A leiturosseia

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Sei que meu primeiro encontro com o Ulisses de James Joyce, foi na Biblioteca Pública do Paraná, em Curitiba.

o livro tava na lista do Cristovão Tezza como uma das opções para uma apresentação de sua disciplina. eu não fazia a matéria na época – eu não fazia nem Letras na época – mas tinha a lista e a intenção de completá-la.

eu era só um magrão do interior do Paraná que fazia comunicação, gostava muito de ler e morava numa pensão com entusiastas da primeira onda do sertanejo universitário. nesse ano, li mais de 100 livros (sim, eu anotava – ah, as ingênuas e não menos belas flores da juventude…).

mas e o Ulisses?

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sim, o Ulisses. flertei, cheguei junto e levei o livro pra pensão. achei estranho e pouco amigável, apesar de formas sobranceiras e fornidas (tradução do Antonio Houaiss). não consegui terminar.

cheguei até a quarta fase do livro, mas acabou meu continue na biblioteca e tomei um gameover do prazo. deixei pra lá.

na verdade, deixei nada! já tinha lido O retrato do artista quando jovem, aí li Dublinenses, biografias, material teórico. foi a primeira vez que li material em inglês também: li Giacomo Joyce e uns poemas em inglês do irlandês. e Stephen Hero também.

a obsessão estava instaurada. aí, surgiu Luís Bueno (que orientaria meu mestrado anos depois) e sua disciplina para a leitura do Ulisses.

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comprei num sebo a única tradução disponível (mas não única edição) em 2001 e fui pra aula do señor Bueno (a compra do livro foi uma odisseia prum estudante de bolso curto que nem eu, mas para histórias de gente sem dinheiro recomendo Os ratos, do Dyonélio Machado).

e nesse ano foi a primeira vez que li o Ulisses. foi legal, mas eu ainda tava obcecado e precisava ler de novo. mas na tradução do Houaiss seria muita dor e sofrimento (drama queen).

anos depois eu soube que a tradução da Bernardina eu ia sair. eu já era um digno estudante de Letras na época.

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soube daí que um cara que pirava no Joyce tava traduzindo o Ulisses pro seu doutorado. Era o Caetano Galindo. já tinha tido aulas com ele e conversávamos sobre Radiohead, Oasis e Joyce nos corredores da UFPR. pedi que me deixasse ler o seu trabalho.

na época, desempregado e com muita obsessão, li os 4 primeiros capítulos do Ulisses, de novo. mas dessa vez, cotejado com o original em inglês e com a tradução do Houaiss. e como a do Caetano era melhor.

(essa leitura aí me levou pra página de agradecimentos da edição do Ulysses do Galindo. deveras gentil, esse moço)

mas a edição da Bernardina saiu antes. comprei e li. dessa vez, li numas férias em Francisco Beltrão. gostei de novo, mas senti que faltava um pouco da engenhosidade joyceana que eu tinha provado no texto em inglês e na tradução do Galindo. como se o Houaiss tivesse apertado demais o parafuso do rebuscado e esquecido da diversão e a Bernardina fez o versa desse vice.

quando eu soube que o Caetano tinha acabado de traduzir e que ia sair pela Cia. das Letras, fiquei bem feliz. primeiro, porque eu poderia indicar uma versão decente do livro pras pessoas. depois porque eu poderia ler o Ulisses de novo!

(o Caetano me disse numa aula que somos sempre macaquinhos egoístas, que usamos o discurso pra se dar bem – esse é mais um exemplo).

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domingo passado comprei o Ulysses, descobri que eu era citado num dos meus livros favoritos e comecei a empreender a leitura da bagaça. e hoje resolvi fazer um diário de leitura aqui no blogue. esse é só o texto de abertura, minhas impressões estão nas postagens adiante.

não se entra num labirinto de palavras destes sem linhas inteiras e frases ocasionais sublinhadas à lápis.nos encontramos lá no último ‘Sim’.

2 comentários

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2 responses to “A leiturosseia

  1. Claudia

    Adorei o blog, porém me bati para achar o autor, pois gostaria de citá-lo em um trabalho acadêmico. Entendi que o autor desses é Lielson Zeni?

  2. Claudia, sou eu mesmo
    🙂

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