Leiturosseia do Ulysses – Capítulo Quatro

[desenho de James Joyce com a primeira linha da Odisseia em grego]

finalmente, o Leopold Bloom entra no livro. Cronologicamente, voltamos para 8 horas da manhã. ou seja, as ações daqui são simultâneas aquelas do primeiro capítulo. toma-se café da amnhã lá e aqui.

o Caetano Galindo, tradutor dessa versão, já disse várias vezes que quando se chega no quarto capítulo é como se alguém abrisse a janela do livro e entrasse sol em todo ambiente.

o senhor Bloom prepara café da manhã para sua esposa, Molly, conversa com a gata, dá uma saidinha rápida apra comprar um delicioso (#NOT) rim de carneiro para preparar na manteiga, tenta sair rápido do açougue pra ver uma bela bunda, perde o timing das ancas, volta pra casa, pega as cartas (uma pra ele e duas pra Molly), leva o chá da manhã pra ela, explica o que é metempsicose, fica cabreiro com uma das cartas, é lembrado por Molly (e pelo cheiro de queimado) do rim no fogo, dá uma topada na perna da cama, salva o rim da incineração, dá a parte queimada para a gata, come a outra com pão enquanto lê a carta (que é de sua filha, Milly), sente os intestinos trabalharem, vai pro banheiro, se limpa com um pedaço do jornal e ouve os sinos badalarem.

[cena de Ulysses, de 1967]

nesse meio tempo lembra-se do enterro que vai acontecer hoje (pobre Dignan), descobrimos que é uma quinta-feira, que é dia 16, e que possivelmente é junho, embora haja alguma chance pra julho e que Bloom conhece Simon Dedalus (que os leitores de Um retrato lembrarão ser o pai de Stephen).

a narrativa se assemelha a da primeira parte do livro, mas graças ao modelo de narração, aqui é mais leve, divertido e apetitoso (apesar do rim). a ideia é que o narrador joyceano, mesmo em terceira pessoa, se deixa invadir pela visão de mundo do personagem que está em sua alça de mira narrativa. esse narrador usa o léxico que o personagem usaria e tem o seu humor. isso torna os primeiros capítulos mais sisudos e a partir daqui o livro mais divertido.

bem vindo, senhor Bloom, o dito mais complexo dos mais simples homens-literatura de todas as páginas.

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