Eu li Como desaparecer completamente

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Eu acredito em contexto.

Eu acredito em situação propícia.

E eu acredito em criar clima.

O livro é Como desparecer completamente, nome de música do Radiohead, trilha sonora do seriado Lielson – pra que tudo isso?

Começou com boa vontade o que é bastante propício a ler um livro. Ler o livro em uma viagem a São Paulo e, principalmente, no Terminal rodoviário Tietê é criar o clima adequado.

O escritor André de Leones, autor de Como desaparecer completamente, conseguiu.

(daqui pra frente, é tudo um monte de acho de alguém que se pensa um leitor especialista)

O título é fiel à trama. Diversos personagens, que até nem querem, mas nem se importam tanto assim, estão prestes a desaparecer em São Paulo. Não há aqui enredos mágicos; só pessoas com dificuldades de pessoas.

Relações ásperas e embrutecidas, de personagens que acidentalmente desaparecem num canto (pra, claro, aparecer em outro), mediadas pelo sexo, que iconizam relações mecanizadas e automatizadas, feitas quase por tradição, por que é assim.

Esse contato entre os personagens, que não conseguem se relacionar, desaparecendo dentro deles, e eles dentro da própria cidade, é genial. Nomes de locais de São Paulo e da cidade natal (Silvânia) de De leones surgem na narrativa nomeando personagens, ligando espaço dos corpos, espaço urbano e espaço psicológico.

Já fica claro que eu (ou melhor, De Leones) fala de desfragmentação, de pessoas aos pedaços, de relações quebra-cabeça. E aqui há algo que me satisfaz lendo um livro: a forma e o conteúdo dão um beijo na boca.

Além dos capítulos curtos e rápidos, Como desaparecer completamente usa formas fragmentadas e aos pedaços: e-mail e roteiro de cinema, por exemplo. Excertos que fazem sentido naquele ponto e ajudam a voz narrativa a dizer sobre aqueles personagens. E há muito mais nesse livro de ritmo rápido e fluente, e de impacto forte e duradouro.

e eua li, no Tietê, passando por isso. e depois eu, dentro de um ônibus em Curitiba, fechando a última capa do livro.

As histórias dos personagens se cruzam, mas eles não se encontram. Os personagens desaparecem completa e absolutamente. 

E são encontrados, apenas, na minha lembrança de leitor.

Eis o trailer do livro:

E aqui um programa Entrelinhas com o André:


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