encontro dos dois bárbaros que importam. Se você já leu um Groo, leu todos e apesar do Conan, o gibi é do Groo.

Quando a noite fecha os olhos e Que Deus te abandone (ambas do Sesi) são dois roteiros do André Diniz. No primeiro arte de Mario Cau; no segundo do Tainan Rocha. Nenhum dos dois me pegou muito, na verdade. O primeiro achei excessivamente dramático caindo em um apelo sentimental que não gosto, apesar de tratar de um tema fundamental de aceitação de orientação sexual e tudo. Já no Que Deus te abandone, eu não comprei o jogo da escolha moral que guia a trama, mas arte do Tainan é muito competente.

Voltamos aos super-heróis com os 4 volumes de Stormwatch (Panini). A arte é nojenta em metade das HQs, mas o roteiro do Ellis é a semente do começo das HQs de super da primeira década do século 21. Stormwatch gerou a Authority que gerou a Supremos que gerou à Marvel no cinema que gerou a DC  no cinema que gerou aos gibis de linha de novo. Não tô falando que isso é bom, mas Stormwatch vale a leitura pra quem curte o gênero. Mesmo que na última parte o crossover WildCATS vs Aliens (!!!!) não tenha sido publicado o que presenteia os leitores com uma baita lacuna, do tipo: mas péra, eles morreram, como?

Volto em março com essa sessão aqui.

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Vendo filmes

Tenho usado o cinema como um tempo deslocado: eu paro tudo, a sala escurece eu ganho memórias de outros, e me empresto histórias que gostaria que fossem minhas ou que adoraria que não fossem tão parecidas com minha vida.

É um tempo em que me escapo, sem me alienar de todo, porque quando volto, parece que há um reencaixe (não se preocupe, não faz muito sentido mesmo)

No último final de semana vi 3 filmes: no sábado, o clássico 8 1/2.

Cada vez eu gosto mais dele, não sei bem como lidar com isso. Cada vez que eu revejo, acho um novo. Dessa vez, fiquei doido com o texto da conversa entre Mastroianni e Claudia Cardinale. Que doideira ser-se Federico.

No domingo, sessão dupla com O sabor da vida e Anomalisa.

O sabor da vida é da Naomi Kawase que fez um filme que eu amo e deve passar no meu velório (Vestígio, já falei sobre ele). Andamento lento, com um drama pesadamente oriental e que o conflito só se põe a nu aos 55 minutos (eu vi no relógio). Não tenho dúvida que muita gente vai odiar.

Embora, até pese a mão na emoção mais fácil vez ou outra, a combinação entre dramático e lírico (no sentido dos gêneros mesmo) é muito equilibrada.

Anomalisa saí sem saber o que pensar direito, tem coisas que me incomodaram, mas a cada hora que passa gosto mais dele. É outro filme monótono (no melhor sentido), mas algo diferente do da Kawase. O texto é afinado, o stop-motion é esquisito do jeito certo e várias vezes ele diz que vai te levar pra lá, e te empurra pra cá.

Esses três filmes foram bons o bastante pro final de semana. Sigamos, sigamos.

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