Monthly Archives: Março 2011

Eu e a música

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(quantas postagens dessas últimas tem um estrondoso EU no título? mea culpa – e de novo EU)

na minha casa em Francisco Beltrão não tinha música.

meu pai e minha mãe não são músicos, não cantam em coral da igreja e não são fãs de ninguém.

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mentira. a nostalgia do meu pai é fãzoca do rei e do tremendão.

mas as necessidades financeiras, tanto as reais quanto as temidas, fizeram de meu pai um homem sem extravagências. e sem se permitir.

e os filhos herdam.

herdei uma casa com som baixo de TV e de nenhuma melodia. hoje me atravanco no ritmo da poesia, no compasso da dança e na eufonia da vida.

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minha prima tinha um toca-discos, mas ela levou embora quando não morou mais com a gente. tudo bem, eu não tinha discos.

lembro de ligar pra rádio todos os dias – três vezes – de uma semana pra pedir uma música que gostei.

meus amigos da sétima série (e depois da oitava) vestiam camisetas pretas e falavam sobre bandas; eu ainda salvava o mundo toda a tarde lá em casa.

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até que um dia herdei do meu primo revistas de eletrônica e caixas e mais caixas de fitas K7. mas isso é grande e fica pra amanhã.

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Greve

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a postagem de hoje informa que não comparecerá, exigindo melhores criações de trabalho.

a postagem fura-greve de outro dia foi impedida pelos grevistas, que cortaram a energia e fizeram com que ela se perdesse.

caso haja algum avanço nas negociações, os leitores serão avisados.

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Quintântico dos quintânticos

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parece que HOJE é dia da poesia.

mando lá umas aspas, só pra constar:

A oferenda

Eu queria trazer-te uns versos muito lindos…

Trago-te estas mãos vazias

Que vão tomando a forma do teu seio.”

Mario Quintana, lírico e safado, como a boa poesia.

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Eu li o Contardo Calligaris

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a (sempre) elucidativa coluna do Calligaris de ontem vai abaixo.

interessantíssimo o modo de ver o Carnaval e a bela leitura de O cisne negro, filme queridinho da equipe desse blogue.

“Cisne Negro”, o Carnaval e as mães


Se conseguimos viver plenamente, é graças a autores e intérpretes que nos revelam nosso lado B


“CISNE NEGRO” é a história, muito bem contada, do desabrochar de uma loucura. Mas amei o filme por outras razões. Aqui vão duas delas.

1) Revi “Cisne Negro” no domingo e, na volta do cinema, assisti ao Carnaval na TV.

Gosto da exuberância de alegorias e fantasias, e o que mais importa no Carnaval talvez seja a paixão das escolas ao preparar o desfile, mas resta que, na televisão, o espetáculo do carnaval e de seus bastidores consegue a façanha se ser, ao mesmo tempo, vulgar e careta. Como é possível?

É que, no espetáculo televisivo, a transgressão da folia consiste numa tremedeira de carnes (vagamente sugestiva de um exercício sexual), acompanhada de uma dose diurética de cerveja. Ou seja, o Carnaval na televisão é um programa infantil, pois é assim que as crianças imaginam a transgressão: vulgar como xixi-cocô e careta como suas suposições sobre o que acontece entre adultos na hora do sexo.

Só para confirmar: as crianças encaram com prazer o tédio de uma noite de desfiles em família, na frente da televisão. Elas acham reconfortante supor que o lado B dos adultos seja parecido com a visão infantil da transgressão: comilança, bebedeira, bunda e peitos.

Só falta um pum final.

Na verdade, fora esse momento anual de regressão coletiva, espera-se que, para os adultos, a transgressão seja uma excursão em territórios mais tenebrosos e mais aventurosos. Espera-se que o lado B da gente não caiba no Carnaval televisivo e que sua descoberta peça mais do que alguns litros de cerveja.

1) Nada torna a vida interessante tanto quanto a descoberta de nossa própria complexidade; 2) Talvez a função mor da cultura seja a de nos dar acesso a partes de nosso âmago que normalmente escondemos de nós mesmos; 3) Conclusão: se conseguimos viver plenamente, é graças a autores, atores, intérpretes etc. que nos revelam nosso próprio lado B (e C e D).

Agora, será que o artista poderia levar espectadores ou leitores para territórios que ele não tiver primeiro desbravado nele mesmo?

Alguns pensam assim: só quem ousa se aventurar pelo seu próprio lado B consegue revelar aos outros o lado B que eles escondem de si mesmos. Nina, a estrela do “Lago dos Cisnes”, não poderia arrebatar seu público sem se entregar corajosa e perigosamente a seu lado obscuro, sem se entregar ao cisne negro nela.

Outros pensam que, para encarnar o cisne negro, Nina não precisa sentir sua lascívia na pele. Bastaria ela atuar e dançar (como dizia Diderot) com a inteligência, e não com o coração. Mas como ela poderia dançar e atuar o cisne negro com a inteligência sem conhecer e entender o que ela precisa expressar?

Seja como for, quem acha que seu lado obscuro é feito de carnes trêmulas e cerveja deveria fazer um esforço sério para sair da infância. Nesse esforço, Nina e “Cisne Negro” seriam de bastante ajuda.

2) Homens e meninos, mesmo quando aspiram à perfeição, convivem razoavelmente bem com falhas e fracassos. É porque acreditam firmemente que, mesmo imperfeitos, eles nunca deixarão de ser tudo o que suas mães pediram a Deus.

Mulheres e meninas, ao contrário, sentem que, mesmo alcançando a perfeição, não serão o que suas mães pediram a Deus. A explicação clássica disso é que elas, pelo simples fato de serem mulheres, nunca preenchem a expectativa materna tanto quanto um filho varão. Paradoxo: as mulheres aspiram à perfeição mais do que os homens porque tentam merecer uma aprovação materna que é quase impossível.

Há uma outra explicação do sentimento feminino de não corresponder às expectativas maternas. Essa explicação, mais inquietante, diz que, para uma mãe, o triunfo de uma filha (profissional ou amoroso) sempre apresenta ao menos um defeito: o de não ser o triunfo dela mesma, da própria mãe.

A mãe de Nina espera que o sucesso da filha compense suas frustrações de bailarina que renunciou à carreira. Também acusa a filha de ser a causa dessa renúncia. Qual será o melhor bálsamo para a ferida: o sucesso ou o fracasso da filha?

Muito frequentemente, as mães rivalizam com as filhas. Essa rivalidade é especialmente óbvia e feroz quando, de um jeito ou de outro, oferecendo pelúcias ou preparando chazinhos, uma mãe tenta manter a filha parada numa eterna infância.

ccalligari@uol.com.br

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Dico (ou como fiz uma HQ infantil)

eu, a convite do Reinaldo, escrevi um roteiro prum personagem dele, pra tentarmos o Prêmio Abril de personagens.

não deu.

mas gosto do resultado: uma história de 8 páginas sobre Dico, um menino que adora futebol.

a bela arte (não finalizada) é do Reinaldo. outro dia, posto o roteirinho que eu fiz.

 

 

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Enterro dos ossos

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fechando a festa na avenida, o último bloco.

Carnaval, agora, só se for o do Bakhtin.

Cat Power – Cross Bones Style Music Video from Brett Vapnek on Vimeo

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Serpentina e confete

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Pra não baixar a poeira (nem os dedinhos), vamos montar um bloco de carnaval, só com mulherada talentosa, em homenagem ao dia internacional da mulher. OLHA O BRÉQUE!

 

 

 

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Oh, abre alas!

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os jornais matutinos eram a comissão de frente da repetição sobre os desfilos das escolas de samba dos mais diversos topoi.

O que se pode depreender é que nada aconteceu no mundo durante final de semana diferente de samba no pé e bunda na tela. assim, interrompemos a folia e malemolência para tornar pública e notória a morte da informação não redudante televisiva brasileira.

EXTRA EXTRA EXTRA

denúncias anônimas dão conta de que passistas sambam satisfeitos no túmulo da informação.

voltaremos assim que tivermos novidades.

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Eu vi Um lugar qualquer

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é um filme tão franco e tão elegante que é difícil falar qualquer coisa.

fiquei ulteriormente comovido com o trabalho da Coppola.

o filme é tão franco, que não perde tempo em desarolhar um enredo em caracol. vai direto aos personagens em ação.

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a mãe é uma voz telefônica ao longe (que não sabe quando volta) e o pai um ator de cinema que se deixou carregar pelas astrices da carreira: Ferrari, hotel de luxo e sexo compulsório.

já a filha é uma voz fraca,que pede ajuda.

mas tudo isso se diz sem dizer nada. ou dizendo pouco e certeiramente.

a elegância é a direção de Sofia Coppola, com poucos enquadramentos, sem cortes frenéticos ou montagem de videoclipe. é um filme que não tem medo de ser cinema e fazer com que os personagens lutem contra a inércia.

me lembrei de Dino Buzzati e seu Deserto dos tártaros. me lembrei de João Gilberto Noll e seu Canoas e marolas.

há muito movimento no filme, mas é preciso estar atento, pois da nadeza surge o tocante.

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um pouco clichê, eu sei, mas uma das minhas cenas favoritas é o preguiçoso zoom na piscina, na cena do cartaz do filme, com Strokes ao fundo.

gosto das autorreferências, que compara o devastador jogo de pernas de Kate Moss com a dupla de strippers indolentes de Um lugar qualquer.

ou aquilo que não foi ouvido pela plateia em Encontros e desencontros e o que não foi ouvido pela filha, em Um lugar qualquer. nem mesmo pelo pai.

basicamente, é a história de um personagem que está em algum lugar (e ele se deixa ficar, inerte) e que precisa ir para algum outro lugar. e eu não sei bem onde está minha posição quanto ao filme. só sei que gostei muito.

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Outra lista

irregularmente tenho publicada dicas de que quadrinhos comprar se você nunca leu HQs. mas que tal uma outra opinião?

e que tal a opinião de um especialistão?

saiu no blog da revista Época umas dicas do Sidney Gusman em uma conversa com o André Sollitto, ambos meus camaradas lá do Universo HQ. acompanha aí:

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