Leiturosseia do Ulysses – Capítulo Doze – Ciclope

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[Imagem de David Byers Brown para o Canto IX da Odisseia, com o ciclope enchendo o caverão de vinho]

a história se passa num boteco, onde o Bloom vai para esperar a chegada de Cunningham. enquanto espera, é maltratado por algumas outras pessoas e principalmente por um personagem chamado Cidadão. e seu cão babento, claro.

gosto muitíssimo deste capítulo. o narrador é um personagem não identificado, que também está nessa mesa com o cidadão. aflora o preconceito contra estrangeiros e judeus conforme as bebidas são entornadas.

o Cidadão representa o ser preconceituoso, reacionário, militarista e nacionalista. ele mantém a postura de que está sempre certo, e tem uma visão limitada, que não admite questionamento. ele é o ciclope do episódio homérico.

como os ciclopes tinham um olho só, não tinham perspectiva. assim como o Cidadão que não enxerga nada em perspectiva.

na Odisseia, Ulisses e sua tripulação são aprisionados por um ciclope, Polifemo, que pretende os devorar um a um. o monstro sai durante o dia para pastorear suas ovelhas e coloca uma enorme pedra na entrada da caverna que impede a saída dos marinheiros.

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[adaptação xuxu em HQ da Odisseia, por George Pichard]

Ulisses, matreiro que só, arma um jeito de escaparem: embebeda o ciclope e afia um tronco de árvore que ele usa para furar o olho do monstrengo. depois, amarram-se junto às ovelhas para poderem fugir da caverna, já que Polifemo sentia pelo tato o que estava passando e permitia a saída das ovelhas.

no final ainda, Ulisses diz que o nome dele é Ninguém e dá uma trollada de linguagem no ciclope, que pede ajuda aos outros ciclopes, e explica que ninguém o deixou cego. no final, todo mundo foge e Polifemo atira pedras contra os barcos.

no Ulysses do Joyce, o combate acontece ideologicamente (embora o Cidadão atire uma lata em que o cachorro nojetão dele come contra o Bloom no final do capítulo). eles sentam lá, discutem, Cunningham chega, Leopold vai embora, e mói o Cidadão com respostas inteligentes sobre o sionismo.

quando ao modelo da narrativa, me dá até comichão na barriga de comentar: chamado de gigantismo pelo Joyce, ele usa de paródia de diversos estilos e de vários formatos, tipo cartas e atas, sempre com um discurso que busca engrandecer o ato mais banal, como o Bloom subindo as escadas que tem uma descrição de tom bíblico, lembrando a ascenção de Elias aos céus. aqui tem uma bela anotação sobre esse capítulo.

além disso, quem narra a história, mormente, é aquele personagem desconhecido que não gosta do Bloom, o que gera um ponto de vista muito batuta pra história.

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